Crédito: Federaminas

A inadimplência em Minas Gerais registrou queda de 0,5% em agosto na comparação com o mês de julho, de acordo com os dados divulgados pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH). No entanto, em comparação com o mesmo período do ano passado, houve alta de 1,3%.

Vários fatores ajudam a explicar esse cenário, conforme destaca a coordenadora de economia e pesquisa da entidade, Ana Paula Bastos. Quando se verifica a situação do Estado com a da capital mineira especificamente, por exemplo, percebe-se que a retração da inadimplência foi maior em Belo Horizonte em agosto em relação a julho (-1,74%). Isso mostra que há forte relação com o consumo.

“A inadimplência está muito atrelada ao consumo. Quanto maior o consumo, maior serão as chances de inadimplência. Belo Horizonte ficou mais tempo com o comércio fechado na pandemia da Covid-19, o que fez com que a renda em circulação diminuísse. Já em algumas outras cidades de Minas Gerais, a reabertura foi mais rápida, o que explica a diferença entre os números”, diz ela.

Dessa forma, ao contrário do que vem ocorrendo na capital mineira, que apresenta queda na inadimplência por conta de um consumo menor, em Minas Gerais há um índice maior de atraso nos pagamentos, relacionado ao retorno às compras mais rapidamente.

Mesmo assim, os números de agosto em relação a julho no Estado ainda são de queda, mostrando que nem todos estão fazendo dívidas por ora. Medidas governamentais também contribuíram para esse cenário, segundo Ana Paula Bastos.

“O auxílio emergencial possibilitou a queda da inadimplência. Outro fato é que muitas pessoas, com medo do desemprego e do endividamento, evitaram realizar compras a prazo. Ainda, muitas empresas evitaram registrar o débito das pessoas por causa do desemprego, da diminuição de renda”, salienta.

Pessoas jurídicas – Os dados da CDL-BH também revelam que o indicador de dívidas para pessoas jurídicas de Minas Gerais registrou queda de 6,56% em agosto na comparação com o mesmo período do ano passado. O único setor que apresentou aumento da inadimplência foi o da agricultura (1,12%). Segundo a entidade, isso ocorreu porque o segmento não parou suas atividades ao longo da pandemia da Covid-19.

De acordo com Ana Paula Bastos, um fator que ajuda a explicar essa retração da inadimplência entre as pessoas jurídicas são as medidas emergenciais do governo, como crédito para capital de giro, possibilidade de redução da jornada e suspensão de contratos de trabalho, suspensão de pagamentos de determinados impostos, entre outros. Assim, muitas empresas conseguiram quitar suas dívidas e evitar a inadimplência.

 O que vem pela frente – Apesar de o cenário atual mostrar que há um crescimento no número de pessoas físicas e jurídicas que estão conseguindo honrar com seus compromissos financeiros, essa não deverá ser uma tendência.

De acordo com Ana Paula Bastos, a inadimplência entre as pessoas físicas pode aumentar com uma volta maior ao consumo. Além disso, muitas organizações podem passar novamente a registrar as dívidas dos indivíduos.

As empresas, por sua vez, que tomaram crédito e tinham uma carência de seis meses, por exemplo, podem ter de pagá-lo daqui a pouco tempo. Se não tiver uma retomada da economia, talvez elas não consigam honrar com os valores devidos, conforme destaca Ana Paula Bastos.