Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC Loja Skala - 18/06/10

O ano de 2020 nem começou, mas a preocupação com os feriados prolongados já tem permeado o comércio. No próximo ano, nada menos do que nove feriados emendáveis vão marcar o calendário a nível nacional.

O número é praticamente o dobro deste ano – que registrou cinco – e pode gerar um prejuízo de aproximadamente R$ 720 milhões ao setor no Estado, de acordo com o economista da Federação das Câmaras Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), Vinícius Carlos.

O superintendente da Associação de Lojistas de Shopping Centers de Minas Gerais (AloShopping), Alexandre França, por sua vez, afirma que o segmento chega a registrar cerca de 50% a menos de vendas em um dia de feriado.

Quando eles são prolongados, a situação complica ainda mais, já que não se “perde” apenas um dia de comercialização, mas vários. “Se cai na quinta, por exemplo, o movimento fica bastante fraco também na sexta, no sábado e no domingo, pois muitas pessoas costumam sair do Estado”, ressalta.

O município de Belo Horizonte, aliás, favorece bastante esse cenário, de acordo com Alexandre França. Por não ser uma cidade turística, diz ele, já começa a esvaziar nas vésperas do feriado, o que traz impactos significativos.

Ação inédita – Diante desse quadro, o setor tem pensado em várias situações para contornar os efeitos negativos dos dias de folga. O superintendente do Aloshopping afirma que uma ação inédita está sendo idealizada para o ano que vem em Belo Horizonte com o intuito de estimular o consumo das pessoas na Capital e até de trazer gente do interior para fazer compras.

“Pretendemos trabalhar promoções para o período de feriado. Estamos fazendo alguns estudos para implementá-las. Mesmo se dermos grandes descontos, a ação pode ser lucrativa. Nos feriados, independentemente de o horário de funcionamento das lojas dos shoppings ser igual ao de domingo e haver um turno só para os funcionários, há todo o custo para abrir o local, tem o pagamento dos colaboradores, e o movimento é fraco”, diz.

De acordo com ele, a ideia é mudar a cultura na capital mineira de modo que as pessoas entendam que vale a pena comprar no feriado. “Vamos investir em uma ampla e antecipada comunicação”, afirma.

Mudanças – A certeza de que se tem que fazer alguma coisa em relação ao assunto, porém, não é de hoje, conforme destaca o economista da FCDL-MG. E Minas Gerais, segundo ele, já tem mudado bastante a forma como encara os feriados e as vendas nesse período. “O Estado aprendeu, colocou vários atrativos temáticos para os feriados”, diz ele, que cita como exemplo o crescimento do Carnaval na capital mineira.

Além disso, Vinícius Carlos frisa que outra atitude recomendada é antecipar as oportunidades vindas dos feriados para, assim, maximizar as vendas antes da data em si. Uma loja pode aproveitar as comemorações relativas ao dia 7ª de setembro, por exemplo, para fazer vitrines temáticas e vender produtos como a camisa do Brasil, exemplifica o profissional.

Projeção – Uma análise feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), no começo deste ano, projetou um impacto de R$ 670 milhões no varejo do Estado graças aos feriados.

No entanto, apesar de muitos terem sentido os reflexos das datas comemorativas no decorrer de 2019, outros conviveram bem com elas. Sócio da Divinos Calçados, Rodrigo Almeida afirma que, muitas vezes, quando as lojas são abertas nos feriados, o movimento pode ser bom.

“Acho que essa questão varia muito de acordo com o bairro e a cidade onde estão as lojas. Precisamos arcar com as despesas que são exigidas, mas há movimento também. Fazemos um trabalho de divulgação acerca da abertura da loja no dia de feriado e muitas vezes realizamos ações promocionais. A gente costuma obter bons resultados”, destaca.