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Economia

Mercosul-UE: Dirigente alerta para risco a empresas do País

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Crédito: Alan Santos/PR

O Conselho Empresarial de Relações Internacionais da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas) recebeu, ontem, o vice-presidente do Conselho do Comércio Exterior (Cosex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Stefan Bogdan Salej, para falar sobre os desdobramentos dos acordos de livre comércio e impactos no desenvolvimento de Minas Gerais.

No evento, o palestrante destacou os riscos para as empresas nacionais pouco preparadas para enfrentar a entrada de produtos europeus no mercado brasileiro e para exportar e a posição de Minas Gerais como uma marca internacional, entre outros temas. O executivo é também ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas).

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“Minas Gerais tem uma grandeza na sua economia e na força da sua gente que é muito maior do que nós acreditamos e fazemos acreditar tanto dentro como fora do Brasil. O papel do Estado na política externa brasileira é fundamental. Há 25 anos, em Ouro Preto (região Central), foi sediada a assinatura do acordo que criou o Mercosul. Para mim, esse é o acordo principal que nós temos e determina todos os outros que temos. Não podemos fazer nada sem levar em consideração o Mercosul”, explicou Salej.

A despeito dessa importância histórica, o empresário chamou a atenção sobre a falta de estudos no Brasil e em Minas sobre os impactos do acordo com a União Europeia sobre o mercado nacional e especialmente sobre o setor produtivo. Essa lacuna impede que as empresas se preparem para suportar a competição não apenas pelo mercado europeu, mas também como pelo próprio mercado brasileiro.

Internacionalização – “Precisamos fazer um projeto ainda maior de internacionalização, com a inserção de pequenas e médias empresas que são o sustentáculo da economia. Levar a marca Minas Gerais e produtos mineiros – como já acontece com o pão de queijo, o café especial, cachaças, entre outros -, que podem antecipar esse espaço a ser conquistado. Comércio exterior é reflexo de toda uma política e estratégia econômica. A pergunta é se Minas tem hoje uma estratégia de desenvolvimento e se sabe quanto, além da crise fiscal, o Estado vai crescer. Quais setores vão crescer e levar ao aumento de empregos?”, analisou o ex-presidente da Fiemg.

O controverso posicionamento do governo federal a respeito da questão ambiental também deve pesar sobre as relações comerciais do Brasil com o exterior, especialmente a União Europeia. Para ele, o meio ambiente pode ser um ativo ou um empecilho para a realização de boas negociações.

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“Minas é um branding, uma marca forte no exterior, mas a questão de Brumadinho é uma mancha gigantesca sobre o Estado. (A cidade foi vítima do rompimento da barragem da Mina do Feijão, de responsabilidade da mineradora Vale, que deixou 248 mortos e 22 desaparecidos, em 25 de janeiro). Enquanto o governo não se posicionar firmemente e demonstrar mudanças que garantam a segurança da mineração praticada no Estado, a conquista de novos investimentos continuará sendo muito difícil”, alertou.

Para o presidente do Conselho Empresarial de Relações Internacionais da ACMinas, Sílvio Soares Nazaré, a hora é de buscar organização para transformar o que pode parecer um desastre em oportunidade.

“Tivemos aqui uma palavra muito contundente do Salej, que vai nos ajudar a caminhar de forma mais lúcida tendo em vista os acordos que estão sendo firmados. Não foi uma palavra de um futuro muito brilhante. São nesses momentos que a gente precisa se alicerçar, desenvolver conhecimento e, como Associação Comercial, ajudarmos as empresas a vislumbrarem de uma forma mais adequada esse cenário, para que elas sejam capazes de fazer parte da competição global”, afirmou Nazaré.

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