Entre os dias 9 e 13 de dezembro, o saldo líquido negativo apurado foi de US$ 5,406 bilhões - Crédito: Marcello Casal Jr / Agência Brasil Usada em 19-11-19

São Paulo – A tentativa de alívio no mercado de câmbio não se sustentou, e o dólar voltou a fechar em alta ontem, depois de superar os R$ 4,20 pela primeira vez desde o começo de dezembro, com operadores ainda à espera de sinais mais concretos de melhora da economia e de retorno de ingressos de recursos.

No mercado à vista, o dólar subiu 0,15%, a R$ 4,1912 na venda. É o nível mais alto para um encerramento de sessão desde 4 de dezembro de 2019 (R$ 4,2023 na venda). Na máxima, a cotação foi a R$ 4,2020 na venda (+0,41%), depois de, mais cedo, cair a R$ 4,1604 na venda (-0,59%).

“O real está tendo uma piora significativa em relação aos pares, indo para o pior momento em muito tempo. Como posição em pré (prefixado) é mais difícil de zerar, as pessoas acabam comprando dólar”, disse Renato Botto, gestor sênior na Absolute Investimentos.
Os juros futuros de um dia negociados na B3 subiram forte na sessão. Luis Laudisio, operador da Renascença, citou expectativa de que o Tesouro Nacional faça ampla oferta de prefixados, especialmente com vencimento em 2031, o que acabou colaborando para aumento de prêmios na curva a termo.

O dólar sobe 4,44% ante o real neste ano, o que coloca a divisa brasileira na lanterna entre 33 rivais.

Analistas têm repetido que a taxa de câmbio tem sido pressionada neste começo de ano por sinais em série de perda de vigor da atividade econômica. O IBC-Br de novembro, divulgado ontem, até veio melhor que o esperado, mas o dado de outubro foi revisado para baixo, o que frustrou parte da leitura positiva do indicador.

Quanto menos ímpeto para a atividade, menor chance de retorno de fluxos de investimento estrangeiro, o que pega o País em um quadro de carência de fluxo cambial. No ano passado, mais de US$ 44 bilhões deixaram o Brasil, em termos líquidos, considerando o movimento de câmbio contratado. Foi o pior desempenho anual da história.

“Estou zerado”, disse o profissional de uma grande gestora em São Paulo, explicando posição mais defensiva de um começo de ano mais fraco para os mercados domésticos.
A recuperação do dólar ante o real na sessão também foi alavancada pelo exterior, onde a moeda dos EUA também ganhava terreno depois de firmes dados da economia norte-americana. (Reuters)