Menores volumes negociados de abril a junho afetaram a receita líquida da empresa, que caiu 14%, encerrando o segundo trimestre em R$ 8,74 bilhões | Crédito: Eduardo Rocha/RR

A Gerdau registrou uma queda de 15% no lucro líquido ao longo do segundo trimestre de 2020, frente a igual período do ano anterior, alcançando o montante de R$ 315 milhões. No acumulado do primeiro semestre, o lucro chegou a R$ 537 milhões, retração de 35%. O recuo é atribuído à variação cambial.

Apesar do resultado negativo, as estimativas para o segundo semestre são positivas, uma vez que é esperado aumento da demanda proveniente de diversos setores produtivos como a indústria da construção civil e o setor de infraestrutura.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) encerrou o segundo trimestre com retração. A queda foi de 4% na comparação com o mesmo período de 2019, somando R$ 1,38 bilhão. Na comparação com o primeiro trimestre de 2020, houve uma elevação de 35%.

Já no acumulado do primeiro semestre, a queda chega a 18%, com o Ebitda somando R$ 2,94 bilhões. O Ebitda ajustado foi de R$ 1,31 bilhão, recuo de 16,2% frente ao primeiro trimestre de 2020.

A receita líquida caiu 14%, encerrando o segundo trimestre em R$ 8,74 bilhões. A queda foi atribuída aos menores volumes vendidos no período. Mantendo a mesma base de comparação, a produção de aço bruto caiu 29% no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2019, totalizando 2,43 milhões de toneladas. A retração se deve às paradas de produção nas usinas da Gerdau para controle da disseminação do Covid-19.

Os efeitos da pandemia e da parada de vários setores impactaram de forma negativa as vendas de aço. No segundo trimestre, a comercialização apresentou redução de 20%, somando 2,36 milhões de toneladas.

Os investimentos em Capex somaram R$ 271 milhões no segundo trimestre, sendo R$ 144 milhões para manutenção geral, R$ 43 milhões para manutenção da usina de Ouro Branco (Minas Gerais) e R$ 84 milhões para expansão e atualização tecnológica.

Do valor total desembolsado no ano, 45,5% foram destinados para as operações do Brasil, 18,1% para as operações Aços Especiais, 31,1% para as operações América do Norte e 5,3% para a América do Sul. O plano de investimentos da companhia para 2020 é de R$ 1,6 bilhão. A estimativa para o período de 2019/2021 é de R$ 6 bilhões.

Futuro – Apesar dos resultados negativos, o presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, espera um segundo semestre melhor em função da retomada de diversos segmentos e da demanda maior proveniente da indústria da construção civil, varejo, infraestrutura e energia.

“Estou muito otimista com o segundo semestre, pois muitos setores já estão mostrando sinais de recuperação desde o final do segundo trimestre. A construção civil está com um nível de atividade bastante intenso e retomaram acima das expectativas. As construtoras estão acelerando as obras e os pedidos de aço para ter imóveis para a entrega. Nossas vendas de concreto armado foram 10% maiores que o segundo trimestre de 2019 e 27% superiores que o primeiro trimestre. Outro setor que está voltando é o de infraestrutura. Obras que estavam paradas em várias partes do País estão sendo retomadas e as encomendas também”, disse Werneck.

Também foi observado aumento na demanda do setor de energia eólica e de transmissão. O pagamento do auxílio emergencial, feito pelo governo federal, também tem estimulado as vendas no varejo.

Dentre os setores, o único que ainda deve apresentar uma retomada mais lenta é o automotivo. “Seguimos bastantes otimistas. Não tenho como detalhar, mas julho foi um mês que comprovamos a colocação de que a gente terá um segundo semestre forte. Estamos em agosto e continuamos vendo sinais positivos no mercado”.

Além do mercado interno, as exportações também serão importantes para a recuperação dos resultados. Segundo Werneck, depois de 11 anos, a Gerdau exportou para a China.

“Religamos o alto-forno dois em Ouro Branco para atender às exportações. Durante a crise, surgiram oportunidades interessantes e tivemos a capacidade de identificá-las. A questão da China é interessante pelo país ter se tornado, mesmo que momentaneamente, importador de aço. Ainda é participação pequena, mas estamos buscando boas oportunidades também na América Latina e Oriente Médio”, destacou Werneck.

Preço do aço – Ainda neste mês, a Gerdau irá reajustar os preços do aço em uma faixa de 6% a 8%. Esse será o segundo aumento seguido imposto pela empresa. O último reajuste, efetuado entre junho e julho, ficou em torno de 10%.

Segundo Werneck, antes dos reajustes a diferença de preços entre o aço importado e o nacional estava em torno de 20%. “Alinhado à recuperação do mercado, criou-se ambiente favorável para regular esse prêmio negativo. Os reajustes de preços serão feitos em longos e planos. Com os dois aumentos, vamos zerar o prêmio”, disse.