Maioria dos belo-horizontinos vai assistir à Copa do Mundo em casa, aponta Ipead
Mais da metade dos moradores de Belo Horizonte pretende acompanhar a Copa do Mundo de 2026, com a maioria optando por assistir aos jogos em casa. É o que revela uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), vinculada à Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (Face/UFMG).
Segundo o levantamento, 68,02% dos belo-horizontinos planejam acompanhar o torneio. Entre eles, 58,33% pretendem assistir às partidas em casa, enquanto a televisão aberta aparece como o principal meio de transmissão, escolhida por 61,9% dos entrevistados.
Em geral, o interesse pelo evento é maior entre os homens. Enquanto 75,63% deles afirmaram que pretendem acompanhar a competição, entre as mulheres o percentual é de 60,94%.
Segundo o gerente de pesquisas do Ipead, Eduardo Antunes, o resultado já era esperado diante dos horários das partidas e dos hábitos de consumo observados em eventos anteriores. “A maioria vai assistir aos jogos em casa. Até pelos horários das partidas, mais no fim da tarde e à noite, isso era esperado”, afirma.
Ele destaca, no entanto, que a preferência pela residência não deve reduzir a movimentação em outros locais de encontro. “A procura por bares e restaurantes também deve ser bastante significativa. Uma coisa não exclui a outra. Dependendo do dia e do jogo, os encontros em bares e restaurantes são comuns para acompanhar a Copa do Mundo”, pontua.
TV por assinatura e plataformas digitais
Além da predominância da televisão aberta, a pesquisa identificou espaço relevante para outras plataformas. A TV por assinatura foi citada por 21% dos entrevistados, enquanto plataformas digitais, como serviços de streaming e canais de vídeo, foram mencionadas por cerca de 27%.
De acordo com Antunes, o desempenho da TV aberta está relacionado à facilidade de acesso ao conteúdo. “A TV aberta deve ser o meio mais utilizado para assistir aos jogos, até por não exigir pagamento para acompanhar as partidas”, explica.
O pesquisador observa, contudo, que as plataformas digitais vêm ganhando espaço não apenas para a transmissão dos jogos, mas também para o acompanhamento de notícias, análises e informações sobre as seleções durante a competição.
Comércio espera movimentação
Outro ponto abordado pelo estudo é o potencial impacto da Copa do Mundo sobre o comércio local. Entre os produtos relacionados ao torneio, as camisas aparecem como o item com maior intenção de compra, citadas por 48,21% dos entrevistados.
Para Antunes, a movimentação econômica tende a ser impulsionada tanto pelo consumo de produtos temáticos quanto pelo desempenho da seleção brasileira na competição. “As camisas, oficiais ou não, sempre aparecem como os itens mais consumidos no período. Existe uma relação muito forte entre o desempenho da seleção e o nível de movimentação econômica”, comenta.
Segundo ele, quanto mais longe o Brasil avançar no torneio, maior tende a ser o engajamento da população em eventos, confraternizações e compras relacionadas à Copa.
Percepção positiva da economia
A avaliação dos entrevistados sobre os efeitos econômicos do evento é majoritariamente favorável. Mais da metade da população (55,95%) acredita que a atividade econômica da Capital melhora um pouco durante a Copa. Considerando também aqueles que enxergam uma melhora significativa, mais de 80% percebem algum impacto positivo na economia da cidade.
“A percepção é bastante positiva. Mais de 80% dos entrevistados afirmaram que existe impacto econômico e que a economia melhora de alguma forma durante o evento”, afirma Antunes.
Empolgação é menor que em 2022
Questionados sobre o nível de empolgação em comparação com a última Copa do Mundo, 47,62% dos entrevistados disseram estar igualmente animados, enquanto 32,74% afirmaram estar menos animados.
Antunes ressalta que a comparação entre os dois momentos exige cautela. Segundo ele, a Copa de 2022 ocorreu em um contexto de retomada das atividades após a pandemia de Covid-19, o que influenciou o comportamento dos consumidores e a percepção econômica.
“São momentos muito distintos. Em 2022, estávamos saindo da pandemia, com uma retomada gradual das atividades econômicas. Hoje, o cenário é diferente, com as famílias ainda sentindo os reflexos de um período recente de inflação elevada”, explica. Apesar disso, ele avalia que a Copa continua sendo um dos eventos com maior capacidade de mobilização popular no País. “Sempre há uma grande expectativa em relação à participação da população na Copa do Mundo”, diz.
Expectativa moderada para a seleção
A pesquisa também revela cautela dos belo-horizontinos em relação ao desempenho da seleção brasileira na competição. O resultado mais citado foi a chegada às quartas de final, apontada por 29,17% dos entrevistados. Apenas 11,31% acreditam que o Brasil conquistará o título.
Segundo Antunes, o nível de envolvimento da população tende a crescer à medida que a seleção avança na competição. “Quanto mais a seleção brasileira avançar no torneio, mais isso tende a animar as pessoas e movimentar a economia. Uma eliminação precoce pode gerar desânimo e reduzir parte dessa movimentação”, avalia.
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