Setor já considera positivo repetir os resultados de 2019 neste ano por conta do coronavírus | Crédito:

A Martins Comércio e Serviços de Distribuição S/A, sediado em Uberlândia (Triângulo Mineiro), seguiu liderando o setor atacadista e distribuidor em Minas Gerais e ocupando a terceira posição nacional no Ranking Abad/Nielsen 2020 – ano-base 2019.

De acordo com o estudo, que ouviu um grupo de 15 empresas atacadistas e distribuidoras de Minas Gerais, o faturamento gerado por este grupo ficou em R$ 17,32 bilhões, 10,95% maior que os R$ 15,61 bilhões faturados pelas 15 empresas em 2018.

O estudo é realizado pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) em parceria com a consultoria Nielsen.

De acordo com o levantamento, na lista Top 10 Brasil de empresas do setor atacadista e distribuição com maior faturamento estão três mineiras. Em primeiro lugar estadual e terceiro nacional, atrás de duas empresas de São Paulo, está a Martins, que registrou um faturamento de R$ 5 bilhões em 2019, valor 2% maior que o registrado em 2018, quando faturamento do grupo foi de R$ 4,9 bilhões. Somente a Martins, respondeu 29% do faturamento das 15 empresas mineiras que participaram do estudo.

Em segundo lugar no ranking estadual e 4º no ranking nacional está a Tambasa, que obteve um faturamento de R$ 3,47 bilhões em 2019, aumento de 15,66% frente a 2018. Na sétima posição nacional e terceira posição no Estado ficou o Apoio Mineiro/DEC Minas/Daminas, com faturamento de R$ 1,74 bilhão em 2019, aumento de 5,45% sobre a receita gerada em 2018.

O Villefort, cujo faturamento cresceu 14,6% e encerrou 2019 em R$ 1,49 bilhão, ocupou a 4ª posição no ranking estadual. Na quinta posição mineira, ficou o grupo Vila Nova, com faturamento de R$ 1,39 bilhão, resultado 10,2% maior.

Projeções – O presidente da Associação dos Atacadistas Distribuidores do Estado de Minas Gerais (Ademig), Paulo César Bueno de Souza, explica que as empresas de Minas Gerais vinham apresentando resultados positivos desde 2019 e as estimativas para 2020 também eram otimistas. Porém, com a pandemia, os impactos negativos causados e as incertezas, se no encerramento de 2020 o resultado de 2019 for repetido, será positivo.

“Manter os resultados de 2019, diante do cenário causado pela pandemia será positivo. Mesmo assim, para várias empresas isso não vai ocorrer. Tem várias empresas que trabalham focadas no food service, e foram fortemente afetadas com o fechamento dos restaurantes e bares”.

Em relação aos investimentos do setor, a tendência é que sejam revistos, mas, as empresas menos afetadas e que conseguiram manter as operações sofrendo menores impactos, devem manter os aportes.

“O setor trabalha com planejamento e as empresas que conseguiram manter o resultado na crise, sem necessidade de utilizar as medidas de auxílio criadas pelo governo e mantiveram o caixa, tendem fazer os investimentos. A tendência é que também ocorra uma evolução na transformação digital do setor, que se tornou ainda mais necessária”, disse Souza.

Após crescimento em 2019, Abad mantém a cautela

Em relação ao resultado nacional, o estudo mostrou que o setor atacadista e distribuidor atingiu, em 2019, um faturamento de R$ 273,5 bilhões, a preço de varejo, revelando uma participação de 53% no mercado mercearil nacional, que é avaliado pela Nielsen em R$ 516,2 bilhões em 2019.

No ano passado, o atacado distribuidor registrou crescimento nominal de 4,5% e real de 0,19% sobre o ano anterior. A pesquisa ouviu 667 empresas, que representam 45,2% do faturamento do setor.

Para este ano, as estimativas são cautelosas, principalmente, devido à pandemia, que provocou o fechamento de atividades econômicas importantes para o setor, e resultou no aumento do desemprego, reduzindo o poder de compra da população.

O presidente da Abad, Emerson Luiz Destro, explica que os empresários do setor começaram 2020 com maior otimismo, porém, os problemas e as incertezas provocadas pela pandemia devem reduzir o crescimento do setor.

“Começamos o ano com boas expectativas, com reformas estruturantes que vinham sendo implementadas desde 2019 e toda uma expectativa de crescimento que vinha acontecendo de forma gradual e consistente. Porém, a chegada da pandemia do coronavírus no País chacoalhou a estrutura de muitas empresas”.

Segundo Destro, de janeiro a março, havia sido verificado crescimento de 3% no setor frente igual período do ano anterior, cenário que foi acompanhado pelos estados. Com a pandemia, no acumulado do ano até abril o setor retraiu 1%.

“Em termos de expectativa, sabemos que 2020 não será um ano fácil. Estamos vendo a difícil realidade do comércio, a questão do aumento do desemprego e a redução do poder de compra das famílias. Tudo isso, reflete de forma negativa no consumo. Diante destes desafios, gostaríamos que o ano fosse de estabilidade e vamos trabalhar muito pra isso. Já está havendo uma retomada do comércio na maior parte dos estados. Estamos avaliando este movimento de reabertura e esperando a economia voltar a girar, mas ainda é uma incógnita de como o mercado vai se comportar”, disse.

De acordo com o professor, consultor e pesquisador da Fundação Instituto de Administração (FIA), Nelson Barrizzelli, serão necessários, pelo menos, dois anos para recuperar o patamar vivenciado no início de 2020, o que já não era tão positivo.

“Estamos vivendo uma recessão forte com o número de desempregados em 20 milhões. Se não conseguimos absorver 12 milhões de desempregados em cinco anos – uma vez que o aumento do desemprego começou em 2015, será um desafio absorver os 20 milhões. Será preciso que o Brasil crie um conjunto de medidas bem harmônicas, envolvendo todos os poderes, para conseguir superar esse desafio. Precisamos de união nacional, com os poderes pensando da mesma forma”.