Reajuste dos planos de saúde acelera inflação em Belo Horizonte em junho
A inflação acelerou em Belo Horizonte no mês de junho, pressionada pelos reajustes nos planos de saúde. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-BH), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead), registrou alta de 1,29% no último mês, frente a uma variação de 0,28% em maio.
Com o resultado, o primeiro semestre de 2026 fecha com alta acumulada de 3,42%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o índice avançou 4,23%.
As maiores contribuições para o resultado do mês vieram do plano de saúde individual (0,20 ponto percentual), do automóvel novo (0,18 p.p.) e da tarifa de energia elétrica residencial (0,16 p.p.). Em termos de variação de preços, os destaques foram a tarifa de energia elétrica residencial, que subiu 5,16%, o plano de saúde individual, com alta de 5,11%, e as excursões, que encareceram 4,51%.
Por outro lado, produtos como vidro (-14,7%), café (-7,18%) e passagem aérea (-7,34%) ajudaram a segurar a pressão da inflação em Belo Horizonte. Além disso, o preço da maioria dos itens de alimentação caiu em junho, com destaque para os subgrupos alimentos in natura (-1,07%) e bebidas em bares e restaurantes (-0,62%).
O gerente de pesquisa do Ipead, Eduardo Antunes, comenta que o plano de saúde foi o grande vilão do último mês. O período, segundo ele, é marcado por reajustes nos planos, o que acabou elevando os gastos das famílias com o serviço.
A tarifa de energia, o automóvel novo e combustível também pesaram no bolso do consumidor. “Também tivemos a contribuição da gasolina, que vem oscilando em função dos conflitos internacionais. O preço subiu, caiu e voltou a subir. Como tem um peso importante no índice, acabou influenciando o resultado do mês”, pontua Antunes.
Apesar da alta de 4,26% na inflação nos últimos 12e meses, os números seguem abaixo do acumulado anual registrado no ano passado, quando somava 6,16%. Segundo Antunes, a tendência para os próximos meses é de maior estabilidade, mesmo em ano eleitoral, período em que medidas econômicas e decisões políticas costumam gerar maior incerteza no mercado.

Aumento do plano de saúde deve pressionar orçamento das famílias
O economista e professor do curso de gestão e negócios do UniBH, Fernando Sette Júnior, destaca que, diferentemente de episódios inflacionários mais disseminados, desta vez a alimentação no domicílio permaneceu praticamente estável, enquanto vários alimentos industrializados e produtos in natura registraram queda de preços.
“Isso sugere que a alta observada não decorreu de uma deterioração generalizada das condições econômicas, mas sim da coincidência de reajustes regulatórios e setoriais concentrados no mesmo período”, salienta.
Sobre a alta significativa nos planos de saúde individuais, o economista afirma que o impacto deve ser relevante para as famílias, especialmente de renda média, além da população idosa. Diferente de outras categorias, a avaliação é que a maior parte das famílias não pode simplesmente deixar de utilizar assistência médica quando os preços aumentam.
“Reajustes nos planos de saúde acabam reduzindo a renda disponível para consumo, poupança e investimento familiar”, complementa o economista.
Serviços seguem como principal foco de atenção para a inflação
Outro contexto que chama atenção no indicador é que parte importante do aumento na inflação em Belo Horizonte decorreu de serviços e preços administrados. Para Sette Júnior, os segmentos historicamente já apresentam maior rigidez e menor capacidade de ajuste.
“Caso a inflação de serviços permaneça elevada nas próximas leituras, o Banco Central poderá optar por um processo mais gradual de redução da Selic, não necessariamente porque a inflação esteja fora de controle, mas para evitar que expectativas inflacionárias mais elevadas se consolidem na economia”, argumenta.
Quanto aos próximos meses, a tendência observada pelo economista é de desaceleração dos principais itens que pressionaram a inflação em junho. A expectativa é que os planos de saúde devam perder relevância após a incorporação do reajuste anual, enquanto a energia elétrica tende a apresentar comportamento mais estável, desde que não ocorram alterações significativas nas condições hidrológicas. Os preços dos automóveis novos também devem desacelerar, refletindo a manutenção de juros elevados e um ambiente de crédito ainda restritivo.
Por outro lado, outros componentes devem continuar exercendo pressão moderada sobre a inflação. “Os serviços, especialmente alimentação fora do domicílio, saúde e despesas pessoais, tendem a permanecer com crescimento acima da média devido aos custos de mão de obra e à persistência da inflação de serviços. Em relação aos combustíveis, o cenário base é de estabilidade, embora permaneça sujeito a riscos associados ao comportamento do petróleo e do câmbio”, finaliza o economista.
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