CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE

O índice de atividade da construção marcou 52,3 pontos em setembro, nível mais elevado em quase sete anos.

O número representa um aumento de 1,8 ponto em relação a agosto e uma segunda alta consecutiva, de acordo com os dados divulgados, na quinta-feira (14), pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) e Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

O economista e coordenador sindical do Sinduscon-MG, Daniel Furletti, afirma que a melhora do indicador se deve ao fato de, atualmente, o País estar vivenciando um contexto macroeconômico bem diferente de períodos anteriores. Para se ter uma ideia, de novembro de 2012 a julho de 2019, o índice de atividade da construção esteve abaixo dos 50 pontos, fronteira entre elevação e queda.

“Atualmente, temos taxas de juros mais baixas e a inflação está estável”, destaca Daniel Furletti. O economista lembra que essas condições propiciam mais investimentos, que afetam em cheio a indústria da construção civil, uma vez que eles passam pela construção de estradas, escolas, hospitais, entre outras diversas áreas. “Esses investimentos estão ocorrendo de maneira tímida, mas já estão começando”, frisa.

Além dos juros mais baixos e da inflação estável, o coordenador sindical do Sinduscon-MG cita também mais medidas que já têm contribuído para a melhora do setor e outras que deverão colaborar para o seu crescimento quando concretizadas.

“A lei da liberdade econômica tirou empecilhos que dificultam os negócios. Também já temos a reforma da Previdência aprovada e a perspectiva de que ela avance para os estados e municípios”, diz. “Há, ainda, outras reformas engatilhadas, como a tributária e a administrativa. Tudo isso dá um ambiente propício aos investimentos, e a construção civil está atrelada a isso”, destaca.

Em recuperação – Quando o assunto é o índice de atividade em relação à usual, houve um avanço de 0,8 ponto, passando dos 38,9 pontos registrados em agosto para 39,7 pontos em setembro. Em comparação ao mesmo período do ano passado, que registrou 32,2 pontos, o incremento foi de 7,5 pontos. Apesar de o índice ainda não ter atingindo os 50 pontos, Daniel Furletti ressalta que já existe um movimento de crescimento.

“Passamos por um período de crise. O setor de construção civil apresentou queda de 27% entre os anos de 2014 e 2018. A expectativa, agora, é de que as coisas vão melhorar”, diz ele.

Essas melhorias já têm sido vistas também nas ocupações no setor. O índice de evolução do número de empregados ultrapassou a fronteira dos 50 pontos em setembro, alcançando 52,6 pontos, o que representa um aumento de 3,1 pontos em comparação ao mês de agosto. Os números não passavam dos 50 pontos desde julho de 2014 até agosto de 2019. O avanço também pode ser visto quando se compara setembro deste ano com o mesmo período de 2018 (45,8 pontos), sendo ele de 6,8 pontos. Houve, ainda, expansão de 12,5 pontos nos noves meses de 2019.

“A indústria da construção civil é intensiva em mão de obra, e existem expectativas de que o segmento venha empregar ainda mais”, ressalta o economista e coordenador sindical do Sinduscon-MG.

Condições financeiras – Divulgados trimestralmente, os indicadores financeiros medem a satisfação dos empresários da construção em relação ao lucro operacional, situação financeira e condições de acesso ao crédito. Os 50 pontos são a fronteira que separam a satisfação da insatisfação.

O índice de satisfação com a margem de lucro operacional apresentou crescimento de 4,2 pontos entre o segundo trimestre (32,7 pontos) e o terceiro (36,9 pontos), o que significa que os empresários do segmento estão menos insatisfeitos com os seus lucros operacionais.

Já o índice de satisfação com a situação financeira apresentou crescimento de 4,6 pontos em relação ao segundo trimestre (38,1 pontos), chegando aos 42,7 pontos no terceiro trimestre, mostrando que os empresários estão menos insatisfeitos com a situação financeira de seus empreendimentos.

O índice que avalia as condições de acesso ao crédito, por sua vez, alcançou 37,1 pontos no terceiro trimestre, enquanto o anterior registrou 34,9 pontos. O aumento foi de 2,2 pontos.

Confiança se mantém em crescimento

O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais  (Iceicon-MG), “humor empresarial”, como ressalta o economista e coordenador sindical do Sinduscon-MG, Daniel Furletti, também tem apresentado bons números. Em outubro, o indicador atingiu 57,4 pontos, o que representa um crescimento de 2,3 pontos em relação a setembro, que registrou 55,1 pontos. Há seis meses, o indicador permanece acima dos 50 pontos.

Quando a comparação é feita com igual período do ano passado, quando o índice atingiu os 49,7 pontos, o incremento foi de 7,7 pontos. O economista e coordenador sindical do Sinduscon-MG volta a mencionar o cenário macroeconômico como motivador para que os números sigam mais promissores.