Desenvolvimento de usinas fotovoltaicas e eólicas no País foi citado durante seminário na Capital -Crédito: Faisal Al Nasser/Reuters

A modernização do setor elétrico brasileiro foi um dos temas mais debatidos durante o segundo dia da 25ª edição do Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia (SNPTEE).

O evento, que será realizado até amanhã, no Expominas, e que voltou a ser feito no Estado após 30 anos, reúne os principais nomes da área para discutir os assuntos mais relevantes do segmento no Brasil.

“O setor elétrico tem mudado de maneira ágil. A presença de fontes renováveis chegou e evoluiu muito rápido, principalmente quando se trata das usinas eólicas e fotovoltaicas”, destaca o coordenador-geral do encontro e superintendente de geração e transmissão da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Nelson Benício.

De acordo com ele, essas transformações representam uma oportunidade para as organizações do segmento. “Grandes empresas estão reajustando o seu cursor para poder aproveitar essas oportunidades”, diz.

Nesse cenário, lembra ele, o Brasil tem bastante a oferecer, podendo, inclusive, tornar-se uma referência em geração de energia. “Somos muito ricos em sol, vento, recursos naturais. O Brasil caminha a passos largos para encostar nos grandes produtores geradores de energia renovável”, afirma.

Debates – Ontem foi realizado, durante o evento, o I Encontro de Líderes (CEOs), que contou com grandes nomes do setor. Um dos presentes, o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Neto, destacou que algumas das tendências para o segmento são a digitalização, a inserção de renováveis e a eficientização do setor elétrico brasileiro.

“Esse é um dos mais importantes eventos do segmento. Temos oportunidade de conversar com os formuladores de políticas públicas e com os principais fornecedores e concessionários de serviços públicos na área de energia elétrica. A presença do regulador aqui é relevante, porque nós identificamos tendências tecnológicas, regulatórias e que serão o futuro dos próximos anos do setor elétrico brasileiro”, afirmou ele.

Também uma das participantes, a chefe da assessoria especial em assuntos regulatórios do Ministério de Minas e Energia, Agnes Costa, destacou que um dos temas mais urgentes na área atualmente é a separação de lastro e energia, “que é separar a energia da confiabilidade do sistema”, salienta.

O assunto é relevante, lembra ela, porque atualmente os consumidores regulados pagam o lastro, que já está na conta, enquanto boa parte do mercado livre ainda não. “A ação é importante para a expansão do mercado”, afirma.

Diversidade – Outros pontos destacados por ela têm a ver com a questão da diversidade que tem sido estimulada no setor, tanto no que diz respeito a gênero quanto à faixa etária.

“Quando a gente fala de modernização, de muitas tecnologias entrando, esse setor tem que responder rapidamente. Esse é um segmento que a gente chama de indústria de rede. Ele, na origem, é muito de infraestrutura, de engenharia. Hoje, como o mundo está evoluindo muito, você precisa pensar em serviços, flexibilidade. Está sendo reconhecida a necessidade de integração de faixa etária, de ter a experiência de pessoas que estão e que construíram esse setor, que é muito robusto e confiável, mas também trazer esse pessoal que pensa um pouco diferente, que são as pessoas mais jovens”, diz.

Ela também ressalta que existem muitas mulheres competentes no segmento e que as mais jovens, principalmente, buscam referências, querem se identificar com os seus pares. Por isso, o fórum voltado para as mulheres, que será realizado amanhã, é tão importante, diz ela.

Desafios – O vice-presidente da empresa de origem chinesa State Grid Brazil Holding, Ramon Haddad, por sua vez, destacou que um grande desafio do setor de energia atualmente é a própria mudança do modelo de geração de energia e, por consequência, do modelo de transmissão e do modelo de distribuição.

“Estamos vendo as energias renováveis entrarem fortemente no mercado, o consumidor sendo produtor de energia, e isso muda a forma como o setor irá se desenvolver e não é diferente na transmissão”, diz.

De acordo com ele, a transmissão tem um grande desafio “de qualquer que seja a fonte e qualquer que seja o consumo garantir robustez para que esse modelo funcione. Então, eu vejo na transmissão um fator decisivo, primordial, essencial e facilitador do novo modelo de negócios no Brasil. Se você tiver uma malha forte, robusta, sólida de transmissão, você não vai se preocupar com a fonte geradora e com a carga, porque você pode produzir o que quiser, onde estiver, e consumir do jeito que você achar melhor no seu centro de carga”.

A State Grid construiu a maior linha de transmissão do mundo de +800kV, que conecta a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, à região Sudeste, passando por Tocantins, Goiás, Minas Gerais e chegando a Paracambi, no Rio de Janeiro. A linha tem 2.539 km e foi orçada em R$ 8,77 bilhões.

De acordo com Ramon Haddad, hoje em dia, o Brasil é o principal destino de investimentos da empresa. “Pela oportunidade que o País traz, pela necessidade que tem, pela segurança legal regulatória que apresenta”, afirma ele, que também diz que Minas Gerais tem condições atrativas de investimentos. “É um Estado que permite investir com segurança, tem várias fábricas e fornecedores e mão de obra qualificada”, analisa.