Mudança na jornada de trabalho pode encarecer produtos e reduzir empregos, diz Fiemg
Após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados ter aprovado, nessa quarta-feira (22), relatório em favor de duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que tratam da extinção da escala trabalhista 6×1 (seis dias de jornada e um dia de descanso), a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) afirmou, nesta quinta-feira (23), que a mudança representará um impacto financeiro equivalente a 16% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 10 anos, com perda de 18 milhões de postos de trabalho, e que a “conta” da alteração na legislação será paga pela sociedade.
“Teremos um impacto sério e quem paga, pois vai custar mais caro, somos nós, a sociedade. Como? Com o aumento de custo, de preço, nos produtos primários, desde a padaria, o pãozinho, o supermercado, o restaurante. Para suprir esse estrangulamento com relação à jornada, o brasileiro vai pagar a conta, infelizmente”, declara a superintendente da Fiemg, Érika Morreale, durante o evento Imersão Indústria, que ocorre nesta quinta e sexta-feira, em Belo Horizonte (saiba mais abaixo).
De acordo com a gestora, a aprovação do fim da escala 6×1 é “temerária” também porque tem ocorrido sem a participação social. “O fim da escala 6×1 (ocorre) sem o amplo debate social. É isso que a gente propõe aqui. O diálogo social, aberto. A gente teme muito pela aprovação deste projeto, da temática ir avante, porque a gente entende que não houve, de fato, um debate amplo envolvendo as consequências para a sociedade. Fizemos a medição do impacto econômico. A gente tem uma probabilidade de impacto de 16% do PIB brasileiro. É algo muito elevado. É uma mudança abrupta. Tememos por uma redução de postos de trabalho de 18 milhões no Brasil”, diz Érika Morreale.
Segundo ela, uma alternativa ao fim da escala 6×1 já existe e está prevista na legislação, que é a negociação coletiva. “Já é um instrumento utilizado em mais de 190 países na temática jornada. O Brasil faz parte disso. Já existe uma regulamentação sólida desde a Constituição Federal de 1988, convalidada repetidas vezes pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Então, do ponto de vista do arcabouço jurídico, não há necessidade alguma da gente atropelar esse processo negocial tão válido, tão rico, que parte de uma relação entre empresa, sindicatos empresariais e de trabalhadores”, completa.
Evento da Fiemg debate desafios estruturais do Brasil em BH

Considerado o maior evento da indústria mineira, o Imersão Indústria é um ciclo de palestras e de espaços de experimentação de marcas que, segundo a Fiemg, oferece a discussão sobre temas como gestão, energia, meio ambiente e inovação, além de networking com líderes, empresas e profissionais, coworking e ambientes colaborativos.
Em sua oitava edição, o evento ocorre nesta quinta (23) e nesta sexta-feira (24), com programação (veja aqui) que inclui o economista Ricardo Amorim, o comentarista político e econômico Caio Coppolla, a jornalista e escritora Fabiana Bertotti e o cientista político e professor de Relações Internacionais Heni Ozi Cukier, o “Professor HOC”.
O Imersão Indústria é realizado pelo Sistema Fiemg, com correalização da Confederação Nacional da Indústria (CNI), no piso Ouro Preto (3º andar) do BH Shopping (rodovia BR-356, 3.049, bairro Belvedere), na região Centro-Sul da Capital.

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