Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

A população de Belo Horizonte está menos propensa a realizar compras. Isso é o que mostra o índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), que diminuiu 0,9 ponto percentual, de março para abril, chegando a 93 pontos.

A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e os seus desdobramentos e inseguranças econômicos são os principais motivos para o resultado.

Os dados foram elaborados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), com os números da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Conforme destaca a analista de pesquisa da Fecomércio-MG, Letícia Marrara, o indicador, ao ficar abaixo dos 100 pontos, mostra insatisfação em relação a emprego, renda e capacidade de consumo.

“O Covid-19 foi algo totalmente inesperado e é comum, em momentos de crise como este, que as pessoas evitem fazer compras”, diz ela, lembrando, ainda, que o aumento das demissões também contribuiu para esse cenário.

Os dados da Fecomércio-MG mostram ainda que os resultados de abril foram influenciados pelo recuo de quatro itens do índice de Intenção de Consumo das Famílias. O emprego atual é um deles, que caiu de 119,6 pontos em março para 116 neste mês.

Já a perspectiva profissional recuou de 103,6 pontos para 103 pontos. O acesso ao crédito teve uma queda de 95,6 pontos para 94,3 pontos. A intenção de consumo de bens duráveis, por sua vez, passou de 64,3 pontos para 63,7 pontos.

Expansão – Por outro lado, há itens contemplados pelo estudo que apresentaram expansão. É o caso, por exemplo, da renda atual, que aumentou de 106,7 pontos para 108,1 pontos. A perspectiva de consumo para os próximos meses, por sua vez, saiu de 98,5 pontos para 99,7 pontos. O nível de consumo cresceu de 66,4 pontos para 68,8 pontos.

Embora esses números sejam mais positivos do que os citados anteriormente, Letícia Marrara afirma que esse aumento não significa uma confiança melhor para os próximos meses.

“Podemos olhar o aumento da perspectiva e do nível de consumo pelo lado de que as famílias estão gastando mais em alguns segmentos, inclusive por causa da implementação do home office. São gastos relacionados a serviços essenciais, como aos farmacêuticos e alimentícios”, afirma.

De acordo com a analista de pesquisa da Fecomércio-MG, existe uma preocupação muito grande em relação ao cenário econômico que se instalou no País e, por enquanto, não é possível falar em expectativas positivas com os dados que se tem. Há, ainda, muita insegurança.

“É algo bastante complicado. O consumidor fica mais retraído com os gastos neste momento. Com o novo coronavírus (Covid-19) se espalhando tanto, atingindo tantas pessoas, há uma preocupação muito grande com eles próprios (os consumidores) e também com as famílias”, salienta ela.

IPCA-15 tem menor taxa para abril desde 1994

São Paulo – A prévia da inflação oficial brasileira entrou em território deflacionário e registrou a menor taxa para abril desde 1994, pressionada, de um lado, pela queda nos preços dos combustíveis, mas, por outro, mostrando as consequências das medidas de isolamento como a alta da alimentação em domicílio.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) passou a recuar em abril 0,01%, após variação positiva de 0,02% no mês anterior, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse é o resultado mais fraco para o mês desde o início do Plano Real, em julho de 1994.

Em 12 meses até abril, o IPCA-15 acumulou alta de 2,92%, ante 3,67% no mês anterior, indo abaixo do centro da meta de inflação para este ano – de 4%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, medida pelo IPCA.

A expectativa em pesquisa da Reuters era de uma variação positiva de 0,01% na base mensal e de alta de 2,94% em 12 meses, de acordo com a mediana das projeções.

Reduções dos preços de combustíveis anunciadas pela Petrobras diante da queda do preço do petróleo e de seus derivados no mercado internacional ajudaram a gasolina a exercer o maior impacto negativo no IPCA-15 do mês, com recuo de 5,41% nos preços.

Também apresentaram quedas o etanol (-9,08%) e o óleo diesel (-4,65%), que levaram a uma queda de 5,76% do preço dos combustíveis. Com isso, o grupo Transportes teve queda de 1,47%.

Outra deflação importante foi registrada por Artigos de residência, de 3,19% – os eletrodomésticos e equipamentos e os artigos de tv, som e informática, apresentaram no mês quedas de 7,15% e 1,95%, respectivamente.

Alimentação mais cara – As paralisações e confinamentos determinados por causa da pandemia de coronavírus vêm afetando a demanda e o comércio no Brasil, resultando principalmente nos preços mais caros da alimentação em domicílio.

Esses preços avançaram em abril 3,14%, com a cebola ficando 35,79% mais caro e o tomate, 17,01%. A batata-inglesa subiu 21,24% em abril e a cenoura teve alta de 31,67%. Assim, o grupo Alimentação e bebidas foi o destaque entre as altas, com avanço dos preços de 2,46%.

A alimentação fora do domicílio também ficou mais cara em abril, com avanço de 0,94%, influenciada pela alta de 3,23% do lanche.

Diante das incertezas tanto internas quanto externas relacionadas ao coronavírus, Banco Central e governo vêm adotando medidas econômicas para tentar mitigar os potenciais devastadores impactos do vírus.

O BC já reduziu a taxa básica de juros a 3,75%, e novos cortes são esperados. Tanto a autarquia quanto o Ministério da Economia preveem atualmente estagnação da atividade este ano, mas esses números ainda devem ser revisados para baixo.

A pesquisa Focus realizada pelo BC com economistas mostra que a expectativa é de que a inflação termine este ano a 2,20% e a economia encolha 3,34%. (Reuters)