O BDMG criou um programa multissetorial de crédito para ajudar as micro e pequenas empresas impactadas pelo Covid-19 | Crédito: Charles Silva Duarte- Arquivo DC

Em maio, os desembolsos do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) bateram o recorde mensal e alcançaram R$ 62 milhões em crédito destinado às micro e pequenas empresas do Estado.

Com o valor mensal, os desembolsos do BDMG para as MPEs do Estado somaram R$ 155,6 milhões nos cinco primeiros meses do ano, alta de 101% quando comparado com o mesmo período do ano passado, quando o desembolso totalizou R$77,3 milhões.

Durante 2019, o BDMG destinou R$ 180 milhões às MPEs e, para 2020, a expectativa é desembolsar mais do que o dobro desse montante para o segmento. Os dados foram divulgados, ontem, durante pronunciamento do governo de Minas Gerais.

Ao todo, incluindo os variados segmentos e portes de empresas, os desembolsos do BDMG foram superiores a R$ 850 milhões no acumulado do ano até maio e já ultrapassaram R$ 1 bilhão entre janeiro e junho, conforme informações obtidas pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO.

De acordo com o diretor-presidente do BDMG, Sérgio Gusmão, o aumento significativo nos desembolsos é resultado do programa multissetorial anunciado pelo governador, Romeu Zema, e pelo BDMG, em 8 de abril. O programa de crédito tem o objetivo de auxiliar as micro e pequenas empresas que estão registrando perdas em função do isolamento social, imposto para o controle do novo coronavírus.

“Maio foi um recorde histórico tanto do ponto de vista de desembolso nominal em todas as faixas, setores e patamares, atingindo quase R$ 400 milhões. É também um recorde nominal para micro e pequenas empresas, onde os desembolsos somaram R$ 62 milhões em um único mês. Contabilizamos o fechamento de maio, com desembolso superando R$ 155 milhões nos primeiros cinco meses do ano, o que significa um aumento superior 100% quando comparado com o mesmo período do ano passado. São números bastante robustos e em linha com o propósito de um banco de desenvolvimento”, explicou Gusmão.

Ainda segundo Gusmão, buscando conciliar a gestão de risco com a enorme demanda que o BDMG recebe e a necessidade de trazer liquidez para as empresas que estão enfrentando um período desafiador, o banco pretende desembolsar, até o final de 2020, mais que o dobro dos R$ 155 milhões já liberados para as MPEs de Minas Gerais, o que será recorde.

“É importante ressaltar que as micro e pequenas empresas do Estado são responsáveis por aproximadamente 60% dos empregos gerados em Minas”.

Turismo – Durante o pronunciamento, também foi anunciado um aditivo de recursos, por meio do Ministério do Turismo a fim de ampliar a disponibilidade de recursos do Fundo Geral do Turismo (Fungetur). O recurso pode ser acessado por empresas de todos os portes do setor de turismo.

De acordo com Gusmão, o crédito é voltado para mais de 90 ramos da atividade, envolvendo bares, restaurantes, lanchonetes, transporte associado ao turismo e boa parte da cadeia da economia criativa. O aditivo é estimado em cerca de R$ 90 milhões.
Nos primeiros cinco meses de 2020, o BDMG desembolsou R$ 39,4 milhões
via Fungetur, mais de seis vezes o valor destinado no mesmo período do ano passado.

“Com esse aditivo, o BDMG tem disponível para conceder, ainda este ano, mais de R$ 112 milhões para a cadeia do turismo. É um volume de recursos bastante significativo”, disse Gusmão.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ressaltou que é uma preocupação do governo, desde o início da pandemia, não só salvar vidas, como salvar os empregos e empresas, que são responsáveis por diversos postos de trabalho.

“No último mês, o BDMG bateu o recorde de operações de crédito, chegando a quase R$ 400 milhões em recursos concedidos, principalmente, às micro, pequenas e médias empresas. Isso prova que o governo está preocupado em conceder crédito e estamos sempre juntos justos com o governo federal vendo o que é possível fazer para destravar os recursos que não tem chegado às empresas quando se diz respeito a instituições federais. Em Minas, temos feito o que está ao nosso alcance”.

Covid-19 – Durante o pronunciamento, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, expressou grande preocupação em relação ao aumento significativo dos casos de óbitos provocados pelo novo coronavírus no Estado. Zema ressaltou a necessidade do isolamento e pediu que os prefeitos fiscalizem e façam tudo que está ao alcance para evitar a disseminação do vírus.

“Eu faço um pedido a todos os mineiros e, principalmente, aos prefeitos, que façam tudo o que está ao seu alcance. Caso contrário, poderemos ter, infelizmente, alguma medida mais drástica em alguma região do Estado”, continuou Zema.

Mesmo sem citar municípios ou regiões, o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, não descartou a possibilidade de lockdown em Minas Gerais. “Temos chance, sim, de ter lockdown em algumas regiões e cidades específicas, se isso mostrar que podemos estar tendo descontrole da pandemia em alguma região específica”, disse.

Peac deve ser iniciado em julho

São Paulo – Um programa de garantia de empréstimos de bancos para micro, pequenas e médias empresas deve entrar em vigor em julho, disse ontem o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano.

Chamado de Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac), a ferramenta é uma tentativa do governo de fazer com que empreendedores impactados pelas medidas de quarentena contra o coronavírus tenham acesso a recursos para manter seus negócios, evitando demissões em massa.

“Estamos em conversa semanal com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) para colocar isso de pé…Deve começar a rodar no começo do mês que vem”, disse Montezano durante conferência online promovida pela XP.

Segundo ele, o Peac funciona como uma espécie de seguro a empréstimos concedidos por bancos comerciais para reembolsar as instituições financeiras em caso de inadimplência. O governo de Jair Bolsonaro tem sido criticado porque boa parte dos recursos para enfrentar a crise econômica gerada pelo coronavírus não está chegando a pequenas e médias empresas do País.

O Peac permite que para cada real perdido do empréstimo concedido ao pequeno e médio empresário, o Tesouro, via BNDES, reembolse R$ 0,80, explicou Montezano, acrescentando o programa começa com R$ 25 bilhões “e poderá chegar a R$ 80 bilhões se tiver uma boa performance”. Além disso, na carteira total do banco, o Tesouro garante os 20% da primeira perda.

“Muitas empresas hoje têm dificuldade de garantia, os bancos querem garantia, a empresa não tem para dar, então o Tesouro dá essa garantia, assumindo a perda se o crédito tiver algum problema”, disse Montezano.

No início do mês, o governo publicou medida provisória que viabilizou o Peac, ao autorizar a União a aumentar em até R$ 20 bilhões sua participação no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), administrado pelo BNDES.

Montezano disse também que o Peac poderá ser mantido após o fim da epidemia de Covid-19. “Isso chegou para ficar. Se tornou uma medida emergencial, mas se tornará perene depois da crise.” (Reuters)