Paralisação das atividades no início da pandemia contribuiu significativamente para avanço do desemprego | Crédito: Manoel Evandro

A taxa de desocupação em Minas Gerais atingiu 12,6% em setembro, o maior valor desde que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid-19, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), teve início, em maio deste ano.

No entanto, apesar de o nono mês de 2020 ter registrado 1,3 milhão de pessoas sem ocupação no Estado, os dados da entidade também mostram que estatisticamente há uma estabilidade nos números quando comparado a agosto (12,3%). Além disso, de maio a setembro, o Estado ficou abaixo da média nacional que, no último mês, apresentou taxa de desocupação de 14%.

Quando se compara a situação mineira com a de outros estados localizados na região Sudeste, Minas Gerais também registra uma taxa de desocupação menor. Quem ficou na primeira posição em setembro foi o Rio de Janeiro (16,1%). Logo após vêm São Paulo (14,5%) e Espírito Santo (12,9%).

De acordo com o analista do IBGE, Alexandre Veloso, os números atuais são o resultado de, pelo menos, dois movimentos distintos que vêm sendo verificados.

Primeiramente, explica ele, no início da pandemia, houve uma grande queda na quantidade de postos de trabalho. Posteriormente, a partir de julho, começou a haver a recuperação das vagas. No entanto, mais gente passou a procurar emprego – aliás, para ser considerado desocupado, precisa estar nessa situação.

“No início, havia mais perdas e menos pessoas procuravam emprego, ou porque estavam mais em isolamento social ou porque sabiam que seria difícil encontrar. Posteriormente, por mais que tenha havido retomada no número de pessoas ocupadas, também houve mais gente procurando emprego”, diz ele.

Nesse cenário, a queda na taxa de desocupação será verificada quando estabilizar o número de pessoas que estão procurando emprego e quando forem criados mais postos de trabalho.

Atualmente, o que se observa, segundo Veloso, é uma tendência firme de estabilização da taxa de desocupação, mas é preciso esperar mais dados para ver se a recuperação vai ocorrer, pois ela depende de alguns fatores.

“O setor de serviços, por exemplo, está demorando mais do que os outros a se recuperar, até pela sua própria característica. Outros que empregam menos estão se recuperando mais rapidamente. Quando serviços começarem a se recuperar, a tendência é que puxem a taxa de desocupação para baixo”, ressalta Veloso.

Auxílios – Os dados do IBGE também mostram que em setembro 40,8% dos domicílios do Estado continuaram a receber os auxílios do governo, criados por causa da pandemia da Covid-19. O número corresponde a 2,95 milhões de residências.

Entre os auxílios recebidos pela população, estão o Auxílio Emergencial e também a complementação do governo pelo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda. O número mostra estabilidade na comparação com agosto (40,7%).

“Sem esse dinheiro injetado na economia, a gente imagina que as consequências seriam piores. Foi cumprido o papel econômico de não deixar a economia esfriar e também o social”, destaca Veloso.