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Economia

Inflação no País subirá se houver conflito entre Rússia e Ucrânia

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O acirramento das tensões entre Rússia e Ucrânia elevou a cotação do petróleo, com o barril próximo de US$ 100 | Crédito: Divulgação

O possível conflito entre Rússia e Ucrânia pode causar fortes impactos sobre a atividade econômica global e afetaria direta ou indiretamente as economias mineira e brasileira, principalmente no que se refere à continuidade no aumento da inflação. É que o principal meio de contágio ocorreria por meio da elevação do preço do petróleo, que já se aproxima dos US$ 100 o barril do tipo Brent, e que já esteve entre os vilões da escalada de preços observada no Brasil no decorrer de 2021.

Especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO chamam atenção para o efeito em cascata que a elevação poderia provocar, já que a Rússia é um dos três maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo. O movimento pressionaria ainda mais o preço da gasolina, que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), teve um aumento de 42,71% nos 12 meses encerrados em janeiro. No mesmo período, o diesel subiu 45,72%.

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No comércio exterior, a preocupação diz respeito às importações e, mais uma vez, ao aumento nos preços de produtos trazidos da Rússia, especialmente os insumos para produção de fertilizantes. Além disso, os governos de Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha já apresentaram algumas sanções econômicas contra aquele país e as medidas terão repercussões que ultrapassam as fronteiras do Leste europeu, chegando, mesmo que no longo prazo, também ao Brasil.

“A Ucrânia não tem grandes relações comerciais com o Brasil. No caso da Rússia, o relacionamento é estreito, uma vez que vem se apresentando como um dos nossos principais parceiros comerciais ao longo dos últimos anos. Somos o sexto país que mais importa da Rússia, que, por sua vez, se encontra na 36ª posição entre os maiores compradores de nossas exportações“, cita o professor de logística internacional do Ibmec-BH, Frederico Martini.

Especificamente sobre o petróleo, Martini lembra que a Rússia é o segundo maior exportador e terceiro maior produtor de petróleo global, o que ocasionará um efeito dominó para todas as economias, especialmente as que dependem do insumo. E que, no caso do Brasil, a escalada de preços observada no decorrer do ano passado tenderá a se descontrolar ainda mais, dando continuidade ao aumento dos preços em diversos setores.

“A grande preocupação está nos impactos que esse conflito poderá trazer para nossa inflação. Além do custo do petróleo e o consequente aumento nos combustíveis, poderá haver redução do fornecimento de suprimentos de fertilizantes e a tendência é o agronegócio também sofrer com elevação dos preços”, diz.

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Para se ter uma ideia, dados da Logcomex – startup focada em Big Data para Comércio Exterior – em 2021, a Rússia foi a principal fornecedora de cloreto de potássio para o Brasil em valor transacionado, com US$ 1,444 bilhão (34,11% do total), e a segunda em peso transacionado, com 3,84 mil toneladas (29,11% do total).  Além do cloreto de potássio, amônia e ureia também são trazidas de lá.

E a preocupação com o setor alimentício não para por aí. A Rússia também é um dos principais produtores de trigo e milho do mundo, e quaisquer restrições no abastecimento destas commodities também acarretaria em consequências tanto para o produtor quanto para o consumidor brasileiro. “Caso o conflito faça com que o fornecimento dessas commodities seja freado, o produtor brasileiro ganha, já que o preço delas deve encarecer. Por outro lado, o consumidor perde, já que com as mercadorias sendo vendidas para o exterior a oferta no Brasil fica mais escassa”, explica o CEO da Logcomex, Helmuth Hofstatter Filho.

Possíveis impactos ameaçam Agro mineiro

De maneira complementar, o professor da área de Estratégia Pública da Fundação Dom Cabral (FDC), Paulo Vicente, explica que, no geral, as economias de todo o mundo serão impactadas negativamente, caso as tropas de Vladimir Putin avancem realmente sobre a Ucrânia.

“O petróleo deve subir por conta da Rússia ser uma fornecedora importante; os alimentos porque a Ucrânia é grande exportadora. Além disso, todos os mercados vão cair entre 5% e 10%. A Bolsa da Rússia já caiu 40% desde outubro e pode cair mais uns 20%. O preço do dólar em relação ao real está caindo e deve estabilizar em R$ 4,90. Ou seja, é hora de ficar em cash esperando o fundo do poço”, resume.

O professor de Direito Internacional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Lucas Carlos Lima reforça que todo conflito internacional, sobretudo quando envolve grandes atores, gera impactos econômicos mundo afora, não apenas por meio das relações comerciais internacionais, mas também pelas sanções outorgadas pelas diferentes partes envolvidas. “Estados Unidos, França e Alemanha já emitiram declarações nesse sentido, então, podemos esperar impactos nos mercados“, diz.

Já o impacto na balança comercial, segundo o professor, é relativo, porque depende do escalonamento da crise. Conforme ele, não necessariamente as rotas comerciais serão comprometidas e, no caso da balança comercial brasileira, a relação com a Rússia já é deficitária, uma vez que as importações superam as exportações.

“Isso pode significar um aumento no preço dos produtos que importamos da Rússia, como adubos e fertilizantes químicos, carvão e alumínio. Já do nosso lado, a Rússia é o 36º destinatário das nossas exportações e compra principalmente soja, carnes e aves, amendoins, café. Minas é o segundo estado brasileiro que mais exporta para aquele país e o quarto maior importador de produtos russos. O Estado compra adubos e fertilizantes e vende soja e produtos lácteos. Novamente, com o escalonamento de um eventual conflito e o recrudescimento de sanções, poderá haver algum impacto nesses setores”, reitera.

Por fim, Lima pondera que o tamanho dos riscos para as economias em geral depende dos próximos passos no conflito. E que, por ora, há a declaração de independência das províncias de Luhansk e Donetskpor e o envio de tropas “para segurança” por parte da Rússia, enquanto que o Ocidente reage com diversas sanções a instituições bancárias e a suspensão do Nord Stream 2.

Há muita especulação. Todas essas pressões econômicas têm também o escopo jurídico de fazer Putin voltar à diplomacia. Como professor de Direito Internacional é difícil calcular agora os impactos no Direito, mas o bloco Ocidental não aceitará com facilidade esse uso da autodeterminação dos povos para fins secessionistas”, conclui.

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