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Bolsa de Valores brasileira tem sido fortemente afetada pela instabilidade econômica global nos últimos meses e, só em fevereiro, o Ibovespa recuou 8,5% | Crédito: Paulo Whitaker/ Reuters

Cautela. Essa deverá ser a atitude que pautará as empresas brasileiras em relação aos IPOs. Com um cenário incerto, sobretudo diante da expansão do coronavírus, que já matou mais de quatro mil pessoas em todo o mundo e vem gerando grandes impactos na economia, os empreendimentos que tinham a expectativa de abrir o capital na Bolsa de Valores deverão esperar um pouco mais.

De acordo com os dados disponibilizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), há duas empresas mineiras com ofertas em análise atualmente, Riva 9 Empreendimentos Imobiliários S.A. e Canopus Holding S.A.

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Para o professor e coordenador do curso de administração do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) Eduardo Coutinho, entretanto, as empresas devem escolher um momento em que a “onda está boa” para entrar no universo das ações – e este, definitivamente, não é o atual. Para se ter uma ideia, no mês de fevereiro, o Ibovespa teve queda de 8,5%.

“O momento é de muita oscilação. Há o risco de a precificação da empresa ser menor do que ela gostaria. O mercado vai fazer uma avaliação do empreendimento pela média, sendo influenciado por situações ruins, alheias à companhia”, diz ele.

O head de renda variável da WFlow, Fabiano Montans, também aponta que “as empresas que tinham perspectiva de retomada da economia para captar dinheiro e expandir os seus negócios ajustam a sua projeção de crescimento para baixo. Elas não veem mais a necessidade de fazer uma oferta onde provavelmente não haverá uma demanda”, analisa.

E se o coronavírus já tem sido um fator preocupante para a economia mundial, mais uma discussão entrou em pauta, fazendo o mercado financeiro fervilhar ainda mais. Conforme destaca Eduardo Coutinho, a queda no preço do petróleo e a tensão entre a Rússia e a Arábia Saudita também têm seus impactos negativos, deixando todo o cenário ainda mais instável.

Reviravolta – Tudo isso acontece em um ano em que as projeções eram totalmente opostas ao que se vê atualmente. Conforme ressalta o sócio e head de produtos da Monte Bravo, Rodrigo Fanchini, o mercado em 2020 começou com uma demanda maior para a renda variável. Vale lembrar que as taxas de juros estão cada vez mais baixas, o que motiva os investidores a procurarem opções como as ações. “As pessoas estavam tomando mais riscos”, frisa ele.

Agora, porém, com toda a instabilidade presenciada, o comportamento pode ser completamente o contrário: a demanda de aceitação das ações diminuir e a entrada das empresas na Bolsa não conseguir atrair as pessoas.

A analista de investimentos da Terra Investimentos, Sandra Peres, também ressalta como a situação mudou em tão pouco tempo. “Havia um cenário de crescimento mundial, de crescimento interno, de aprovação de reformas. Teríamos uma economia mais robusta, aqui e no mundo”, diz.

Agora, destaca ela, já não há como prever o que vai ocorrer, se as questões do coronavírus e do petróleo irão se amenizar e, com isso, o mercado de ações voltar à normalidade, consequentemente atraindo as empresas à abertura de capital.

Para Rodrigo Fanchini, porém, mesmo que algumas situações se amenizem, pode haver uma demora na retomada da Bolsa. “A retomada da Bolsa não é rápida como a queda. Se uma empresa quer realizar uma emissão de IPO, deve esperar pelo menos uns seis meses.

É uma estratégia arriscada querer entrar no mercado mesmo com a situação atual. O preço da ação pode ser menor do que o negócio esperava, o que gera, inclusive, um risco para a sua imagem”, diz.

O professor dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV) Mauro Rochlin lembra que toda essa situação vivenciada pelo mercado de ações tem, inclusive, reflexos macroeconômicos.

“Com um cenário como esse, em que há quedas extremamente expressivas, as empresas perdem, mesmo que momentaneamente, esse meio de captação que é a Bolsa. Isso acaba tendo, inclusive, impactos em termos macroeconômicos”, avalia.

BNDES anuncia pausa em negociações de ações

Rio de Janeiro – O presidente do BNDES, Gustavo Montezano, disse ontem que o banco fará uma pausa na venda de ações, devido à instabilidade das bolsas de valores provocada por preocupações com o coronavírus, mas manterá a estratégia nos próximos anos.

“O momento agora é de espera e cautela, porque o que vivemos hoje não é um choque financeiro e temos que aprender com o que está por vir”, disse ele.
O BNDES já havia contratado bancos para organizar a venda da participação na JBS, na qual detém 21,3% do capital.

A carteira de renda variável foi o destaque do BNDES em 2019, quando teve lucro recorde de R$ 17,7 bilhões, alta de 164% ante 2018. A venda de participações societárias do banco somou cerca de R$ 16,5 bilhões.

Essa carteira teve valorização de R$ 34,9 bilhões em 2019. Mas, nos últimos 50 dias, a desvalorização foi de R$ 30 bilhões, sendo R$ 12 bilhões na última segunda-feira, disse ele.

“Com uma desvalorização substancial de agora e sem ter um preço mais estabilizado, não é trivial encontrar preços de referências para as ações”, disse Montezano a jornalistas.

No entanto, o BNDES não pretende por ora adotar nenhuma medida anticíclica, como abrir novas linhas de crédito para empresas. Também não está nos planos reduzir juros dos empréstimos ou ampliar prazos de carência aos tomadores.

Segundo Montezano, o banco entende que essas medidas não são necessárias no momento, porque há liquidez nas linhas de crédito e funding. “A gente entende que nosso papel contraciclico nesse momento é manter as linhas abertas e inalteradas”, ponderou o executivo. “Se algum cliente que fosse fazer uma emissão de debêntures e o mercado fechar temporariamente, ele pode recorrer ao banco e vamos financiar”.

Em 2019, os empréstimos do BNDES somaram R$ 55 bilhões, menor nível desde os R$ 49,4 bilhões de 1996. A previsão para desembolsos este ano é de R$ 60 bilhões a R$ 70 bilhões.

Montezano reforçou que o banco está sólido para eventuais necessidades. O BNDES tem uma posição de caixa de R$ 140 bilhões, além de uma perspectiva de recebimento de empréstimos feitos no passado de R$ 100 bilhões.

Por conta da crise nos mercados, o banco avalia quanto vai devolver este ano ao governo. Em valores pré-aprovados, estão previstos cerca de R$ 17 bilhões.

Em 2019, as devoluções do BNDES somaram R$ 142 bilhões, sendo R$ 123 bilhões referentes a repasses do Tesouro Nacional, R$ 9,5 bilhões em dividendos e R$ 9,7 bilhões em tributos. (Reuters)

Banco garante R$ 140 bilhões para financiamentos

Rio de Janeiro – O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, afirmou ontem que o banco está em uma situação estável e superconfortável de liquidez e de capital para atender aos pedidos de financiamento e crédito. Segundo Montezano, este ano, estão disponíveis R$ 140 bilhões.

Além disso, o BNDES pode incluir no valor cerca de R$ 30 bilhões de um total de R$ 100 bilhões que deve receber ao longo do ano. “Ainda tem um volume substancial de recursos aumentando a liquidez do banco”.

Montezano destacou que não está em cogitação o lançamento de novos produtos ou de linhas de crédito. Ele disse que, por enquanto, a instituição não vai tomar medidas emergenciais para combater os efeitos do coronavírus na economia, mas assegurou que as linhas continuam abertas.

“Não há qualquer alteração de critério. Não há qualquer interrupção de fluxo, muito pelo contrário. Se houver um aumento de demanda aqui no banco por conta de clientes procurando alternativas de liquidez, teremos o maior prazer em atender. Temos capital e caixa de sobra para fazê-lo”, ressaltou.

Volatilidade – Para Montezano, a venda de participações societárias que favoreceu o lucro líquido recorde registrado em 2019 se mostrou uma decisão acertada, especialmente neste momento em que o mercado mundial enfrenta os efeitos do coronavírus e de grande volatilidade. “Esse momento de volatilidade do mercado nos lembra da importância e do papel contracíclico do BNDES no sistema financeiro e para a sociedade”.

Ele acrescentou que essa estratégia permite ao BNDES ter mais garantias para atuar em situação de emergência, caso a situação da economia mundial se agrave, uma vez que não terá o peso de carregar ações que possam sofrer com as variações do mercado.

“Nessas horas em que o mercado, entre aspas, balança e fica mais inseguro, a presença do BNDES como um seguro para o sistema brasileiro torna-se mais importante. Daí a importância de reduzir a exposição à carteira de renda variável. Temos batido nessa tecla há seis meses. De forma muito bem-sucedida, fomos rápidos e ágeis e conseguimos nos antecipar a essa queda disruptiva do mercado em reduzir em R$ 24 bilhões, ainda neste ano, a nossa exposição em bolsa, e isso fez uma baita diferença para o banco”, disse Montezano.

Para atuar como um “amortecedor” da crise, caso a situação se agrave, Montezano afirmou que as linhas de crédito estão mantidas “tão disponíveis e competitivas” como estavam há um mês. “Não alteramos qualquer condição de linha. Continuamos aprovando as operações com o mesmo critério. Não tem qualquer descontinuidade aos clientes do banco. Isso sim é uma figura contracíclica, isso sim é um amortecedor. (Para) aquele cliente que está com plano de investimentos, de infraestrutura, de repasse, que está com uma operação protocolada, nada muda, e a gente provém, assim, uma estabilidade relevante e substancial nesses momentos em que o mercado fica um pouco mais volátil”.

Ele ressaltou que o papel contracíclico da instituição neste momento é manter as linhas abertas e inalteradas. “Temos hoje dois clientes principais na nossa carteira de crédito. Primeiro, a pequena e a microempresa, que atuam através de repasses, os quais foram responsáveis por 46% da nossa carteira, e as linhas de infraestrutura, que, junto com a exportação, foram responsáveis por 72% do volume de grandes empresas. Essas linhas continuam abertas, inalteradas e disponíveis”. (ABr)

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