Eliana Cassandre prevê que o limite da capacidade instalada será atingido neste ano | Crédito: Silvia Zamboni

O envase de 110 mil litros da cerveja Itaipava, nessa sexta-feira (28), oficializa o início das operações do Grupo Petrópolis em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Com investimento superior a R$ 1 bilhão, trata-se da maior planta industrial da companhia no País, uma das maiores cervejarias do mundo e deverá permitir a marca sair dos atuais 14,5% de market share para 16% até o fim do ano que vem.

De acordo com a head de Marketing do grupo, Eliana Cassandre, o limite da capacidade instalada da fábrica, de cerca de 9 milhões de hectolitros de cerveja por ano, deverá ser atingido ainda neste exercício. Tamanha aposta se deve ao crescimento do consumo de cervejas no Brasil, especialmente pelos mineiros.

“Este número coloca a fábrica entre as cinco maiores do País em capacidade produtiva As operações estão sendo iniciadas com metade deste volume, mas diante do potencial do mercado e do aumento da demanda, acreditamos que atingiremos o limite nos próximos meses”, previu.

As duas últimas plantas inauguradas no País receberam investimentos em expansão em um período curto de tempo. Por isso, conforme Eliana Cassandre, a unidade mineira já nasceu duplicada, pronta para a demanda e todas as linhas de produção. Por enquanto, as cervejas produzidas em Uberaba serão das marcas Crystal, Lokal, Itaipava, Itaipava Premium, Petra e Cacildis, seguindo a necessidade do mercado.

“Há condições de produzir 256 mil latas e 120 mil garrafas por hora, nos mais diferentes formatos, de acordo com a demanda vinda do consumidor. Durante a pandemia de Covid-19, por exemplo, tivemos algumas mudanças no perfil do consumo, assim como o mercado cervejeiro nacional como um todo: se antes tínhamos uma maior procura por garrafas, agora as latas são os produtos da vez”, comentou.

Vendas – E por falar em pandemia, a head de Marketing disse que no caso do Grupo Petrópolis, logo da chegada da doença ao País, houve uma redução da ordem de 50% das vendas, justamente pelo fechamento de bares e restaurantes em quase todas as cidades brasileiras. Depois, o consumidor foi se adaptando e as comercializações foram convertidas. Para se ter uma ideia, em julho e agosto, segundo ela, a empresa já trabalhou com 100% das metas, sem nenhuma readequação.

Por isso, a expectativa para 2020 segue otimista, mesmo diante dos desafios impostos pelo novo coronavírus. “Seguimos atentos a toda estas movimentações para estudar comportamento do consumidor. Ainda é cedo para tomar qualquer decisão, mas seguimos acompanhando o mercado, trabalhando no limite nas linhas de produção de cervejas em lata, com planejamento mensal e trabalhando dentro de casa para não deixar as pessoas sem receberem nossos produtos”, completou.

Com o início da operação da planta de Uberaba, serão gerados, ao todo, 700 empregos diretos cerca de 3 mil indiretos. Neste momento há 315 vagas abertas para as áreas industrial, laboratorial e administrativa.

Quando do anúncio do investimento, a empresa justificou a escolha de Uberaba por questões como qualidade e abundância da água, fornecimento de energia elétrica de alta tensão e logística rodoviária como pontos primordiais para a instalação da cervejaria. Estas questões foram confirmadas por Eliana Cassandre, que também ressaltou o perfil de consumo do mineiro.

Posição estratégica – “Minas é hoje o segundo estado com maior consumo de cerveja do País, representando 13.9% do consumo nacional, atrás apenas de São Paulo, cuja participação é de 24.4%. Atualmente, as marcas Petrópolis estão em 650 dos 853 municípios mineiros, ou seja, ainda há muito que crescer neste território. Além disso, quanto a Uberaba, especificamente, contou ainda a excelente posição geográfica que facilita escoamento pro Brasil”, argumentou.

Assim, da nova unidade sairão produtos não apenas para o próprio Estado, mas para parte de São Paulo. Centro-Oeste e há outras áreas de consumo em análise para integrar o portfólio também. Atualmente, a cerveja do Grupo Petrópolis vendida em Minas Gerais é produzida pelas unidades de Boituva (SP), Petrópolis e Teresópolis (RJ).

Fundado na cidade de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, o Grupo Petrópolis é a maior empresa com capital 100% nacional do setor. Produz cervejas, bebidas alcoólicas e não alcoólicas. Com sete fábricas em operação, até então, o grupo é responsável pela geração de aproximadamente 24 mil empregos diretos.

Para o prefeito de Uberaba, Paulo Piau, a chegada da fábrica é um fato histórico para a cidade, uma vez que representa o segundo maior investimento efetuado no município, superado apenas pelo empreendimento da Fosfértil na década de 1970. Ele destacou os impactos em cadeia e enalteceu a decisão e execução do projeto por parte do grupo em apenas 13 meses.

“É um empreendimento muito especial. Em um ano e um mês o Grupo Petrópolis decidiu pelo investimento, contratou a empreiteira, comprou os equipamentos e inicia a operação com a produção praticamente dobrada desde o anúncio. Tudo isso, em função do ambiente de negócios propício da cidade. Nossas expectativas são as melhores possíveis, tanto no que se refere à geração de emprego e renda quanto ao saldo de impostos que virá para o município no futuro. É bom para Uberaba, bom para a região, para Minas Gerais, bom para o Brasil”, comemorou o prefeito.