Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

De janeiro ao fim de abril, 60.515 profissionais se formalizaram como microempreendedores individuais (MEIs) em Minas Gerais, chegando a um total de 1.133.681 em todo o Estado.

Os dados são do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Minas). Em abril do ano passado, eram 953.168 MEIs, o que representa um crescimento de 18,9% no período de um ano.

O Sebrae também divulgou que, na semana passada, o Brasil atingiu a marca de 10 milhões de MEIs.

A analista do Sebrae Minas Laurana Viana destaca que o número de formalizações tende a aumentar, mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Primeiramente, diz ela, existe o fato de que, quando os postos formais de trabalho diminuem, geralmente há um crescimento no número de microempreendedores individuais.

“A tendência é, quando as pessoas não conseguem voltar para um emprego com carteira assinada, elas pegarem o conhecimento que têm, adquirido em uma atividade anterior, pegarem a vocação, e, para não ficarem sem contribuir com o INSS e sem renda, se formalizarem”, afirma.

Além disso, as medidas de distanciamento social adotadas como forma de combate ao novo coronavírus (Covid-19) também têm feito com que os trabalhadores apostem em novos negócios, sobretudo voltados para a área de alimentação.

“Tem pessoas identificando oportunidades de trabalho e de mercado e abrindo empresas para atender as necessidades atuais, principalmente no setor de alimentos”, relata Laurana.

Muitas vezes, diz ela, são indivíduos que já comercializavam produtos em pequenas feiras de rua, por exemplo, e que hoje apostam em fazerem as vendas e entregarem em casa. “Esse segmento não estagnou”, relata ela. “É uma necessidade básica do ser humano”, salienta.

Baixa – Por outro lado, pode haver também uma diminuição de microempreendedores em determinados segmentos. Laurana Viana relata que existe um grande número de pessoas que são formalizadas em atividades ligadas a salão de beleza (como cabeleireiro, manicure e pedicure) e ao comércio varejista de roupas. “São dois setores que tiveram quedas”, frisa.

Isso não quer dizer, porém, que todos esses que estão sem poder atuar neste momento cancelarão seu Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) por agora. Laurana lembra que houve uma prorrogação no pagamento dos tributos dos MEIs. O pagamento que deveria ser realizado em abril, por exemplo, agora vencerá em outubro. Isso pode auxiliar as pessoas a manterem suas microempresas ativas.

Diferencial – Laurana Viana lembra ainda que é importante que os microempreendedores busquem ajuda, inclusive do Sebrae, para que não sejam apenas mais um no mercado. Ela destaca que é necessário abrir uma empresa que tenha certa regularidade. A mesma busca por auxílio deve ser feita por aqueles que estão querendo fechar as portas.

“Deve-se avaliar se essa é a única alternativa ou se dá para desenhar outro cenário”, ressalta a analista do Sebrae Minas.