Economia

Vendas no varejo crescem no País com impulso de figurinhas da Copa do Mundo, enquanto Minas registra retração

Impulso das figurinhas da Copa ajudou a movimentar o varejo alimentar em maio, mas região que inclui Minas Gerais fechou o mês em queda
Vendas no varejo crescem no País com impulso de figurinhas da Copa do Mundo, enquanto Minas registra retração
Foto: Diário do Comércio/Daniel Rosa

A venda de produtos relacionados à Copa do Mundo de 2026 impulsionou o varejo alimentar brasileiro em maio, mas a região formada por Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo foi a única do País a registrar retração no período. Segundo dados do Radar Scanntech, o faturamento na região caiu 0,5% e o volume de unidades vendidas recuou 4,4% na comparação anual.

No cenário nacional, itens ligados ao torneio, como álbuns e figurinhas, fizeram a categoria de Jogos e Figurinhas crescer sete vezes em volume de vendas frente a maio do ano passado e responderam por 13,5% de todo o avanço registrado nas unidades comercializadas pelo setor. O movimento ajudou a sustentar o desempenho da cesta de Bazar, que registrou alta de 11,2% no faturamento e de 10% nas unidades vendidas.

Dessa forma, no resultado geral, o varejo alimentar manteve crescimento nominal de 1,6% em maio, mesmo percentual acumulado no ano. O avanço foi sustentado exclusivamente pelo aumento de 4,5% nos preços médios, já que o volume vendido recuou 2,8%.

Tradicionalmente a Copa estimula o consumo no País

De acordo com o gerente de pesquisas da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis da Universidade Federal de Minas Gerais (Ipead/UFMG), Eduardo Antunes, a Copa do Mundo tradicionalmente estimula o consumo, principalmente quando envolve a expectativa em torno da seleção brasileira.

“O time não está tão próximo do povo como já foi em outras épocas e o Brasil não chega como um dos grandes favoritos. Ainda assim, quanto mais a seleção avançar durante o evento, mais as pessoas ficam animadas para participar dos eventos ligados à Copa. Isso acaba impulsionando a economia, porque vitrines, produtos temáticos e diversos setores passam a incorporar esse ambiente”, afirma.

O pesquisador destaca que produtos associados à identidade visual da seleção, como camisas e itens nas cores verde e amarela, costumam ganhar espaço no consumo durante o período. “As camisas temáticas sempre estão entre os produtos mais consumidos durante a Copa. Existe uma relação muito forte entre o desempenho da seleção e a movimentação econômica. Se houver uma eliminação precoce, pode haver um desânimo geral e esses negócios ficarem mais tímidos em relação à Copa do Mundo”, comenta.

Expectativa para o torneio

A Scanntech avalia que o impacto da Copa pode se intensificar nos próximos meses. Conforme o levantamento, o fluxo de consumidores costuma crescer 8,3% nos dias que antecedem partidas de mundiais de futebol. Caso a seleção brasileira alcance a final, o potencial de crescimento das vendas gerais pode chegar a 8,6%.

O head de Inteligência de Mercado da Scanntech, Felipe Passarelli, afirma que a edição de 2026 apresenta características diferentes das anteriores. “A Copa de 2026 apresenta uma dinâmica distinta da edição anterior. Um torneio mais longo, com maior presença de jogos noturnos e um consumidor mais propenso a acompanhar as partidas em casa deve gerar novas ocasiões de consumo e abrir oportunidades relevantes para a indústria e o varejo”, observa.

Comportamento defensivo permanece

Apesar do impulso gerado pelos produtos relacionados ao Mundial, o comportamento do consumidor permaneceu defensivo. Os dados mostram redução de 2,7% no fluxo de clientes nas lojas e indicam uma busca maior por embalagens maiores, que cresceram 1% em participação, estratégia utilizada para diluir gastos.

Segundo Passarelli, a inflação dos produtos embalados desacelerou em maio. A cesta registrou alta de 0,17% frente a abril, enquanto a variação dos preços médios ficou em 0,40%.

Entre as cestas que mais contribuíram para o faturamento do varejo, além de Bazar, destacaram-se Perecíveis, com crescimento de 4,5%, e Mercearia, com alta de 1,7%. As maiores expansões foram observadas em legumes, que avançaram 20,3%, carnes bovinas in natura, com alta de 12,9%, energéticos, que cresceram 27,5%, e modificadores, com aumento de 10,2%.

Na direção oposta, a Mercearia Básica registrou queda de 8,6% no faturamento. O resultado foi influenciado pela retração de 5,4% nas unidades vendidas e pela redução dos preços de produtos como açúcar (-20,1%), arroz (-16,1%) e café (-14,1%).

Estoque e ruptura

O levantamento também aponta melhora na disponibilidade de produtos nas lojas. O índice de ruptura, situação em que o consumidor procura um item e não o encontra disponível, recuou 2,6 pontos percentuais em relação a maio de 2025. Os dias médios de estoque permaneceram estáveis em 44 dias. A cesta de Mercearia apresentou a maior melhora, reduzindo praticamente pela metade o índice de ruptura em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Por outro lado, a cesta de Perfumaria concentrou os maiores desafios operacionais, com aumento simultâneo da não-venda e do tempo médio de estoque, sinalizando dificuldades na execução e na gestão de produtos ao longo do mês.

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