Comércio Minas-China: exportações avançam 8% e chegam a US$ 8 bi no primeiro semestre
As exportações de Minas Gerais para a China somaram US$ 8 bilhões no primeiro semestre de 2026, um avanço de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado consolida a China como o principal parceiro comercial do Estado e tem o minério de ferro como protagonista.
O “carro-chefe” da pauta mineira é responsável por 58% das exportações totais e movimentou US$ 4,63 bilhões entre janeiro e junho deste ano – alta de 5% frente ao mesmo período de 2025. Os dados foram disponibilizados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Depois do minério, o ferronióbio aparece como destaque de crescimento nos envios de Minas Gerais para a China: as exportações do produto somaram US$ 509 milhões no primeiro semestre, alta de 29,6% na comparação anual, o maior entre os principais itens exportados. O insumo, usado para aumentar a resistência de aços especiais, tem a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), sediada em Araxá, no Alto Paranaíba, como maior produtora mundial.
A carne bovina também sustentou expansão relevante. As vendas ao mercado chinês somaram US$ 372 milhões no mesmo período, um avanço de 17,5% em relação ao primeiro semestre de 2025.
Na direção oposta, a pasta química de madeira registrou queda de 30% nas exportações, com US$ 148 milhões movimentados no período. Este foi o pior desempenho entre os principais produtos da pauta mineira para a China, embora permaneça em volume relevante.
O analista de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Cristian Wallace, avalia que os resultados mostram que a China mantém posição central no comercio exterior mineiro. “O país asiático é o principal destino das exportações e também a principal origem das importações, concentrando 35% das vendas externas e 24% das compras internacionais”, destaca.
Um dos destaques do período é a manutenção do protagonismo das commodities na pauta exportadora. Segundo o analista, mais da metade de tudo o que Minas Gerais vende à China ainda é minério de ferro, o que reforça o mercado chinês como o principal comprador do setor mineral mineiro e mostra que a demanda do país asiático segue firme.
Ao mesmo tempo, Cristian Wallace chama atenção para novos produtos que ganharam espaço na lista de exportações, como o ferronióbio e a carne bovina, ambos em expansão. “No caso da carne, parte do resultado também é explicada por uma antecipação de envios para contemplar cotas de exportação”, explica.
A soja é outro item que colabora com o avanço de envios mineiros, com alta de 3,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. O especialista acrescenta que esse desempenho reforça a China como grande comprador da soja brasileira e reafirma a importância de manter essa segurança de mercado para as commodities mineiras.
Importações: compras de veículos chineses disparam chegam ao top 5 de 2026, já em 2º lugar
O avanço da China como fornecedora de Minas Gerais também aparece do lado das importações, que chegaram a US$ 2,44 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 9,8% frente a 2025. A alta foi puxada pelo mercado automotivo.
As compras de veículos de passageiros saltaram e o item passou a ocupar a segunda posição no ranking de produtos importados em 2026, um salto expressivo frente ao ano anterior, quando ainda não figurava entre os cinco principais itens.
O movimento é impulsionado pelos veículos híbridos plug-in, cujas importações somaram US$ 90 milhões no período, com alta de 76.713% na comparação anual, e pelos veículos elétricos, que totalizaram US$ 81 milhões, avanço de 3.421%.
Partes e acessórios de veículos automóveis também se destacaram no período, movimentando US$ 60,7 milhões em compras junto ao mercado chinês.
Segundo Cristian Wallace, o mercado de veículos está entre os maiores crescimentos percentuais dentre todos os produtos importados da China por Minas Gerais. “A gente percebe uma tendência de eletrificação das frotas. A China vem se consolidando como um importante player global da indústria automotiva, e o mercado mineiro acompanha esse avanço com atenção”, argumenta.
Ele destaca que a tendência é que Minas Gerais, por ser um polo automotivo forte, busque se posicionar de forma competitiva diante da crescente oferta de veículos chineses. “Esse movimento representa um desafio para a indústria instalada no Estado”, salienta.
Embora seja uma parceria relevante para o Estado, tanto em importação, quanto exportação, o analista ressalta a importância de diversificação de mercado, mesmo em um cenário de segurança e aparente estabilidade. “É importante estar atento a outros mercados para diversificar a demanda e reduzir a dependência da China. Assim, caso haja uma desaceleração da demanda chinesa, o Estado estará preparado para ampliar as exportações para novos destinos”, finaliza Cristian Wallace.
Ouça a rádio de Minas