Economia

Governo do Estado decide revisar e simplificar as regras do ICMS

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Governo do Estado decide revisar e simplificar as regras do ICMS
O governador Romeu Zema anunciou mudanças no ICMS em evento na Fiemg | Crédito: Dirceu Aurélio/Imprensa MG

No momento em que o Congresso Nacional discute sobre alterações na cobrança e nas alíquotas do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) em âmbito nacional, Minas Gerais anuncia mudanças na regulamentação do tributo no Estado. Depois de 20 anos, as normas serão revisadas e atualizadas, contando com a participação dos contribuintes. A aposta do governo mineiro é que a medida simplifique processos, reduza custos e colabore para a atração de mais investimentos.

“O ICMS infelizmente se transformou numa colcha de retalhos. Vamos escutar todos os interessados, que são os pagadores de impostos. O ambiente no Brasil é muito hostil e isso afeta diretamente a economia e o desenvolvimento. O que temos procurado fazer em Minas é reduzir as incertezas e oferecer previsibilidade”, disse o governador Romeu Zema (Novo) ao anunciar a revisão.

Para se ter uma ideia, o texto atual que regulamenta o ICMS em Minas conta com cerca de 500 mil palavras distribuídas em mil páginas. A nova regulamentação será feita por meio de decreto da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF).

Até 1º de setembro, a Pasta vai apresentar as mudanças com o intuito de facilitar a compreensão, garantir a transparência, reduzir a burocracia e ampliar a segurança jurídica no Estado. E após a publicação será aberto um prazo de dois meses para que representantes de empresas e da sociedade em geral apresentem críticas e sugestões a fim de aprimorar o texto final.

Entre as mudanças previstas estão a padronização da redação, para que institutos jurídicos iguais sejam referenciados de maneira uniforme; a consolidação das normas relativas aos mesmos temas; revisão completa dos anexos que integram o atual regulamento; aprimoramento da legislação, com o propósito de eliminar omissões e incoerências; e a simplificação das obrigações acessórias, retirando as exigências que não se adequam mais ao atual contexto tecnológico, reduzindo, assim, a burocracia e o custo operacional dos contribuintes.

O anúncio foi feito pelo líder do Executivo mineiro durante o encerramento do 1º Congresso de Direito Empresarial realizado pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). Também participaram da solenidade autoridades como o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, o secretário-adjunto de Estado de Fazenda, Luiz Cláudio Gomes, o advogado-geral do Estado, Sérgio Pessoa, o procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares Júnior, o vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Gilberto Diniz, e o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe.

Revisão do ICMS melhora ambiente de negócios de Minas Gerais

Roscoe falou sobre os ganhos que a nova regulamentação poderá trazer para o ambiente de negócios em Minas Gerais e enalteceu o trabalho que vem sendo realizado por Romeu Zema. O presidente da entidade enfatizou que a indústria mineira tem crescido em ritmo superior ao restante do País e que o desempenho se deve também aos esforços do Estado na diminuição da burocracia e na melhoria da eficiência dos serviços.

“O governo está indo no caminho correto de procurar simplificar e melhorar o ambiente de negócios. Isso já vem surtindo resultados. Minas está ganhando espaço frente a outros estados; a indústria mineira cresceu 10% no ano passado, resultado muito acima da média nacional, que foi de 3,9%, já graças a esse tipo de estratégia que considero acertada”, comentou.

Em relação às mudanças no ICMS, o dirigente lembrou que não abarca as alíquotas e que o imposto permanecerá o mesmo. Mas lembrou que haverá maior transparência e, consequentemente, um menor custo na apuração do tributo, o que poderá impactar o preço dos produtos. “Além disso vai tornar a vida do contribuinte mais simples e mais fácil. Assim, aqueles que querem empreender e dinamizar a economia vão ter um caminho mais tranquilo, podendo gastar menos com burocracia e mais com inovação”, exemplificou.

Fux diz que diálogos institucionais favorecem negócios

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, foi o principal convidado do encerramento do 1º Congresso de Direito Empresarial da Fiemg e falou sobre o tema “Análise econômica, livre iniciativa e segurança jurídica”. O evento teve uma série de seminários que tratou sobre direito tributário, trabalhista, de energia, economia e meio ambiente.

Conforme o presidente, Flávio Roscoe, foram quase 20 palestras envolvendo os meios jurídico e empresarial de Minas Gerais e um encerramento coroado com o ministro falando de temas vitais para o desenvolvimento em curto, médio e longo prazos.

O presidente da corte citou que o direito está importando conceitos da economia para suas práticas e que, embora o Brasil seja um país democrático onde as liberdades são consagradas constitucionalmente, vivemos hoje uma nova era. “É uma era da justiça digital, da desburocratização e das inovações. Os investidores brasileiros e estrangeiros precisam de segurança jurídica e previsibilidade. Eles têm razão quando lutam e reivindicam por isso. No Brasil há um carnaval tributário, o que os afugenta”, afirmou.

Prática que tem colaborado para a melhoria do ambiente, segundo ele, diz respeito aos diálogos institucionais que permitem a construção de regulações e decisões razoáveis, já que muitas vezes a legislação que regula um setor impacta negativamente outro. Fux também lembrou do modelo federativo que rege o Brasil e disse que os estados têm autonomia administrativa e financeira perante a Constituição. “O que falta, muitas vezes, é vontade política”, alertou.

Neste sentido, o ministro elogiou figuras mineiras, citando o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD), o Ministro do Tribunal de Contas, Antônio Anastasia, a Ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia e o também presente governador Romeu Zema. Ele definiu Zema como um governador ousado e eficiente pelos projetos e ações que tem desenvolvido em Minas Gerais.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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