Crédito: Antonio Cruz/ABr

No dia em que o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na região Central do Estado, completou quatro anos (5 de novembro), Minas Gerais sediou a XVII Reunião de Ministros e Altas Autoridades de Gestão Integral de Riscos de Desastres do Mercosul.

O evento, realizado na Cidade Administrativa, reuniu delegações de Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai para trocar experiências e buscar soluções para a prevenção e o combate a diversas ameaças, de origem natural ou não, e aprender uns com outros de acordo com as atitudes tomadas diante de tragédias como as que aconteceram no Estado.

“A gente fala sobre todos os tipos de riscos. Já tivemos uma palestra do Paraguai sobre incêndios florestais, que também é um desastre que não respeita fronteiras”, destaca o secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, coronel Alexandre Lucas, que frisa, ainda, que, desta vez, a discussão maior gira em torno da melhoria da integração dos serviços meteorológicos para emissão de alertas e também da cooperação entre os municípios de fronteiras.

Ele lembra que somente o Mercosul conta com 461 municípios que fazem fronteiras entre si e que muitas vezes os desastres não as respeitam, passando de um lado para o outro. Por isso, é necessário haver protocolos de cooperação que tornem o socorro efetivo e principalmente que atuem na prevenção dos desastres.

“Logicamente, nós escolhemos Minas Gerais pela experiência que adquiriu não só com os desastres de Mariana e Brumadinho, mas principalmente com todo o processo de aperfeiçoamento da prevenção que tem sido feito pela Defesa Civil do Estado”, ressalta ele.

Alexandre Lucas destaca ainda que Belo Horizonte também é um exemplo para o Brasil e para o mundo, inclusive pelo fato de ter ganhado o Prêmio Sasakawa em 2013, concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e relacionado à prevenção de riscos e de desastres.

O tenente-coronel Flávio Godinho, coordenador adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, afirma que é muito importante que a reunião seja realizada no Estado, que conta com ações que podem ser vistas como uma referência.

Ele cita como exemplo um simulado relacionado a possíveis rompimentos de barragens realizado em Itabira, no último mês de agosto, na região Central do Estado, o maior feito no País, que teve projeção de aproximadamente 21 mil participantes.

“Uma organização para um megaevento desse mostra como Minas Gerais está preparado para enfrentar crises e passar por um momento de reeducação, de aprendizado e de ensino para a comunidade”, afirma ele. “Tivemos inúmeros processos de simulados, e isso está acontecendo até hoje”, diz.

O tenente-coronel também afirma que Minas Gerais tem feito treinamento com as defesas civis de todos os municípios e realiza, ainda, a entrega de água potável para as cidades localizadas na região Norte, que passam por uma situação complicada por causa da seca.

Gestão – O diretor do Sistema Nacional de Emergências (Sinae) do Uruguai, Fernando Traversa, afirmou que existe uma consciência de que a gestão de risco tem a ver com a possibilidade de estar devidamente preparado, trabalhando em sistemas articulados.

De acordo com ele, é necessário trabalhar 365 dias por ano e desenvolver capacidades como emissão de alertas no tempo devido, aumento da resiliência das cidades, entre outros.

“Cada um dos países têm que analisar quais são as suas condições para trabalhar”, diz ele. “Em Belo Horizonte, a geografia tem muitos morros, há o risco de deslizamentos. No Uruguai, não temos, é um país suavemente ondulado”, exemplifica.

Próximos passos – Ao fim dessas reuniões, é gerado um relatório condensado com todas as ações apresentadas pelos países participantes, bem como um protocolo do que vai ser tratado nos próximos encontros, para que cada nação possa aprender com as boas práticas das outras.