Setor de transportes rodoviários de cargas diz que reajuste da tabela do frete mínimo ajuda, mas não resolve problemas

ANTT aumentou o valor mínimo do frete para R$ 7,33 com base no preço atual do litro do diesel; norma já está em vigor
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Setor de transportes rodoviários de cargas diz que reajuste da tabela do frete mínimo ajuda, mas não resolve problemas
Foto: Alisson J. Silva / Arquivo / Diário do Comércio

Os transportadores rodoviários de cargas receberam com algum ceticismo uma nova medida do governo federal para o setor. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou uma portaria que reajustou os coeficientes dos pisos mínimos do frete rodoviário.

Para o cálculo do piso mínimo, o óleo diesel S10 passa a ser considerado a R$ 7,33 por litro. Esse valor equivale à média nacional registrada entre 20 e 26 de setembro de 2026, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A medida tenta evitar déficit por conta do antigo preço do frete mínimo, de R$ 6,97, que ainda estava em vigor.

O que muda

Para os transportadores, a mudança, na prática, pode exigir atenção, já que eles terão de consultar os novos valores da nova tabela antes de contratar viagens. Todavia, o valor do frete mínimo pode evitar distorções, barrando empresas que tentem pagar menos pelo valor do quilômetro rodado.

Ao longo de 2026, a agência reforçou a fiscalização das operações de transporte com o Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), instrumento usado para conferir se as regras de contratação estão sendo cumpridas.

A ANTT informou que adotará procedimentos para suspender empresas que desrespeitem de forma reiterada a tabela de frete mínimo, sempre com análise caso a caso.

Cuidado com os custos

Apesar de haver um mínimo a ser pago pelo transporte, os transportadores entendem que o piso pode não cobrir o custo total de uma viagem. De acordo com a ANTT, itens que o modelo não inclui, como certas taxas, despesas administrativas e a margem de lucro, devem entrar na negociação entre as partes.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antonio Luis da Silva Junior, explica que o reajuste da tabela de frete em função do diesel segue parâmetros da tabela, mas que, na verdade, não contempla todos os aumentos de custos do carreteiro, nem as variações que existem no preço do diesel nos postos. “Isso apenas minimiza o efeito do aumento de diesel, mas não resolve os problemas dos custos”, disse. “Não contempla tudo, mas são parâmetros que estão sendo revistos”, completou.

Além do combustível

A lista de custos para os transportadores rodoviários de cargas tem no combustível um percentual elevado na conta final, porém há demandas que compõem os gastos totais, como manutenção do veículo, seguros, licenciamentos e impostos. E tudo isso tem de ser custeado pelo frete pago.

Logo, quando o valor do frete mínimo tem base apenas no valor do litro do diesel, o segmento se preocupa em encontrar um equilíbrio na equação.

“Os custos do transporte em geral não são só combustível, o combustível impacta outros custos como pneu, manutenção etc. A própria adição de biodiesel no diesel vem complicando e aumentando muito a manutenção e a troca de filtros de combustível”, comenta o presidente do Setcemg, Antonio Luis da Silva Junior.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.


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