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Para tentar reduzir os impactos negativos provocados pelas medidas de contenção do novo coronavírus, algumas indústrias do polo da moda de Divinópolis, na região Centro-Oeste do Estado, estão convertendo o parque fabril para a produção de equipamento de proteção individual (EPI) voltado para o setor hospitalar.

Devido ao fechamento do comércio e das atividades não essenciais, a demanda pelos tradicionais artigos do polo foi drasticamente reduzida atingindo 100% das empresas da região. Encomendas já embarcadas, faturadas e programadas para até 90 dias foram canceladas ou devolvidas.

Ainda não foi possível calcular os prejuízos causados pela paralisação das atividades, mas as medidas anunciadas pelos governos, como as linhas de crédito, são consideradas fundamentais para evitar demissões em massa.

De acordo com o delegado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Divinópolis (Sinvesd), Vinícius Henrique Almeida Sousa, a conversão da produção para itens que não fazer parte do mix muitas vezes é impedida devido a características de equipamentos, insumos e da mão de obra.

Por isso, o setor é o único no Estado que conseguiu fazer com que algumas empresas mudassem a produção. O setor calçadista também está se programando, mas enfrenta desafios com o maquinário.

Sousa explica que a mudança do mix de produção foi pensada há cerca de um mês quando começou a serem registrados os primeiros casos da doença no Brasil e prevendo impactos negativos no setor.

O sindicato orientou os empresários a buscarem alternativas para converter a produção a um mercado que continuaria com a demanda, como os de equipamentos de proteção individual, por exemplo. Porém, as dificuldades são muitas, além da necessidade de adaptar equipamentos e mão de obra, o setor enfrenta problemas em adquirir a matéria prima.

Também é um desafio estudar e adaptar os processos conforme os padrões necessários para a produção certificada dos equipamentos de proteção individual para uso odonto médico hospitalar. As empresas estão produzindo máscaras, aventais, capotes e uniformes.

O direcionamento do mix para a área hospitalar só foi possível em algumas indústrias de maior porte e com equipamentos com maior tecnologia.

“Não sei precisar, mas apenas algumas indústrias conseguiram converter a produção. Além de ser um mercado muito especulativo, pelo fato de não ser nossa expertise, até o empresário entrar e entender as normas e vê o que pode e o que pode não ser feito leva tempo, por não ser tão simples. As empresas, como a minha, que conseguiram fazer o processo e fechar algum pedido, agora enfrentam dificuldades de comprar a matéria prima certificada para o uso odonto médico e hospitalar, porque existe uma escassez”.

Outra parte das confecções, as de menor porte, suspendeu a produção do vestuário de moda e estão fabricando máscaras de pano que são voltadas para o uso comum.

Prejuízos – Em relação aos impactos negativos provocados pela paralisação do comércio, para contenção do coronavírus, as empresas do polo de moda de Divinópolis foram amplamente afetadas. Das cerca de 200 indústrias que compõem o polo, todas tiveram prejuízos.

“Nosso setor trabalha com encomendas, que são feitas com programação de entregas para 30, 60 e 90 dias. Então, os empresários se planejam a atender esta demanda contratada. Com a suspensão das atividades, as encomendas foram canceladas, contratos suspensos e, em alguns, casos, a carga que já havia sido despachada, foi devolvida porque os estabelecimentos estão fechados. Com isso, 100% das empresas foram afetadas”.

Ainda segundo Sousa, até o momento, nenhuma empresa do polo encerrou as atividades definitivamente. A manutenção das empresas e dos postos de trabalho está sendo possível devido às medidas lançadas pelos governos, que incluem a liberação de crédito para capital de giro, para folha de pagamento e também a publicação da Medida Provisória 297, que trouxe um roll de ferramentas com leque muito mais amplo e flexibilidades importantes no que se refere às leis trabalhistas.

Além disso, houve suspensão temporária do pagamento de alguns tributos, além do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

“Os trabalhos dos governos e do presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, foram fundamentais para trazer um fôlego ao setor e acalmar o empresário, que precisa se organizar e planejar a retomada após a crise. Sem essas medidas e o contato constante com os empresários, as consequências seriam muito piores. Estas medidas estão evitando demissões em massa no momento”, disse Sousa.