Economia

Atividade econômica perde fôlego em MG, diz especialista

Economista da Fundação Dom Cabral não acredita que Minas vai ter um “crescimento substancial” nos próximos meses
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Atividade econômica perde fôlego em MG, diz especialista
Foto: Reprodução Adobe Stock

O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais registrou retração de 0,7% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, o que sinaliza perda de fôlego da atividade econômica mineira no início do ano. Já na comparação ao trimestre imediatamente anterior, o recuo foi de 0,5%.

Na avaliação do professor associado da Fundação Dom Cabral, Eduardo Menicucci, “não há a expectativa de que o Estado tenha uma grande recuperação ou um crescimento substancial logo no segundo trimestre, mas não devemos ter esse cenário de queda de PIB se repetindo mais vezes”. Além disso, ele acredita que, para o segundo semestre, com as eleições, haverá um aumento da instabilidade que vai impactar negativamente a economia.

Para o economista, além de fatores macroeconômicos adversos, tais como juros elevados, pressão inflacionária persistente, incertezas externas e cenário de maior cautela global para novos investimentos, há os desafios enfrentados pelo agronegócio, que tem um peso grande em Minas, como a pauta de exportação e o preço das commodities.

Além disso, o especialista alerta que, para as próximas safras, devido à restrição de crédito para o agronegócio, houve a redução na aquisição de insumos, fertilizantes, máquinas e equipamentos. “Se o fluxo de petróleo voltar a fluir, se tudo voltar a uma relativa normalidade com o fim do conflito no Estreito de Ormuz e no Irã, pode ser que tenhamos os próximos trimestres menos estressados do que foi o primeiro trimestre do ano”, assinala Menicucci.

O resultado foi influenciado principalmente pelas quedas da agropecuária e da indústria, enquanto o setor de serviços avançou e ajudou a amenizar o desempenho negativo. Em valores correntes, o PIB estadual somou R$ 285,7 bilhões nos três primeiros meses do ano. O volume de valor adicionado nas indústrias extrativas apresentou um crescimento de 4,1%.

Em contrapartida, houve ligeira variação negativa, de -0,3%, nas indústrias de transformação. Além disso, a indústria da construção apresentou contração de 3,7% no índice de volume da produção agregada, enquanto a produção das utilidades públicas (água, eletricidade, gestão de resíduos etc.) também ficou abaixo (-2,2%) do volume registrado no primeiro trimestre de 2025. Já nos serviços, o volume de produção teve expansão de 1,5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.

O especialista aponta as medidas econômicas do governo federal, incluindo Move Brasil Táxi e Aplicativos, Desenrola, alternativas para a renegociação do Fies e outras medidas, como atenuantes desse cenário. “Os projetos vão dar um alento para que a economia mineira se recupere nos próximos trimestres deste ano”, afirma o professor.

Minas X Eixo Rio-SP

O desempenho econômico de Minas Gerais no primeiro trimestre de 2026 ficou significativamente abaixo da média nacional e na direção oposta de estados líderes, como São Paulo e Rio de Janeiro. Enquanto a economia brasileira acelerou com um crescimento de 1,1% na margem, Minas Gerais enfrentou um recuo de 0,5%, configurando um cenário de desaceleração isolada em relação aos grandes motores do País. Esse cenário pode ser avaliado levando-se em conta o contraponto com Rio e São Paulo, o fator agropecuário e os dados da indústria extrativa.

O contraste do recuo mineiro com os principais estados e o cenário nacional evidenciam-se em fatores estruturais específicos. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento do PIB nacional foi puxado fortemente pelo consumo das famílias e pela atividade econômica concentrada no eixo Rio-São Paulo. Esses estados se beneficiaram da estabilidade do setor de serviços e de uma indústria de transformação mais resiliente.

No País, a agropecuária cresceu 2,0% impulsionada por safras recordes de soja em outras regiões produtoras (como o Centro-Oeste e o Sul). Minas Gerais, por outro lado, sofreu com quebras locais de safra de grãos importantes, registrando um tombo severo de 9,9% no setor agropecuário na comparação trimestral.

No cenário do PIB do Brasil, a indústria extrativa mineral avançou 3,6% (puxada por petróleo e gás nacional). Em Minas, o foco da atividade extrativa mineral é o minério de ferro, que registrou uma queda drástica de 5,4% na margem, puxando o PIB do Estado para baixo.

O recuo temporário coloca Minas Gerais em uma posição de desvantagem momentânea no início do ano. Contudo, o Estado mantém o posto de segunda maior economia do País em volume total e analistas apontam que a tendência é de convergência com a média nacional à medida que as exportações de commodities se estabilizarem nos próximos meses.

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