Levantamento do Sebrae Minas aponta que, entre as empresas que tentaram contratar crédito, 58% tiverem os pedidos negados | CREDITO: ALISSON J. SILVA Usada em 04-05-20

As micro e pequenas empresas de Minas Gerais continuam registrando prejuízos com as medidas de distanciamento social impostas para o controle do Covid-19, que provocaram o fechamento de diversas atividades consideradas não essenciais.

Com as atividades comprometidas, 83,4% das empresas apontam queda no faturamento, de acordo com a 5ª edição do estudo “O impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios”, elaborado entre os dias 25 e 30 de junho pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas).

Em relação à pesquisa anterior, o índice de empresas que registraram recuo no faturamento ficou um pouco menor, uma vez que, na quarta edição da pesquisa, o índice estava em 85,5%.

No período, 5,4% das empresas mantiveram o faturamento estável e apenas 6,6% tiveram incremento. Entre as empresas que apresentaram alta na receita, 43% passaram a vender mais on-line, 38% informaram que passaram a fazer delivery e 33% atuam em segmentos essenciais.

O analista do Sebrae Minas Breno Fernandes explica que a queda no faturamento está diretamente ligada ao isolamento social.

“Com a interrupção ou redução das atividades, o faturamento foi muito afetado. Além disso, mesmo o comércio que está aberto, a demanda está menor em função das incertezas, aumento do desemprego e queda da renda das famílias, o que faz com que o consumidor limite as compras a itens essenciais. Até mesmo as empresas que já comercializavam e tinham estrutura on-line, em alguns segmentos, como vestuário, por exemplo, não conseguem manter as vendas nos mesmos níveis, já que o consumidor gosta de experimentar. As compras por impulso também foram reduzidas”, avalia.

Demissões – Com a queda no faturamento e o prolongamento dos decretos que mantêm várias atividades suspensas ou com funcionamento limitado, as demissões continuam. A pesquisa mostrou que 11% dos empresários ouvidos demitiram nos últimos 30 dias, 29% mantiveram o quadro de colaboradores e 60% não têm funcionários.

“O período de quarentena vem se prolongando e isso compromete ainda mais a situação das empresas. O empresário que iniciou o período de quarentena com uma reserva para capital de giro e continua sem faturar perde a capacidade de quitar os custos fixos, que incluem os salários. Mesmo com as medidas anunciadas pelo governo federal – como redução da jornada e dos salários e suspensão do contrato de trabalho – a situação vai se agravando sem o faturamento, e a saída é cortar os custos fixos”, explica Fernandes.

A pesquisa mostrou ainda que, em Minas Gerais, apenas 30% das empresas informaram que estão em processo de reabertura e 64% dos respondentes estão em sistema de quarentena. Com o prolongamento do isolamento social, 2% das empresas, de um universo de 1,9 milhão de empresas, já fecharam as atividades em definitivo.

Com a redução do faturamento e custos para pagar, as empresas têm recorrido ao crédito, porém, o acesso ao mesmo continua limitado. Mesmo com as linhas especiais lançadas pelo governo federal para auxiliar as empresas a passarem por este momento de crise, as exigências feitas pelas instituições bancárias que administram os recursos impedem que muitos empresários consigam obter a aprovação do pedido de financiamento.

Dificuldade de crédito – A pesquisa do Sebrae Minas mostrou que 42% das empresas entrevistadas solicitaram algum tipo de crédito. Deste volume, 58% tiveram o pedido negado. Outras 22% estão aguardando a resposta dos pedidos e somente 20% conseguiram acesso aos recursos.

Em relação às dívidas, a pesquisa apontou que 39% das empresas possuem dívidas e empréstimos em atraso, 33% não têm dívidas e nem empréstimos e 40% têm dívida ou empréstimo e estão em dia com o pagamento.

Com todas as incertezas em relação ao controle da pandemia e aos impactos econômicos, os empresários acreditam que a retomada dos consumidores aos comércios será lenta quando a reabertura for permitida. De acordo com a pesquisa, para 63% dos empresários, somente após 90 dias do começo do relaxamento das medidas de isolamento é que 50% dos consumidores voltarão a frequentar os estabelecimentos.