Os sistemas de energia solar se proliferam com a incorporação do compromisso ambiental | Crédito: Divulgação

Economia circular vai muito além do que práticas de reciclagem e logística reversa, envolvendo a atuação consciente dos diferentes agentes da sociedade sob os pontos de vista econômico e ambiental.

No caso das empresas, dos sistemas de energia solar, ao reaproveitamento de efluentes, passando pela reutilização de água e orientações sobre coleta seletiva, as práticas visam sempre à redução do desperdício, o aumento da eficiência e a gestão responsável dos recursos naturais.

No Brasil e em Minas Gerais o movimento tem se tornado crescente e muitas empresas já têm o compromisso ambiental incorporado aos processos produtivos e à rotina dos trabalhadores. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 76,4% das indústrias do País desenvolvem algum tipo de economia circular, por meio de ações que visam o aumento da vida útil de produtos e materiais a partir do uso mais eficiente de recursos naturais.

No Estado, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) vem trabalhando na disseminação e conscientização das empresas quanto à economia circular desde 2009, pelo Programa Mineiro de Simbiose Industrial, envolvendo 760 indústrias nos processos de transição.

Agora, a entidade desenvolve o Programa Economia Circular, visando a complementação das indústrias e a criação de oportunidades de negócios coletivos dentro dos distritos industriais e em suas áreas de influência nas diversas regiões de Minas Gerais.

De acordo com o analista ambiental e coordenador da agenda de Economia Circular da Fiemg, Guilherme Zanforlin, em parceria com universidades e associações industriais, a Federação identifica oportunidades de recuperação e reuso de recursos entre as empresas e os diversos ciclos existentes nas regiões e propõe negócios e cooperações entre as empresas.

“Promover este reaproveitamento de resíduos gerados no processo produtivo auxilia na redução de impactos ambientais e de custos operacionais, ao mesmo tempo que gera ganhos econômicos e ambientais, aumentando a competitividade das indústrias e proporcionando um ambiente mais sustentável”, explicou.

Tudo isso, segundo ele, em consonância com os desafios mundiais e a agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), já que o programa de Economia Circular alinha ações desenvolvidas a oportunidades de negócios.

O projeto-piloto foi realizado nos distritos industriais de Sete Lagoas, na região Central, e uma primeira aplicação na cidade de Uberaba, no Triângulo. Agora o programa partirá para o restante do Estado e será realizado concomitantemente em todas as regiões, em três etapas: sensibilização (mobilização das empresas e atores e capacitação dos colaboradores), análise dos recursos e possíveis sinergias (identificação de recursos e mapeamento e proposição de oportunidades de negócios ambientais), e planos de negócios coletivos (estruturação de negócios ambientais nos distritos e áreas de influência).

“Vamos trabalhar principalmente com as grandes indústrias em cada região de Minas Gerais, porque elas movimentam todas as cadeias. Em virtude das medidas de distanciamento social por causa da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o trabalho vai ser iniciado de maneira virtual, com reuniões com os tomadores de decisões já no próximo mês”, afirmou.

Zanforlin explicou que o programa é uma evolução do Programa Mineiro de Simbiose Industrial, que permitiu a negociação de diversos tipos de materiais como água, vapor, energia elétrica, resíduos orgânicos, plástico, vidro e metais. Desde então, foram recuperadas cerca de 140 mil toneladas de resíduos que antes iriam para aterro sanitário; 200 mil toneladas de recursos naturais virgens deixaram de ser utilizados; 90 mil toneladas de carbono deixaram de ser emitidas, e mais de 13 milhões de metros cúbicos de água foram reutilizados. Além disso, a reciclagem dos materiais resultou na redução de R$ 8,7 milhões em custos para as empresas participantes.

Poder público – O analista da Fiemg explicou ainda que, para que haja uma transição entre o modelo de economia linear para o circular, o poder público tem se comprometido em criar estratégias que estimulem as indústrias a adotarem essa postura.

“Podemos citar a adequação do sistema tributário para que haja um ambiente de negócio que favoreça a aceleração dessa transição. Outro ponto é o incentivo da realização das compras públicas sustentáveis, ou seja, o preço não será mais o único critério competitivo em uma licitação”, disse.

Ele exemplificou, por fim, que há políticas estruturantes com resultados ambientais bastante significativos. Na esfera federal, o Ministério do Meio Ambiente conta com o programa de erradicação dos lixões, que permite criar um ambiente favorável para que empresas invistam em usinas de tratamento de resíduos. “No governo do estadual, temos o estímulo à produção de energia fotovoltaica, tendo em vista o potencial energético que Minas Gerais tem”, finalizou.