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Pleito por avanço na luta contra Covid-19 recebe apoio em Minas

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Crédito: Luciana Montes

A falsa dicotomia entre saúde e economia tão debatida ao longo da pandemia, desde março do ano passado, enfim foi posta às claras pela carta aberta assinada, ontem, por mais de 500 grandes nomes da economia nacional, entre empresários, banqueiros e economistas.

O documento, entregue ontem ao Ministério da Economia e ao Supremo Tribunal Federal (STF), traz dados sobre o prejuízo econômico que o combate pouco articulado à doença já trouxe ao País. O cálculo mostra que a consequente redução da atividade custou uma perda tributária de R$ 58 bilhões só no âmbito federal, enquanto o atraso da vacinação irá custar R$ 131,4 bilhões aos cofres públicos em 2021 em termos de produto ou renda não gerada e supondo uma recuperação retardatária em dois trimestres.

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Dessa forma, a carta aberta pondera que é urgente o estabelecimento de uma política sanitária baseada nas ciências, destacando quatro medidas: aceleração do ritmo de vacinação, o incentivo do uso de máscaras – tanto com distribuição gratuita quanto com orientação educativa -, a implementação de medidas de distanciamento social e a criação de um mecanismo de coordenação do combate à pandemia em âmbito nacional orientado por uma comissão de cientistas e especialistas.

“Estamos no limiar de uma fase explosiva da pandemia e é fundamental que a partir de agora as políticas públicas sejam alicerçadas em dados, informações confiáveis e evidência científica. Não há mais tempo para perder em debates estéreis e notícias falsas. Precisamos nos guiar pelas experiências bem-sucedidas, por ações de baixo custo e alto impacto, por iniciativas que possam reverter de fato a situação sem precedentes que o País vive”, diz o texto da carta.

Em Minas Gerais, as entidades se colocam a favor do documento. Para a conselheira do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), Pâmela Sobrinho, existe esperança que a carta surta efeito sobre as políticas públicas adotadas pelo governo federal. A pressão feita por grandes empresários e banqueiros que apoiaram, em alguma medida, a eleição do presidente em 2018 pode mudar o rumo das coisas.

“Espero que essa carta aberta dê algum resultado. O próprio ministro da economia, Paulo Guedes, já havia se posicionado sobre a importância da vacinação. Acredito que essa postura, principalmente dos banqueiros, endossa o que os pesquisadores de economia já haviam falado. Não existe dicotomia entre saúde e economia, existem políticas direcionadas. Se nós tivéssemos feito, em abril, o que médicos e economistas diziam, estaríamos em uma situação bem melhor, talvez como Inglaterra ou Nova Zelândia, por exemplo”, afirma Pâmela Sobrinho.

Segundo a economista, as empresas – nacionais ou estrangeiras – precisam de um mínimo de segurança para planejar novos investimentos. Com as novas variantes do vírus atacando os mais jovens a força produtiva está sendo mais atingida.

“Sem perspectivas, as empresas vão demitir. E, falando de uma maneira bem direta, gente desempregada não consome. Gente doente, também não. Não é à toa que mesmo a ala mais liberal dos banqueiros e empresários clama, nessa carta, por um plano de apoio às pequenas empresas e a volta do auxílio emergencial para uma população ampliada”, destaca a conselheira do Corecon-MG.

Apoio aos pequenos

Também o conselheiro da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Marco Polo Rolim, a carta aberta é muito bem-vinda porque chega em um momento em que o agravamento da crise sanitária coloca em xeque a economia do presente e do futuro.

“A crise desse ano será mais severa que em 2020. Quando a crise econômica começou, os empresários ainda tinham algum recurso de caixa e o governo editou algumas medidas de manutenção de empregos e o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), com alcance pequeno, apenas 20% das empresas, mas, ainda assim, uma ajuda. Mas este ano, apesar do agravamento da crise da saúde, ainda nã houve a reedição das medidas emergenciais. O empresariado tem que fazer uma mea culpa. O presidente foi eleito democraticamente, mas vem fazendo demonstrações com as quais não concordamos. Essa carta poderia ter vindo antes. Toda a sociedade precisa assumir sua responsabilidade. Nesse momento o distanciamento é a única opção que a gente tem. Não poderíamos ter permitido chegar a ponto, agora é hora de sermos firmes. A Fecomércio segue e apoia todas as orientações dos cientistas. Temos que aprender a conviver com esse tipo de ameaça, que já sabemos que pode se repetir no futuro”, analisa Rolim.

Carta dá um sinal positivo para a sociedade

Banqueiros, empresários e economistas renomados se juntaram para levar ao Ministério da Economia e ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma carta aberta pedindo por uma atuação mais firme e organizada do governo federal no combate à Covid-19.

Entendendo que para que a economia nacional volte a dar bons resultados é preciso controlar a pandemia e evitar o colapso total das estruturas de saúde do País, o documento conta com mais de 500 assinaturas. A expectativa é que a carta aberta pressione os três poderes no sentido da articulação.

Tudo isso acontece quando o País passa a concentrar 25% das mortes no mundo no período entre 15 e 21 de março. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) registram que, no total, 60,2 mil pessoas foram vítimas da Covid-19 no planeta nesse período —15,6 mil delas apenas no Brasil, país que representa apenas 2,7% da população mundial.

Segundo o professor-associado da Fundação Dom Cabral (FDC), Carlos Braga, a carta aberta dá um sinal positivo para a sociedade, porém deveria ter sido escrita há muito mais tempo. Ainda assim, pouco efeito deveria trazer sobre a condução da crise feita pelo governo federal.

“Eu assinaria embaixo da carta. Algumas coisas podem ser discutidas, como a abertura das escolas, por exemplo, mas a mensagem como um todo está correta. Não tenho muitas expectativas de que vá mudar algo porque o governo federal tem adotado uma prática negacionista. Faltou da parte do governo uma mensagem clara e articulada sobre a pandemia, particularmente sobre a vacina. Basta ver o que acontece no Chile, por exemplo, que está dando de dez a zero em todos os países, especialmente o Brasil. Eles identificaram rapidamente a necessidade de cooperar com a vacina e se articularam politicamente. Há sempre uma forma de atuar, de negociar. Os EUA, mesmo na administração Trump, investiram para acelerar o desenvolvimento da vacina. Não digo que poderíamos fazer esse tipo de investimento, mas poderíamos estar numa situação muito melhor se não tivéssemos criado aquela celeuma sobre a Coronavac, gerando medo na população. O que a carta aberta fala sobre o dilema entre saúde e economia é clara, só não vê quem não quer. Claro que o lockdown afeta a economia. A história mostra, porém, que na gripe espanhola (em 1918), as cidades que implantaram tiveram resultados econômicos melhores no médio prazo do que as mais liberais”, analisa Braga.

Alinhamento

Nesse mesmo sentido, o presidente do Conselho Empresarial de Economia da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Guilherme Leão, faz suas observações e considera a carta aberta completamente alinhada às posições defendidas pela ACMinas na edição do DIÁRIO DO COMÉRCIO, no dia 17 de março.

“A mensagem do nosso presidente foi na linha da prioridade da vida e isso passa por um trabalho de aceleração da vacinação e reconhecimento da necessidade do distanciamento social, tendo em vista, do esgotamento das estruturas de saúde. O documento alerta para a situação cada vez mais frágil das empresas, especialmente do comércio e pequenas empresas, necessidade de medidas de emergência que deem suporte a elas. Se não controlarmos a pandemia, se não tivermos vacina, quanto mais tempo passar, mais tempo a atividade produtiva vai ficar fechada ou funcionando aos trancos e barrancos. Não existe economia no mundo que avance com a população doente. Por mais que o Supremo já tenha liberado estados e municípios, insisto que precisamos de uma ação prioritária e coordenada pelo governo federal. Vacinas e medicamentos estão faltando no mundo inteiro. Nada adianta Belo Horizonte conseguir vacinas, se as cidades ao lado não conseguirem. Precisamos de uma política de comunicação que ensine as pessoas a se cuidarem e que combata as notícias sem base científica”, completa Leão.

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