Consumo em Minas atingiu 6.513 megawatts médios em maio | Crédito: Marcos Santos / USP Imagens

A pandemia do Covid-19 foi a principal responsável pela queda de 9% no mercado livre de energia em Minas Gerais em maio na comparação com o mesmo período do ano passado. O dado foi divulgado pela Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel).

Embora não seja um número bom, conforme destaca o presidente executivo da entidade, Reginaldo Medeiros, o resultado, segundo ele, “é surpreendente”. Isso porque, diz, esperava-se uma redução ainda maior. Nos primeiros 20 dias de pandemia, lembra, a queda chegou a 17% em todo o Brasil.

Os não tão impactantes resultados de maio estão relacionados, em grande medida, à solidez do setor industrial no Estado, de acordo com Medeiros. Minas Gerais teve um consumo de energia de 6.513 megawatts médios no quinto mês do ano, sendo que 49% tiveram como fonte o mercado livre de energia.

Atualmente, de acordo com a Abraceel, as principais usuárias desse tipo de serviço em Minas Gerais são as indústrias da metalurgia e da extração de minerais.

“Os números não foram tão assustadores como se pensava no início, principalmente se comparar com outros setores da economia”, afirma Medeiros.

Isso porque, diz ele, apesar de muitas indústrias terem diminuído o ritmo de produção, a maioria não parou as atividades. Outras, por sua vez, já voltaram à ativa.

Renegociações – No entanto, fato é que, mesmo a redução não sendo tão grande para a área quanto a prevista, várias empresas já não produzem como antes. Nesse cenário, as fornecedoras de energia do mercado livre tiveram de agir e se adaptar ao novo contexto.

Presidente da Argon Energias, empresa que tem negócios em várias partes do País, inclusive em Minas Gerais, Moacyr Carmo conta que o empreendimento fez uma série de renegociações com os clientes que sofreram com a baixa de demanda. Um exemplo foi a extensão de prazos para pagamento.

“Compreendemos as dificuldades, negociamos e fomos flexíveis. Cadeias de hotéis, por exemplo, chegaram a fechar unidades e reduziram bastante o consumo”, ressalta ele.

Expectativas – Neste ano, Medeiros, da Abraceel, não acredita que muitas empresas vão migrar para o mercado livre de energia ainda. Até porque, diz ele, a maior parte que pode usufruir desse tipo de serviço já o faz.

O presidente da Abraceel lembra que apenas quem tem um consumo acima de 500 KW, o que equivale a uma conta de cerca de R$ 100 mil, está autorizado a comprar do mercado livre de energia. Nesse momento, as expectativas são de que a regra mude.

“Nossa indústria está precisando de competição, fazer compras a preços mais baixos para gerar emprego e renda. É preciso que se dê liberdade para outros tipos de consumidores adquirirem do mercado livre de energia”, salienta ele.

Em tempos normais, de acordo com Reginaldo Medeiros, a economia na conta de luz de quem opta pelo mercado livre de energia gira em torno de 30%. Agora, em que há “sobra de energia” no País, ou seja, maior oferta e menos demanda, a redução chega a 40%.

Mesmo diante de algumas oportunidades, Carmo, da Argon Energias, acredita que a recuperação do mercado será lenta. Números próximos aos de antes da pandemia, para ele, só deverão ser vistos no fim do primeiro semestre de 2021.

“No terceiro trimestre deste ano, a gente já deve observar uma retomada por conta da liberação do comércio e das atividades dos hotéis. Porém, deve ser algo lento. Todos estão muito prudentes. Não dá para acelerar ainda”, afirma.