Muito além da festa: como a gastronomia rural e as exposições agropecuárias fortalecem a economia do Centro-Oeste de Minas
O Centro-Oeste de Minas consolidou, nos últimos anos, um calendário de festivais gastronômicos rurais e exposições agropecuárias que vai muito além do entretenimento. Esses eventos representam importantes instrumentos de desenvolvimento econômico, valorização da produção local, fortalecimento do turismo e incentivo ao empreendedorismo, movimentando uma extensa cadeia produtiva antes, durante e depois de cada edição.
A vocação agropecuária da região ajuda a explicar esse cenário. Minas Gerais é responsável por mais de um quarto da produção nacional de leite, e o Centro-Oeste concentra uma das principais bacias leiteiras do País, com municípios como Pompéu, Bom Despacho, Divinópolis, Oliveira, Piumhi e Itapecerica entre os destaques da produção. A região também possui forte presença na avicultura, na agricultura familiar e em diversas cadeias ligadas ao agronegócio.
É justamente dessa riqueza produtiva que surgem muitos dos festivais gastronômicos que hoje fortalecem a economia regional. Ao transformar ingredientes produzidos nas propriedades rurais em experiências gastronômicas, esses eventos agregam valor aos produtos, ampliam mercados para pequenos produtores e estimulam a permanência da renda nos próprios municípios.
Nos últimos meses, cidades como Itapecerica, Formiga, Cláudio e São Sebastião do Oeste realizaram festivais voltados à valorização da culinária regional. Em comum, todos tiveram como objetivo fortalecer a agricultura familiar, incentivar pequenos empreendedores, promover o turismo de experiência e preservar tradições que fazem parte da identidade cultural do Centro-Oeste mineiro. O Sebrae Minas tem encabeçado o projeto juntamente com as Salas Mineiras de cada cidade.
São Sebastião do Oeste realizou, neste ano, a primeira edição do Festival de Gastronomia Rural, reunindo produtores, cozinheiros e artesãos em torno da valorização da culinária típica local. Mais de 3 mil pessoas participaram da festa. Para o prefeito Rômulo Beirigo, o evento representa muito mais do que uma celebração cultural. “Quando valorizamos aquilo que é produzido no campo, fortalecemos toda a economia do município. O Festival de Gastronomia nasceu para reconhecer nossos produtores, incentivar o empreendedorismo e mostrar que a cultura e a tradição também são instrumentos de desenvolvimento econômico”, destaca o prefeito.
O impacto desses festivais pode ser observado muito além das barracas de alimentação. A preparação envolve produtores rurais, agroindústrias familiares, fornecedores, empresas de comunicação, gráficas, montadoras de estruturas, serviços de sonorização, iluminação, segurança privada, limpeza, transporte, hotéis, bares, restaurantes e comércio em geral. Cada visitante que participa do evento gera movimento em diversos segmentos da economia local.
As tradicionais exposições agropecuárias ampliam ainda mais esse efeito. Eventos como a DivinaExpô, em Divinópolis, que reuniu mais de 100 mil pessoas em dois finais de semana; a ExpoBom, em Bom Despacho; a Exposição Agropecuária de Formiga; a ExpôSamonte, em Santo Antônio do Monte; a Exposição Agropecuária de Cláudio e tantas outras feiras realizadas na região transformam os municípios em grandes centros de negócios.
Além das atrações culturais, esses encontros aproximam produtores rurais, cooperativas, fabricantes de máquinas e implementos agrícolas, instituições financeiras, empresas do agronegócio e investidores, criando um ambiente favorável para novos negócios, parcerias e investimentos.
Ao mesmo tempo em que fortalecem setores tradicionais da economia, esses eventos impulsionam atividades que muitas vezes passam despercebidas pelo público. O aumento da circulação de visitantes beneficia hotéis, postos de combustíveis, supermercados, lojas de roupas, ambulantes, motoristas, prestadores de serviços e inúmeras pequenas empresas que encontram nesses períodos uma oportunidade importante para ampliar o faturamento.
Para o presidente da Agência Novo Oeste, Léo Gabriel, esse movimento demonstra que a economia regional é construída de forma integrada. “Os festivais gastronômicos e as exposições agropecuárias mostram que o desenvolvimento econômico acontece quando diferentes setores trabalham juntos. O produtor rural fornece a matéria-prima, a gastronomia agrega valor, o turismo atrai visitantes e dezenas de empresas prestam serviços ao longo de toda a cadeia. O resultado é geração de renda, fortalecimento dos negócios locais e valorização da identidade do Centro-Oeste de Minas.”
Muito além de preservar tradições, esses eventos ajudam a consolidar a imagem do Centro-Oeste mineiro como uma região vocacionada para o agronegócio, a gastronomia e o turismo. São investimentos que estimulam novos empreendimentos, fortalecem a economia dos municípios e demonstram que cultura, produção rural e desenvolvimento caminham lado a lado.
No fim, o que acontece em um festival gastronômico ou em uma exposição agropecuária não termina quando os portões se fecham. Os negócios iniciados, as parcerias construídas, os produtos divulgados e a renda gerada continuam movimentando a economia regional por muito tempo, tornando esses eventos importantes motores do desenvolvimento do Centro-Oeste de Minas.
O DIÁRIO DO COMÉRCIO, em parceria com o Sindijori-MG, mantém um espaço de interação com os municípios mineiros através de seus veículos associados. A coluna Integra Minas é publicada às sextas-feiras e tem o objetivo de aproximar questões que impactam o ambiente econômico e empresarial do Estado em uma via de mão dupla, trazendo e levando informações criando uma rede que “Integra Minas”.
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