Economia

Expo Favela Minas 2026 é lançada com expectativa de crescimento no volume de negócios

Evento prevê crescimento em participantes e negócios, amplia protagonismo feminino e inicia jornada de capacitação até o fim de maio em Belo Horizonte
Expo Favela Minas 2026 é lançada com expectativa de crescimento no volume de negócios
Foto: Ana Luisa Sales | Diário do Comércio

A Expo Favela Minas 2026 foi oficialmente lançada nesta terça-feira (5), em Belo Horizonte, com a proposta de ampliar a conexão entre empreendedores de favelas e o mercado formal. O evento, marcado para os dias 29 e 30 de maio, no Sebrae Minas, inicia uma nova edição com expectativa de crescimento no número de participantes e no volume de negócios gerados. No ano passado, o evento movimentou mais de R$ 6 milhões em negócios e reuniu mais de 6 mil pessoas.

Com vozes diversas, a abertura reuniu representantes de instituições, lideranças comunitárias e empreendedores. A iniciativa reforça a posição da capital mineira como um dos polos do empreendedorismo periférico no País, com programação voltada à geração de renda, capacitação e visibilidade para negócios desenvolvidos em vilas e favelas.

Trajetórias que se transformam em rede

No lançamento da Expo Favela 2026, foi possível ver o impacto contínuo da iniciativa. A trajetória da presidente e assistente social da ONG Dignidade para Todos, Ana Paula Vieira, sintetiza o efeito multiplicador do projeto. Ela participou da Expo Favela como visitante em 2023, foi selecionada em 2024 e, nesta edição, atuou na mobilização de novos empreendedores.

“Eu tive a oportunidade de estar como visitante na Expo Favela em 2023. Em 2024, eu fui selecionada, e trouxe um projeto da ONG Dignidade para Todos. E agora, em 2026, eu tive a oportunidade de motivar vários empreendedores”, afirma.

Segundo ela, o trabalho resultou na inscrição de 57 pessoas, com 14 selecionados para a edição deste ano. Desse grupo, nove são de Barão de Cocais, além de representantes de Belo Horizonte, Contagem, João Monlevade, Rio Piracicaba e Vespasiano.

“Eu acho que a Expo Favela amplia as oportunidades. É uma chance de ganhar visibilidade e de levar as iniciativas para um próximo nível. É o crescimento, é acreditar em si mesmo, é fazer acontecer”, diz. Assim como o caso de Ana Paula, vários outros participantes foram impactados pelo movimento e, agora, atuam na formação de redes locais de incentivo ao empreendedorismo.

Perfil e expansão

A presidente da Central Única das Favelas Minas (Cufa-MG) e diretora da Expo Favela, Marciele Delduque, afirma que a edição de 2026 já apresenta indicadores de expansão. “A Expo Favela já começa com um número histórico. Mais de 80% dos empreendedores são mulheres, então a gente está pavimentando cada vez mais o empreendedorismo feminino aqui em Minas Gerais”, diz.

A organização prevê aumento no número de empreendedores participantes em relação ao ano anterior, além de crescimento na geração de negócios. “A expectativa é muito alta. Esse ano vamos trabalhar com um número um pouco maior do que no ano passado de empreendedores hospedados aqui nessa edição. Então, automaticamente essa transacionalidade, com certeza, ela vai superar a última edição”, afirma.

Antes do evento principal, os participantes passam por uma jornada de capacitação iniciada no lançamento e que se estende até o fim de maio. “A partir do momento que eles adquirem mais conhecimento, conseguem ampliar a mentalidade e aumentar as suas conexões. Dessa forma, aumentam as potencialidades sobre os negócios”, diz.

Estratégia de desenvolvimento

Para o Sebrae Minas, o evento se insere em uma estratégia de estímulo à economia local em territórios de menor dinamismo econômico. A gerente de Comércio, Indústria e Serviços do Sebrae Minas, Márcia Machado, afirma que a proposta está alinhada ao fortalecimento de pequenos negócios. “A Expo Favela vem em um momento extremamente importante, em que a gente estimula a geração de negócios por meio do empreendedorismo”, diz.

Segundo ela, o impacto econômico das comunidades é expressivo e ainda pouco explorado em termos de formalização e retenção de renda. “São bilhões de reais a cada ano que se movimentam nessas comunidades e nosso objetivo é captar e reter receitas por meio do comportamento empreendedor”, afirma.

Dessa forma, a ação conjunta com a Cufa-MG busca transformar iniciativas informais em negócios estruturados. “Por meio das vocações, por meio de suas habilidades, esses empreendedores podem mesmo dentro de casa começar o seu empreendimento informalmente para depois ele conseguir essa formalização”, explica.

Programação

A edição de 2026 mantém a estrutura das edições anteriores, com feira de expositores, conferências, rodadas de negócios e apresentações culturais. A proposta é integrar empreendedorismo, inovação e cultura periférica em um mesmo ambiente.

Em 2025, o evento registrou recorde de público, seleção de mais de 50 empreendedores mineiros para a etapa nacional e esgotamento antecipado de ingressos, além da ampliação de debates sobre temas como inteligência artificial, economia circular e educação financeira nas periferias. A nova edição busca ampliar esse alcance, com foco na inserção de negócios periféricos em cadeias produtivas mais amplas e no acesso a investimento, mercado e capacitação.

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