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Números de exportações acendem alerta para fundamento da taxa de câmbio

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Gastos dos brasileiros no exterior apresentam queda
Crédito: REUTERS/Ricardo Moraes

São Paulo – Os fundamentos da taxa de câmbio viram um “sinal amarelo” acender depois de mais um ano de exportações mais fracas em 2020, quando o desalinhamento cambial negativo ficou perto de recordes, mostrou estudo da FGV encaminhado à Reuters.

E segundo Emerson Marçal – coordenador do Centro de Macroeconomia Aplicada da Escola de Economia de São Paulo da FGV (FGV EESP) e um dos autores do estudo, de divulgação trimestral, curiosamente a piora na variável exportações pode ajudar a reduzir a divergência entre as taxas de câmbio do modelo e efetivas, mas não pela valorização do real, e sim pela deterioração dos fundamentos.

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“Se a queda nas exportações continuar, o resultado de conta corrente vai piorar, uma vez que, com a perspectiva de retomada da economia, as importações devem crescer”, disse Marçal. “Se isso se confirmar, vai atrapalhar o mercado de câmbio. É um sinal amarelo que se acende. Talvez os fundamentos externos da economia tenham começado a piorar”, completou.

Em dólares, as exportações brasileiras caíram 6,88% em 2020, depois de recuo de 5,80% em 2019, de acordo com o Ministério da Economia.

Por outro lado, ponderou o estudioso, os termos de troca do Brasil – razão entre os preços das exportações e importações – subiram no ano passado. Pelos dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), a medida encerrou setembro no maior patamar desde 2014.

“No curto prazo, no geral, o câmbio deve continuar pressionado, operando em 5 reais e alguma coisa, e o desalinhamento não deve reverter tão rápido. Porém, há risco de reversão do desalinhamento pela piora dos fundamentos.”

Em dezembro de 2020, o desalinhamento cambial médio ficou negativo em 22,2%, uma forte reversão ante o desalinhamento cambial positivo de 3,0% de 2019. Entre os modelos listados, o desalinhamento variou de -32,8% a -5,4%.

Em dezembro, o gap entre a taxa de câmbio efetiva real média sugerida pelos modelos e a taxa realizada ficou em -18,4%, ante -22,5% em novembro. (Reuters)

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