A melhora na confiança do setor resulta, principalmente, do componente de expectativas | Crédito: Leandro MPerez

A confiança dos empresários industriais está cada vez maior e já se aproxima dos níveis verificados antes da pandemia da Covid-19. Isso é o que mostra o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), que atingiu 61,9 pontos em outubro, um aumento de 1,2 ponto na comparação com setembro (60,7 pontos). Trata-se do sexto avanço consecutivo. Os dados foram divulgados ontem pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Já na comparação com igual período do ano passado (59,8 pontos), o incremento foi de 2,1 pontos. O número está maior do que o da média histórica (51,8 pontos), registrando um crescimento de 10,1 pontos. Em fevereiro, antes de a pandemia avançar no País, o Icei marcou 63,9 pontos.

O Icei é fruto da ponderação dos índices de condições atuais e de expectativas, que vão de 0 pontos a 100 pontos.

Nesse cenário, o componente de condições atuais apresentou um aumento de 2,3 pontos em outubro (57 pontos) na comparação com setembro (54,7 pontos). Foi a segunda vez consecutiva que o componente ficou acima dos 50 pontos, evidenciando a percepção dos empresários de situação atual melhor tanto em relação à economia brasileira quanto em relação à economia mineira e aos seus próprios negócios. Quando comparado ao mesmo período do ano passado (52,7 pontos), também houve crescimento, de 4,3 pontos.

Já o componente de expectativas avançou pela sexta vez consecutiva. Em outubro, registrou 64,4 pontos, um aumento de 0,7 ponto em relação a setembro (63,7 pontos), mostrando que os empresários industriais estão otimistas em relação às economias de Minas Gerais, do Brasil e de suas empresas nos próximos seis meses. Na comparação com igual período do ano passado (63,3 pontos), o incremento foi de 1,1 ponto.

Nesse cenário, a gerente de economia da Fiemg, Daniela Muniz, diz que é preciso fazer uma ressalva no que diz respeito ao componente de expectativas: apesar do incremento, houve uma desaceleração em relação aos avanços registrados nos últimos cinco meses.

“Os dados estão realmente muito bons, a confiança cresceu bastante, principalmente em relação às expectativas e, tradicionalmente, o segundo semestre é mais aquecido para a indústria. O cenário é favorável para o setor, mas pode ser que estabilize, não necessariamente vai continuar a euforia”, avalia ela.

Essa certa estabilização pode ocorrer pelo menos por dois motivos principais, segundo Daniela Muniz. Um deles tem a ver com a base deprimida de antes por conta da crise sanitária muito forte, principalmente no segundo trimestre, e com a paralisação de algumas empresas. Depois, os empresários partiram de uma produção pequena para algo maior, o que acabou gerando euforia.

Além disso, explica a gerente de economia da Fiemg, hoje já existe uma preocupação dos industriais em relação ao período de transição dos auxílios do governo e em como ficarão o mercado de trabalho, a manutenção de renda e a demanda.