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Efeito China leva preço do minério a despencar

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Cotação do insumo siderúrgico ficou abaixo de US$ 100 a tonelada no mercado internacional | Crédito: REUTERS/Muyu Xu

De escalada de preços no decorrer do ano passado para desaceleração nos últimos meses. Este tem sido o comportamento da cotação do minério de ferro no mercado internacional. Ontem, o insumo siderúrgico despencou abaixo dos US$ 100 a tonelada, pela primeira vez em mais de um ano, sendo comercializado na casa dos US$ 90. Em maio deste ano, a commodity chegou a valer mais de US$ 237. Desde então, a queda acumulada é de mais de 60%.

Especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO explicam que uma série de fatores tem ocasionado a desaceleração dos preços. O próprio movimento do governo chinês para derrubada dos preços, a partir da redução da produção de aço, seja para controlar a inflação ou até mesmo conter as emissões de carbono na atmosfera; a retomada econômica de países compradores aquém do esperado; e, mais recentemente, a crise da incorporadora Evergrande e uma consequente desaceleração da economia do gigante asiático, estão entre os motivos para oscilações na cotação – no curto e no médio prazos.

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“Estamos numa tempestade perfeita…vai passar”, resume o analista de investimentos da Mirae Asset Wealth, Pedro Galdi. Segundo ele, no curto prazo ainda haverá pressão nos preços do insumo siderúrgico, embora ainda possa ocorrer uma queda pontual, diante do cenário. “Um patamar entre US$ 100 e US$ 120 a tonelada seria o mais racional”, diz o especialista.

Galdi lembra que o governo chinês está iniciando uma mudança de postura em relação à poluição no País, reduzindo as emissões de CO2 por meio da diminuição das atividades siderúrgicas, o que já vinha afetando os preços. Agora com o caso da Evergrande e o risco de calote, os efeitos negativos são ainda maiores.

“Como se trata da maior construtora da China, acaba impactando toda a cadeia do aço e empurra os preços do aço e minério de ferro para baixo. Acredito que o governo não vai deixar a empresa quebrar, pois é muito importante, gera muitos empregos e tem um papel importante na sociedade local. Mas creio que esta queda no preço do minério de ferro, bem como de outras commodities, vai pressionar a balança comercial, não só de Minas Gerais, mas do Brasil“, avalia.

O sócio da Monte Bravo, Rodrigo Franchini, explica justamente a diferença do impacto nos preços por questões de curto prazo e de maneira pontual – como o caso Evergrande – e por fatores estruturais e no médio prazo – em função de uma menor demanda. “São fatores diferentes que estão influenciando não apenas no preço da commodity, mas também nas ações das empresas de minério de ferro”, diz.

Em relação ao futuro, ele acredita que daqui para frente deve haver ajuste nos preços e empresas do setor, precificando melhor no mercado. “Essa crise da Evergrande vai afetar o setor imobiliário chinês e a própria economia daquele país. Consequentemente, a demanda por insumos da construção (incluindo o minério) também. Mas, obviamente o governo vai tentar ajustar esse nível de default e não vai deixar estourar, fazendo com que o mercado se acalme no médio e longo prazos”, completa.

Procurado, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) informou que “sempre acompanha as evoluções nos preços das commodities, mas não dispõe ainda de uma análise detalhada deste cenário para emissão de previsões”.

Efeitos da Evergrande no mercado 

O analista da Terra Investimentos, Regis Chinchila, explica que uma possível falência da Evergrande poderia causar um efeito em cascata não apenas na China, mas no mercado financeiro como um todo. No caso do Brasil, conforme ele, as consequências estariam relacionadas à desaceleração econômica que provocaria no gigante asiático, haja vista a relação comercial entre os países, principalmente de commodities (minério, aço e proteína animal).

A situação é grave e pode gerar um efeito em cascata. Mas nossa expectativa é que isso seja resolvido, que o governo tome as rédeas da situação, comprando as dívidas e assumindo o controle da empresa. Já especificamente as balanças comerciais brasileira e mineira podem ser afetadas na medida que a crise se acentue e impacte a demanda por minério de ferro”, afirma.

Por fim, a especialista em ações da Clear Corretora, Pietra Guerra, chama atenção para a importância da incorporadora no mercado chinês por ser uma das maiores empresas de um setor que é responsável por 1/4 do Produto Interno Bruto (PIB) de uma das maiores economias do mundo. Ela concorda que os efeitos poderão ocorrer em cascata e em diversos setores, inclusive o financeiro e o minerário. Sobre o Brasil, alerta que os impactos ocorrerão no sentido de aversão ao risco.

Exportações recuam em setembro

Rio – As exportações de minério de ferro do Brasil desaceleraram em setembro e registraram média diária de 1,346 milhão de toneladas no acumulado do mês até a terceira semana, contra 1,714 milhão de toneladas na primeira semana, apontaram dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados ontem.

O recuo nas vendas externas da commodity, que haviam registrado em agosto o maior volume em 11 meses, ocorre em meio a restrições na produção de aço na China, que estão pressionando os preços da commodity.

Em setembro de 2020 completo, as exportações de minério de ferro somaram média de 1,784 milhão de toneladas diárias.

Até a terceira semana, o valor do minério do Brasil embarcado foi em média de 124,2 dólares por tonelada, ante US$ 163,3 por tonelada em agosto. O valor, no entanto, permanece bem maior que o registrado em setembro de 2020, de US$ 82,9 por tonelada.

Até a terceira semana, as exportações de minério somaram um total de 16,147 milhões de toneladas, contra 37,472 milhões de toneladas em todo o mês de setembro de 2020. Em receitas, os embarques somaram US$ 2 bilhões, versus US$ 3,108 bilhões na mesma base de comparação.

O recuo das vendas externas vem em um momento em que a Vale, principal exportadora do Brasil e uma das maiores produtoras globais, reduziu a previsão de capacidade produtiva de minério de ferro para o fim de 2022, que atingirá agora 370 milhões de toneladas, contra 400 milhões previstas anteriormente.

Conforme uma apresentação feita a investidores neste mês, a mudança de previsão se deve a atrasos em projetos, incluindo no Sistema Norte, onde está sua principal mina. Atualmente, a capacidade é de 335 milhões de toneladas. (Reuters)

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