Anuário da Cerveja 2026: MG registra queda de cervejarias, mas mantém potencial associado ao turismo e à harmonização gastronômica
O número de cervejarias registradas em Minas Gerais apresentou queda de 2,5%, com 236 estabelecimentos em 2025. Esse movimento, observado no Anuário da Cerveja 2026, está relacionado a uma fase de consolidação do setor cervejeiro nacional, com empresas menos estruturadas perdendo espaço no mercado.
Apesar do recuo, o Estado permanece entre os quatro com maior número de operações. O Top 3 é formado por São Paulo (452), Rio Grande do Sul (325) e Santa Catarina (247).
O levantamento realizado pela Secretaria de Defesa Agropecuária (DAS) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) demonstra que Minas possui uma cervejaria para cada 90.350 habitantes. Essa é a quinta maior densidade cervejeira do Brasil, atrás apenas de Santa Catarina (32.625), Rio Grande do Sul (34.554), Espírito Santo (42.290) e Paraná (63.234). O volume no mercado mineiro fechou abaixo da média nacional, de uma unidade para cada 108.794 habitantes.
O presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), Márcio Marciel, avalia que Minas ocupa uma posição de destaque no cenário cervejeiro nacional, mantendo-se entre os principais polos produtores do País. Ele cita a combinação de características como a presença de grandes indústrias, cervejarias independentes e forte conexão com a gastronomia e o turismo regional.
“O Estado também se destaca pela geração de empregos, com mais de 4,7 mil postos diretos na fabricação de cerveja e chope, além de concentrar municípios importantes para o setor, como Belo Horizonte, Nova Lima, Juiz de Fora e Uberlândia”, acrescenta.

Para o dirigente, a relevância do mercado mineiro vai além da quantidade de cervejarias ativas. Marciel ressalta a cultura cervejeira consolidada no Estado e o aumento do interesse do consumidor local pela diversidade de estilos. Outro ponto mencionado é a existência de uma cadeia produtiva que movimenta inovação, turismo, gastronomia e desenvolvimento regional.
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Embora o ritmo de crescimento do setor tenha desacelerado nos últimos anos, o presidente-executivo do Sindicerv acredita que ainda há espaço para novos empreendimentos. As oportunidades são ainda maiores para aqueles capazes de identificar nichos de mercado, criar experiências diferenciadas e fortalecer vínculos com o consumidor local.
“O cenário atual é diferente daquele observado há uma década, quando o crescimento era impulsionado principalmente pela expansão do número de cervejarias. Hoje, a competitividade exige maior foco em gestão, inovação, posicionamento de marca e eficiência operacional. Isso não significa ausência de oportunidades”, relata.
Na visão do executivo, Minas Gerais continua sendo um dos mercados mais dinâmicos do Brasil, com forte potencial para projetos ligados ao turismo cervejeiro, harmonização gastronômica, produtos especiais e novas ocasiões de consumo.
Desempenho dos municípios mineiros
Entre as 25 cidades com mais cervejarias registradas no País, quatro são mineiras. O grande destaque é Belo Horizonte, com 24 operações deste tipo, respondendo por 10,2% do total em Minas. Apesar da queda de 4% frente a 2024, a capital mineira segue entre os destaques no ranking nacional, em quarto lugar. Ela fica atrás apenas de São Paulo (SP), com 61 estabelecimentos; Porto Alegre (RS), com 35; e Curitiba (PR), com 25 unidades.
Os demais municípios de Minas Gerais presentes na lista são: Juiz de Fora, na Zona da Mata, com 21 cervejarias; Nova Lima, na região metropolitana, com 19 cervejarias; e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, com dez estabelecimentos registrados. Ao todo, apenas 100 municípios mineiros possuem, pelo menos, uma cervejaria, o equivalente a 11,7% do total.
O estudo identificou uma redução de oito cidades frente ao ano anterior, no entanto, o Estado segue entre os mercados com maior número de municípios com estabelecimentos desse tipo, na quarta posição, com 12,59% do total no País (794). Os três primeiros são São Paulo (173), Rio Grande do Sul (145) e Santa Catarina (106).
Quanto à análise de densidade cervejeira por municípios, Minas possui dois representantes no Top 25 nacional, ambos na região Sul do Estado. O primeiro é Córrego do Bom Jesus, com um estabelecimento para cada 2.215 habitantes; já o segundo é a cidade de Gonçalves, com uma cervejaria para cada 2.446 habitantes. O grande destaque nacional é Linha Nova, no Rio Grande do Sul, com uma operação para cada 860 habitantes.
Consolidação do setor
Por outro lado, Minas também registrou 25 cancelamentos ou vencimentos de registros de cervejarias, o terceiro mais elevado no mercado nacional, atrás apenas do Rio Grande do Sul (36) e de São Paulo (34), e respondendo por 15,8% do total no Brasil (158). De acordo com Marciel, fatores como o elevado número de cancelamentos de registros e a redução de municípios em Minas refletem um processo de amadurecimento do mercado cervejeiro brasileiro.
Ele esclarece que esses movimentos não devem ser interpretados exclusivamente como retração. Isso porque, segundo o especialista, o setor vive uma fase de consolidação, na qual empresas menos estruturadas enfrentam maiores desafios para permanecer no mercado, enquanto outras buscam ganhos de escala, eficiência e profissionalização.
“Além disso, fatores econômicos como custos operacionais, juros elevados, mudanças no comportamento do consumidor e maior competição por ocasiões de consumo também influenciam esse cenário”, completa.
O presidente-executivo do Sindicerv pontua que o mercado mineiro continua sendo um dos principais polos cervejeiros e mantendo um papel relevante na geração de empregos e na diversidade de marcas e produtos disponíveis ao consumidor.
Marcas registradas no setor cervejeiro

O anuário ainda demonstra que o mercado mineiro segue com o segundo maior volume de cervejas registradas, com um total de 6.299, o equivalente a 26,7 por estabelecimento. Mesmo com a retração de 239 produtos na comparação com o observado em 2024, Minas segue atrás apenas de São Paulo, que fechou com 13.240 cervejas registradas. O Estado responde por 14,25% do total registrado no Brasil (44.212).
Na divisão por municípios brasileiros, quatro das dez cidades com mais produtos registrados são mineiras. Entre elas, o principal destaque é Nova Lima, que figura na terceira posição geral, com 1.268 cervejas registradas ou 20,1% do total em Minas. Em seguida aparecem: Juiz de Fora (782), Belo Horizonte (742) e Uberlândia (742).
Empregos e expectativas para 2026
O estudo também aponta que na análise do estoque de empregos no setor cervejeiro, Minas Gerais possui o terceiro maior volume do País, com 4.720 empregos, o equivalente a 11,24% do total registrado no mercado nacional (41.976). Os líderes são os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, com 14.182 e 5.216, respectivamente, o equivalente a 33,79% e 12,43% do total.

O presidente-executivo do Sindicerv ressalta que as expectativas do setor cervejeiro para este ano são de continuação do processo de amadurecimento, com foco crescente em inovação, eficiência e diversificação do portfólio. Ele acredita que tendências como cervejas sem glúten, produtos voltados para diferentes estilos de vida e experiências de consumo mais qualificadas devem seguir ganhando espaço.
“Também devemos observar um ambiente cada vez mais orientado por valor agregado, inovação e fortalecimento das marcas”, acrescenta.
Marciel avalia que Minas Gerais reúne características favoráveis para acompanhar esse movimento, combinando tradição cervejeira, forte mercado consumidor, turismo consolidado e capacidade empreendedora.
“Apesar dos desafios econômicos e regulatórios que seguem no radar do setor, a perspectiva é de continuidade dos investimentos, desenvolvimento de novos produtos e fortalecimento da cultura cervejeira brasileira”, conclui.
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