Funcionários da fábrica de semicondutores denunciaram a falta de pagamentos por parte da Unitec | CRÈDITO:ALISSON J. SILVA

O governo de Minas Gerais ainda pretende investir e viabilizar a fábrica de semicondutores Unitec, instalada em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ao lado de investidores privados.

Embora a primeira reunião mediada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) entre os funcionários, o sindicato e a empresa, não tenha efetivamente surtido efeito e tenha sido remarcada, representante da Taua Partners falou sobre a possibilidade de salvar o projeto.

De acordo com o secretario executivo do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalurgicas Mecânicas e de Material Elétrico de BH, Contagem e Região (Sindimet), Walter Fideles Dias, na mediação, o diretor da Taua Partners, que atua em gestão e reestruturação de empresas, Marco Aurélio Barreto, se apresentou como responsável da empresa e informou que o governo estadual pretende fazer novos investimentos na Unitec, ainda neste exercício, em vistas de reabilitá-la e dar continuidade ao projeto.

Ainda segundo o representante do sindicato, o executivo foi questionado se a empresa terá interesse em continuar com os atuais funcionários, caso retome as operações, e Barreto respondeu que sim. “Ou seja, os funcionários saíram animados, com esperança, mesmo que ainda não tenha sido, de fato, a reunião de mediação. Eles esperam, pelo menos, receber o que lhes é de direito”, comentou.

A auditoria marcou novo encontro entre as partes para o dia 22 de setembro, já que o representante da Unitec alegou não ter sido comunicado e estava despreparado. A auditora ressaltou que aguarda uma proposta com cronograma de cumprimento das obrigações trabalhistas já para a próxima reunião.

“Caso eles não apresentem uma proposta, uma ação coletiva será movida. Ressaltamos que todos os esforços estão sendo feitos para não levar a questão ao Judiciário trabalhista. Porém, precisamos de uma solução, pois os funcionários estão há quase cinco meses sem receber salários e quaisquer benefícios. Eles não podem ser penalizados por conta de desorganização da empresa e seus investidores”, ressaltou Dias.

Soluções – Durante a reunião, Barreto destacou que atualmente o problema da empresa não é apenas financeiro, e que a Taua foi contratada para buscar soluções para a Unitec. Ele disse, durante a audiência que há duas possibilidades para resolver o problema financeiro da empresa: uma seria por meio de um apoio que está sendo negociado com governo de Minas. A outra uma capitalização por parte dos acionistas. Ambas estão em avaliação e negociação.

A reportagem tentou contato com o executivo, que não retornou as chamadas nem respondeu aos questionamentos.

Denúncia – Funcionários que pediram para não ser identificados denunciaram ao DIÁRIO DO COMÉRCIO uma série de descumprimentos financeiros e trabalhistas não apenas com o corpo funcional, mas também com credores e fornecedores, há mais de dois anos. Segundo eles, a situação da empresa é caótica.

“São quatro meses de salários atrasados, falta de recolhimento de FGTS e INSS desde novembro do ano passado, questões ambientais negligenciadas e bens da empresa em deterioração sem manutenção adequada. Não temos condições de trabalho, pois todos os serviços foram interrompidos por falta de pagamento. A empresa está abandonada”, lamentou um funcionário.

Para outro profissional que pediu anonimato, o representante da empresa tentou ganhar tempo e chegou a falar que os funcionários não estão colaborando para a situação.  É que, em julho, os 13 profissionais ligados à Unitec comunicaram à nova gestão que não retornariam ao trabalho enquanto a situação não fosse resolvida. Desde então, eles não têm nenhum retorno.

E sobre a possibilidade de o governo de Minas investir no projeto, a mesma fonte disse: “essa conversa é antiga, escutamos que o governo vai colocar dinheiro há muito tempo e nada sai do papel”, reclamou.

O assunto veio à tona um mês depois de o próprio governo do Estado indicar a intenção de reestruturar o projeto, em vistas de torná-lo novamente o principal na produção de semicondutores no Brasil.

Em entrevista ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, o subsecretário de promoção de investimento e cadeias produtivas da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Juliano Alves Pinto, chegou a dizer que o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) tinha assumido a governança da empresa.

“Há ainda parceiros internacionais importantes e a ideia é termos uma Unitec completamente repaginada, em breve. A pandemia de Covid-19 adiou um pouco as ações, mas tão logo a parte da saúde esteja estabilizada, os esforços serão retomados. Trata-se de um símbolo importante para a agregação de valor das cadeias produtivas em Minas”, disse na época.