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Economia

Malha rodoviária em Minas está em situação precária

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Quase 70% da malha rodoviária em Minas Gerais apresentam problemas como buracos e deficiência no pavimento | Crédito: Divulgação

Minas Gerais, que conta com a maior malha rodoviária do País, tem apenas 30,1% dos seus 15.259 quilômetros de rodovia em bom estado de conservação. Para recuperar e realizar a manutenção destes trechos, é preciso um investimento de R$ 11,6 bilhões. As informações são da Pesquisa CNT de Rodovias, elaborada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). 

De acordo com o gerente-executivo de estatística e pesquisa da CNT, Jefferson Cristiano, quase 70% da malha rodoviária pavimentada avaliada no Estado apresenta algum tipo de problema, como buracos, falta de asfalto ou curvas acentuadas.

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“Apenas 38,7% dessa pavimentação estão em condições satisfatórias, ou seja, essas rodovias federais foram construídas pelo governo federal na década de 1970, um grande investimento para a época. Depois disso, não houve mais nenhum grande investimento nas rodovias do Brasil. O que gerou um desgaste na pavimentação”, explica.

Jefferson Cristiano esclarece que antes de pensar em manutenção, é preciso pensar em três características básicas: simetria, geometria, desgaste do pavimento. “São questões muito importantes para garantir a segurança dos usuários da via, além da durabilidade”, complementa.

O gerente-executivo de estatística e pesquisa da CNT ressalta ainda que, depois que as rodovias do País foram construídas, principalmente na região Sudeste e em Minas Gerais, as condições eram outras. “A quantidade de carros, transportes de cargas foram projetadas para outra demanda. O problema é que as construções obedecem, até hoje,  às diretrizes antigas, o que precisa ser readequado para a nova realidade de transporte de carga e de pessoas que trafegam pelas rodovias”, pontua.

Grandes problemas

Trechos longos sem acostamento, pista simples sem sinalização na pista, extensão sem faixas centrais e laterais são outros pontos de grande perigo para quem usa as rodovias do Brasil.

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O professor Ronderson Queiroz Hilário, do Departamento de Engenharia de Transportes e Geotécnica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), avalia que, nos últimos dez anos, não houve nenhum investimento na malha rodoviária da região Sudeste, principalmente de Minas Gerais.

“O Ministério da Infraestrutura não disponibiliza nenhum recurso para a melhoria para as rodovias que cortam Minas Gerais. O que vemos são medidas paliativas como tapa-buraco, que não resolve absolutamente nada. Além disso, falta o controle da pesagem de carga, o que evitaria um desgaste maior da pavimentação”, esclarece.

Hilário avalia que como o governo federal não possui recursos para investir na manutenção e construção de novas rodovias, o indicado são as concessões, como é o caso das BRs 381 e 262, trecho conhecido como Rodovia da Morte. “Atualmente a concessão é o caminho, pois assim encontramos um serviço de qualidade ao invés de medidas pouco eficazes”.  

Com um investimento previsto de R$ 13,4 bilhões, o leilão das BRs 381 e 262 foi adiado por duas vezes pelo Ministério da Infraestrutura (MInfra). O certame estava marcado para 25 de novembro e foi adiado para 20 de dezembro, porém, a concorrência foi postergada mais uma vez. De acordo com a pasta,  o projeto terá o edital readequado para inserir novas tecnologias para duplicação das rodovias, com o objetivo de atrair mais investidores. Ainda não há data para o novo leilão.

O gerente-executivo de estatística e pesquisa da CNT, Jefferson Cristiano, reforça que para o governo federal a manutenção das rodovias gera um alto custo, o que faz com que apenas 0,09% do Produto Interno Bruto (PIB) do País sejam investidos em obras no setor. “E atualmente com essa crise econômica na qual estamos vivendo, é quase impossível que tenhamos algum recurso federal para essas rodovias”, opina.

Jefferson Cristiano avalia que o melhor transporte para cargas agrícolas e de mercadorias para portos e consumidores seria a utilização e investimento nas ferrovias do País. Com o uso do modal, segundo ele, haveria menos perdas de produtos, com custo menor, mais segurança e menos poluente.

O mesmo pensamento é compartilhado pelo professor Ronderson Queiroz Hilário, que aponta as ferrovias como um modelo prático e seguro para o transporte de cargas e pessoas. “É um modelo que o Brasil precisa investir mais, até porque estamos falando em menos poluição, o que também ajuda e muito”, complementa. 

Qualidade das estradas recuou no Brasil

As rodovias brasileiras apresentaram queda na qualidade e necessitam de investimentos em recuperação. O cenário preocupante foi apresentado na Pesquisa CNT de Rodovias, da Confederação Nacional de Transportes (CNT).

“No ano em que o País registra o mais baixo investimento do governo federal em infraestrutura de transportes nas últimas duas décadas, a CNT investe em novas tecnologias e avalia 109.103 quilômetros de rodovias pavimentadas federais e estaduais”, informou a entidade.

Esse levantamento constatou que o Estado Geral de 61,8% da malha rodoviária brasileira encontra-se classificada como Regular, Ruim ou Péssimo. Desse percentual, 91% são de rodovias públicas.

“Os resultados da Pesquisa CNT de Rodovias 2021 mostram um cenário de preocupante queda da qualidade das rodovias brasileiras, questão que precisa ser enfrentada com grande rapidez e assertividade. A forte retomada de investimentos é urgente e necessária para prover ao País uma malha rodoviária mais moderna e eficiente, condição indispensável para a promoção do desenvolvimento. E, nesse sentido, a análise técnica da CNT nesta Pesquisa é um importante instrumento para fomentar as melhores soluções”, ressalta o presidente da CNT, Vander Costa.

O estado geral das rodovias compreende três características estudadas: pavimento, sinalização e geometria da via. Elas levam em conta, respectivamente, variáveis como condições do pavimento, placas e alguns elementos da via, como as curvas. Tais aspectos recebem classificações que vão desde ótimo e bom a regular, ruim e péssimo.

Na comparação com a edição anterior da pesquisa, chama a atenção o percentual de trechos sob gestão pública. O estado geral na classificação ótimo e bom caiu de 32,5%, em 2019, para 28,2%, em 2021. O mesmo ocorre na classificação negativa: a extensão avaliada como regular, ruim e péssimo aumentou de 67,5%, em 2019, para 71,8% em 2021, ou seja, são mais 2.773 km de rodovias que estão em condições insatisfatórias de circulação. Na prática, é como se o motorista percorresse seis vezes, nessas más condições, o trecho do Rio de Janeiro a São Paulo.

A condição de sinalização é outro agravante. Nesse quesito, os problemas nas rodovias públicas aumentaram 12,1 pontos percentuais nos últimos dois anos e passaram de 56,4% para 68,5%.

De acordo com a entidade, a perda de qualidade das rodovias federais ocorre após anos de investimentos bem-sucedidos feitos pelo governo federal por meio do programa BR-Legal, sua efetividade parece ter chegado ao fim, uma vez que a qualidade da sinalização das rodovias mantidas pela União em 2021 (64,7% da extensão com problemas) voltou ao mesmo nível de 2014 (63,1% com problemas), quando do início do programa.

Concessão – Em situação relativamente estável estão as rodovias pavimentadas sob concessão da iniciativa privada. O estado geral da malha rodoviária concedida em 2021 se manteve praticamente como em 2019. A avaliação do trecho aferido como ótimo e bom foi de 74,2% este ano. Em 2019, esse percentual tinha sido de 74,7%.

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