Em abril, o Caged registrou 149.213 demissões contra 60.915 contratações com carteira assinada em MG | Crédito: Divulgação

A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e as medidas de distanciamento social, que incluem a suspensão de diversas atividades econômicas, afetaram diretamente o mercado de trabalho em todo o Brasil e em Minas Gerais.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, mostram que apenas em abril o saldo de empregos ficou negativo em 88.298 vagas no Estado. Ao todo foram 60.915 contratações contra 149.213 demissões no mês.

De acordo com o Caged, em março, quando os efeitos da crise do coronavírus começaram a ser sentidos, foram fechadas 18.984 vagas formais em Minas. Já em fevereiro e janeiro os resultados haviam sido positivos em 26.394 e 3.931, respectivamente.

Assim, no acumulado deste ano, o déficit de empregos no Estado chegou a 76.957 postos de trabalho, a partir da admissão de 513.336 profissionais e o desligamento de outros 590.293 nos primeiros quatro meses deste exercício. Os setores mais afetados foram serviços, indústria geral, incluindo a de transformação, e comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas.

Apenas o grupo agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura apresentou resultado positivo.

No fim de março, o Ministério da Economia havia suspendido a divulgação do Caged por falta de informações enviadas pelas empresas, principalmente referentes às demissões de trabalhadores formais, o que, conforme a Pasta, na época, poderia comprometer a qualidade dos dados. E pediu que as empresas retificassem e reenviassem as informações.

Quando comparados com os números do ano passado, os dados do emprego formal são ainda mais alarmantes. Enquanto houve saldo negativo de 88.298 empregos em Minas Gerais no mês passado, em abril de 2019 foi registrado superávit de 22.348 vagas. Já nos acumulados dos primeiros quadrimestres de cada exercício foram observados déficit de 76.957 postos neste ano e saldo positivo de 56.129 de janeiro a abril de 2019.

Setores – Na divisão por setores, conforme a nova metodologia divulgada pelo governo federal, o grupo de serviços registrou saldo negativo de 33.676 postos de trabalho. O subgrupo de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas foi o mais afetado. Em abril de 2019 a atividade de serviços gerou 9.822 empregos no Estado.

Já a indústria da transformação apurou o fechamento de 23.015 postos de trabalho em abril deste ano. Na mesma época do exercício passado foi registrado saldo positivo de 2.833 empregos no setor em Minas Gerais.

O grupo de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, por sua vez, registrou déficit de 22.902 vagas. Na metodologia utilizada em abril do ano passado, que apresentava apenas o setor de comércio, o resultado foi de 180 empregos encerrados.

Além disso, o setor de construção registrou saldo negativo de 8.954 empregos formais no quarto mês deste ano, enquanto em igual período um ano antes tinha gerado 2.132 empregos no Estado.

Por fim e na outra ponta, o grupo agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura apresentou resultado positivo com 706 vagas criadas. No entanto, em abril de 2020 o número foi de 7.389.

Saldo no Brasil ficou negativo em 860,5 mil postos de trabalho

São Paulo – O Brasil fechou 860.503 vagas de emprego formal em abril, pior resultado para todos os meses da série do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) iniciada em 1992, num reflexo do agravamento da crise com o coronavírus no primeiro mês cheio das medidas de distanciamento social implementadas para frear as infecções.

Em março, quando começaram as iniciativas de isolamento no País, houve perda de 240.702 vagas com carteira assinada, divulgou o Ministério da Economia nesta quarta-feira. Em janeiro e fevereiro, houve abertura líquida de 113.155 e 224.818 postos, respectivamente.

Com isso, o País fechou os primeiros quatro meses do ano com encerramento de 763.232 vagas formais de trabalho, pior desempenho histórico para o período.
A performance no quadrimestre fez com que o estoque de empregos formais no País caísse a 38,046 milhões de postos, patamar mais baixo desde 2011 (36,824 milhões).

Em nota, o Ministério da Economia indicou que o resultado teria sido ainda mais grave sem o programa do governo de pagamento de benefícios para os que têm jornada reduzida ou contrato de trabalho suspenso. A estimativa é que foram preservados 8,1 milhões de empregos por meio da iniciativa.

“Número de desemprego hoje é fruto fundamentalmente da queda das contratações decorrentes da pandemia porque os empregos estão sendo preservados”, afirmou o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco.

Em coletiva virtual de imprensa ele estimou que, sem o programa do governo, o País poderia ter chegado a mais de 10 milhões de vagas formais perdidas em meio à crise.

O programa permite redução de salário e jornada por um período de três meses, com o pagamento de compensação parcial pelo governo aos trabalhadores, ou a suspensão do contrato de trabalho por até 60 dias.

Em contrapartida, o governo compensa o trabalhador com o pagamento de um benefício, batizado de BEM, que corresponde a uma parte do seguro-desemprego a que ele teria direito em caso de demissão. Hoje, o seguro-desemprego varia de um salário mínimo (R$ 1.045) a R$ 1.813,03.

Na análise setorial, o setor mais atingido pela derrocada da economia foi o comércio, com fechamento líquido de 342.748 postos de janeiro a abril. Aparecem em seguida o setor de serviços (-280.716), indústria (-127.886) e construção civil (-21.837). A agricultura, por outro lado, viu abertura de 10.032 postos no acumulado do ano.

O secretário de Trabalho, Bruno Dalcolmo, avaliou que o programa do governo de financiamento à folha de pagamento, o chamado Pese, deverá ser buscado pelas empresas passado o período em que lançaram mão do BEM.

Ele argumentou que, até pela forte retração na demanda, muitos empregadores optaram agora pela redução na jornada ou suspensão do contrato de trabalho.
Enquanto o BEM tem orçamento de R$ 51,6 bilhões e pagou R$ 5,9 bilhões até agora, o Pese financiou R$ 1,8 bilhão do seu orçamento total de R$ 40 bilhões, dos quais R$ 34 bilhões do Tesouro.

Dalcolmo também afirmou que o governo não espera um surto no desemprego após o fim das medidas.

Passada a fase aguda do surto de coronavírus, a equipe econômica também irá anunciar uma política de estímulos para contratação, afirmou Bianco.
Questionado sobre a desoneração da folha de pagamento das empresas, ele disse que

essa é uma investida que historicamente gera emprego e frisou que, por ora, está tudo sob estudo no âmbito de medidas para a retomada econômica. (Reuters)