No Sesc Palladium há um desejo muito grande de que os encontros voltem a ser presenciais | Crédito: Divulgação

Após sete meses sem operar devido aos reflexos da pandemia da Covid-19, cinemas, teatros, casas de shows e de espetáculo, feiras de negócios, exposições, congressos e seminários agora têm data certa para voltarem à ativa na capital mineira. Na última sexta-feira (16), foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM) o decreto que estabelece os dias e condições de funcionamento para esses setores.

A notícia, embora tenha sido bem recebida pelos entrevistados pela reportagem do DIÁRIO DO COMÉRCIO, para alguns, chegou atrasada. Para outros, apesar de boa, sinaliza apenas um leve começo de volta à tão sonhada normalidade.

De acordo com a prefeitura, no dia 31 de outubro, cinemas, teatros, casas de show e espetáculo poderão voltar às operações, sem restrições de horários. Já no dia 30 de novembro, será a vez das feiras de negócios, exposições, congressos e seminários, também sem restrições de horários.

Todos deverão seguir uma série de protocolos que ajudam a garantir a segurança da população. Há, ainda, a possibilidade de alterações nas liberações, se o monitoramento dos indicadores epidemiológicos indicar essa necessidade.

O secretário adjunto da Secretaria Municipal de Cultura, Gabriel Portela, destaca que, mesmo com as reaberturas, não dá para dizer que o impacto econômico no segmento cultural já está resolvido.

São vários os desafios que se tem pela frente, segundo ele. Existe a limitação de capacidade de público, os custos gerados para atender os protocolos, entre outros, como o planejamento que a área precisa em relação à montagem de espetáculos e lançamentos de filmes, que ficaram comprometidos em meio à crise na saúde que refletiu em várias áreas.

Todavia, ele ressalta que “não deixa de ser um movimento importante. É um alento para setores que foram um dos primeiros a parar e serão um dos últimos a retornar”, diz.

Opinião semelhante tem o diretor de programação da rede Cineart e presidente do Sindicato das Empresas Exibidoras de Minas Gerais (Seecine-MG), Lúcio Otoni. De acordo com ele, esse retorno é muito mais para reativar a operação e tentar minimizar as perdas – estas, diz, bastante representativas. Conforme Otoni, a perda no faturamento foi de 75% em relação ao ano passado. Mais de 80 salas de cinema fecharam as portas.

“A gente entende que precisa ocorrer a reabertura. Os primeiros meses vão continuar difíceis, com prejuízos. Em 2021 é que deve se iniciar o processo de recuperação”, diz ele.

Por ora, as salas de cinema, aponta Otoni, funcionarão apenas com 50% da capacidade. Há todo um preparo em relação às medidas de segurança, afirma ele, para que o retorno seja seguro. Ele vislumbra um aumento gradativo do movimento, de semana a semana, conforme o público for criando mais confiança.

Aliás, esse também é um dos desafios relacionados ao retorno de algumas atividades: se as pessoas realmente vão voltar a frequentar determinados locais e eventos antes da vacina contra a Covid-19.

O presidente do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau (BHC&VB), Jair Aguiar acredita que, sim, terá movimento. Ele usa como exemplo o fato de haver, atualmente, praias e shoppings cheios. Mesmo assim, salienta, está sendo realizado um trabalho de conscientização da população, evidenciando que a retomada do setor de eventos é algo seguro. “Estamos otimistas com o retorno”, diz.

Entretanto, destaca Aguiar, a medida de reabertura foi tardia e são necessárias outras ações para ajudar a recuperar as empresas do segmento. Para ele, o setor não foi tratado de maneira isonômica, uma vez que houve liberações de funcionamento piores, na concepção dele, como a dos shoppings populares. “Mas, pelo menos, a gente já tem uma programação”, pontua.

O presidente do BHC&VB ressalta que o setor passou por um período muito desafiador e ficou 100% paralisado. “Ainda não temos números, mas eles podem ser catastróficos. Como uma empresa vive oito meses sem faturamento?”, indaga.

Sesc Palladium prepara programação

No Sesc Palladium, segundo a gerente Priscilla D’Agostini, há um desejo muito grande de que os encontros voltem a ser presenciais. De acordo com ela, estão sendo tomadas todas as medidas de segurança necessárias para que isso ocorra.

Entretanto, afirma ela, as atividades do empreendimento não pararam em meio à pandemia e o local buscou se reinventar, diante dos impactos vivenciados pelo setor cultural como um todo.

“Desde o início da pandemia, nós temos nos voltado para a programação digital, com programações nas redes sociais e realizações de lives”, diz ela.

Agora, destaca, uma nova fase terá início. A programação de retomada está sendo avaliada para posterior divulgação. Inclusive, já existe uma exposição pronta para a inauguração, que vai contar a história da arte urbana de Belo Horizonte da última década.

“Eu acredito que a retomada vai ocorrer paulatinamente, até porque a nossa capacidade vai sofrer impacto. Quando o público perceber que estamos seguindo todos os protocolos de segurança, a tendência é que o movimento aumente”, salienta.