Crédito: Acom PMSGRA

Um prejuízo de R$ 230 mil por dia na arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) e do Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN). Os números, citados pelo prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo, cidade da região Central de Minas, Antônio Carlos Noronha Bicalho (PDT), são o resultado das paralisações que ocorreram no passado na Mina de Brucutu, localizada no município, a maior da Vale no Estado.

De acordo com ele, esse fato aumentou a atenção da cidade em relação à necessidade de diversificação da economia, já que, atualmente, a região depende 95% das receitas da mineração. Agora, projetos relacionados ao fomento do setor industrial e do agronegócio estão na mira do município.

Após o rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ordens judiciais interromperam e liberaram as atividades da Mina de Brucutu. Atualmente, o local funciona normalmente. Porém, o estado de alerta relacionado a não dependência da mineração, que emprega cerca de quatro mil pessoas direta e indiretamente na cidade, permanece.

“A diversificação é o melhor caminho para garantir as futuras gerações do município. Não podemos ‘colocar todos os ovos na mesma cumbuca’, pois, nesse caso, quando vem uma crise, impacta tudo”, salienta o prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo.

Investimentos – Uma das frentes de atuação da cidade atualmente está relacionada à atração de mais investimentos empresariais. Hoje, o município tem dois distritos industriais, com aproximadamente 20 organizações de segmentos diversos. O objetivo é que esse número cresça cada vez mais.

“Fazemos visitas a empresas, participamos de congressos, sempre apresentando as vantagens de se investir no município. A localização é um dos diferenciais apresentados por São Gonçalo do Rio Abaixo, já que ficamos a 85 km da capital mineira e a 110 km do Vale do Aço, além do fato de a BR-381 cortar o município”, diz ele, que acrescenta que a cidade oferece ainda outras vantagens, como às relacionadas ao pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Além disso, neste ano, também foi criado o programa Campo Fértil + Leite, um desdobramento do Campo Fértil. Este último já vem alcançando uma série de bons resultados por meio do desenvolvimento da população rural e o estímulo à produção agropecuária. Assistência técnica e visitas mensais fazem parte do projeto. “Essa é também uma das vocações do município. Não podemos nos esquecer do passado”, diz Antônio Carlos Noronha Bicalho (PDT).

Agora, com o Campo Fértil + Leite, embriões são doados aos produtores que já participam do Campo Fértil. A doação abrange a prestação de serviços de implantação e o acompanhamento dos animais até o nascimento. Com isso, espera-se intensificar a produtividade, fomentar a atividade na região e consequentemente também gerar renda.

Continuidade – Mesmo com mudanças na prefeitura, uma vez que novas eleições municipais serão realizadas no ano que vem, o prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo pontua que esse projeto de diversificação deverá ser mantido por todos.

“Acredito que essa política vai ser deixada para as futuras gerações, até porque quem não fizer isso vai jogar a cidade no buraco”, avalia ele, que acrescenta, ainda, que esse é um projeto de longo prazo, uma vez que não é possível diminuir a grande dependência que a cidade tem da mineração em tão pouco tempo.