Gerdau vê venda do Porto Sudeste como oportunidade de expansão no futuro
A Gerdau enxerga a venda do Porto Sudeste como uma oportunidade de médio prazo de ampliar a competitividade na mineração, segundo o CEO Gustavo Werneck. Conforme ele, a empresa deseja produzir mais minério de ferro no futuro e ter uma participação em um terminal portuário pode ser um habilitador logístico para esse crescimento.
O executivo confirmou que a Gerdau trabalha em uma oferta pelo Porto Sudeste junto a parceiros, incluindo a Vale. No entanto, ressaltou que os proprietários do empreendimento ainda estão distantes de tomar uma decisão final de venda.
A imprensa vinha noticiando que a Gerdau, a Vale e a Global Infrastructure Partners (GIP), gestora de fundos de investimento controlada pela Black Rock, se uniram para analisar uma oferta ao Porto Sudeste. Localizado em Itaguaí, no Rio de Janeiro, o terminal pertence à gestora de investimentos Mubadala e à trader de commodities Trafigura.
De acordo com Werneck, uma expansão da produção mineral é apenas um desejo da Gerdau neste momento e está na fase de estudos. O executivo disse que a companhia pode tomar uma decisão sobre isso nos próximos 12 meses.
“Temos bons direitos minerários em locais tradicionais, bons produtores de minério, com teor de ferro significativo, com baixo contaminante. Então, o primeiro passo a gente já tem”, afirmou o CEO em coletiva nesta terça-feira (29) durante o Congresso Aço Brasil 2026, evento promovido pelo Instituto Aço Brasil, em São Paulo. “Mas a questão da logística, não vou dizer que é ‘sine qua non’, mas é muito relevante”, ponderou.
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Mina em Ouro Preto está em ramp-up
A expansão da mina de Miguel Burnier em Ouro Preto, na região Central de Minas Gerais, que elevou a capacidade anual da unidade para 5,5 milhões de toneladas de minério de ferro, está em fase de ramp-up, conforme Werneck. Segundo o CEO, a plena capacidade operacional deve ser alcançada já no início de 2027.
O executivo disse que a companhia consumirá 3,5 milhões de toneladas por ano e terá o restante da produção disponível para vender tanto para o mercado interno quanto para o externo. Ele também explicou que a planta oferece flexibilidade para a empresa, que poderá, eventualmente, produzir um pouco menos, mas aumentar o teor de ferro do minério.
Ainda de acordo com o CEO, o investimento em Miguel Burnier, de cerca de R$ 3,5 bilhões, busca ampliar a competitividade da usina de Ouro Branco, na região Central do Estado. Ele afirmou que a Gerdau poderia estar colocando esse capital para criar outras oportunidades de crescimento, como em novas plantas e novos produtos, porém aplicou o montante para resolver problemas que o Brasil naturalmente deveria ter resolvido.
*O repórter viajou para São Paulo a convite do Instituto Aço Brasil
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