Unidade da empresa canadense em São José da Lapa vai gerar 50 empregos diretos - Crédito: Divulgação

Aproximadamente US$ 24 milhões foram investidos no novo Centro de Revisão Geral da canadense Pratt & Whitney, que está sendo inaugurado nesta terça-feira na cidade de São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Ao todo, são 50 empregos diretos gerados. Outras centenas de vagas foram preenchidas durante a montagem do local.

Líder mundial no design, fabricação e manutenção de motores de aviões e helicópteros, a companhia, que é uma divisão da United Technologies Corp, vai atuar junto à brasileira Indústria de Aviação e Serviços (IAS), subcontratando vários serviços da empresa, como o de reparo de acessórios. Ambas trabalharão lado a lado inclusive geograficamente, o que foi um dos motivos de atração da Pratt & Whitney para o município mineiro.

“A cidade foi atrativa, ainda, por causa de benefícios fiscais do governo e pela localização estratégica, próxima ao Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, localizado em Confins. Também destaco as escolas especializadas no setor, presentes em Belo Horizonte, e uma boa formação de mão de obra”, pontua o gerente geral da Pratt & Whitney, Renato Rafael.

Com a nova unidade, focada nas famílias de motores PT6A e PW200, os clientes da companhia vão poder contar com serviços de revisão mais rápidos, personalizados e econômicos, conforme pondera o gerente geral da empresa.

“Antes, era preciso enviar os motores para o Canadá, o que gerava custos com seguro, tarifas, impostos, entre outros”, frisa Renato Rafael, que acrescenta que, agora, os serviços serão feitos pelo menos na metade do tempo que eram realizados anteriormente.

“Isso também está relacionado aos custos, uma vez que os aviões ficam parados durante esse tempo. Em caso de táxis aéreos e ambulâncias aéreas, por exemplo, há um grande reflexo”, diz ele.

A Pratt & Whitney faz serviços em turbina de avião –
CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

Atuação – A Pratt & Whitney já está há mais de 75 anos no Brasil e é a principal fornecedora de motores de aviação em geral no País. Os motores da companhia integram um vasto número de aeronaves brasileiras, comerciais, governamentais e de uso executivo, o que inclui 1.300 aeronaves com os motores PT6A e PW200. Em relação à capacidade de manutenção da nova unidade da marca em Minas Gerais, Renato Rafael afirma que as expectativas são de atender cerca de 100 motores anualmente.

O novo Centro de Revisão Geral na cidade mineira integra uma rede de atendimento já existente no País. Nessa rede estão inclusos o centro de inspeção da seção quente (HSI) e de distribuição de peças, em Sorocaba, a ABA Manutenção de Aeronaves, localizada em Barreiras, a Rico Táxi Aéreo, em Manaus, e a Helipark Manutenção, em São Paulo.

“A inauguração de nosso novo centro reforça o compromisso da Pratt & Whitney em oferecer um atendimento diferenciado aos nossos clientes, em um dos mercados mais importantes do mundo”, ressaltou, em comunicado para a imprensa, o vice-presidente de atendimento ao cliente da empresa, Satheesshkumar Kumarasingham.

Para se ter uma ideia, o vigor do Brasil é tanto nesse setor que, de acordo com Renato Rafael, a Força Aérea Brasileira (FAB) conta com mais motores do que a canadense, por exemplo. No Brasil, a maior concentração de aeronaves está nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Mais números – Destacando a relevância da companhia em todo o cenário mundial, o gerente geral da Pratt & Whitney relatou que a empresa fatura aproximadamente US$ 60 bilhões por ano. “Deste valor, cerca de metade vem de serviços e a outra metade de vendas de equipamentos”, diz ele, ressaltando a importância do suporte aos clientes.

Além disso, a organização conta com aproximadamente 65 mil motores em operação, sendo que cerca de 3.500 estão no Brasil.

Gol propõe a incorporação do programa de fidelidade Smiles

São Paulo – A Gol apresentou à sua controlada Smiles proposta de reorganização societária do grupo, que prevê incorporação das ações da empresa de programas de fidelidade pela companhia aérea, com um prêmio de 25%, conforme fato relevante divulgado ontem.

O plano representa uma mudança relevante da proposta inicial da Gol em outubro do ano passado, quando a companhia aérea sugeriu uma troca de ações a um preço não divulgado.

A Gol controla a Smiles e detém 53% das suas ações. E pelos termos da proposta, os minoritários receberiam R$ 41,74 por ação, parte em dinheiro e parte em ação.

Tal valor significa um prêmio de 25% em relação ao preço de fechamento de sexta-feira (6) da Smiles, de R$ 31,74. Mas a Gol também está avaliando suas próprias ações um pouco acima do preço de fechamento, o que pode implicar prêmio de 30%.

Qualquer prêmio, no entanto, estaria significativamente abaixo do que a Smiles costumava valer. Quando a Gol propôs a compra de acionistas minoritários pela primeira vez em outubro passado, as ações da Smiles valiam R$ 48,26.

A relação de troca proposta é de que cada ação ordinária de Smiles corresponda a 0,6319 ação preferencial da GOL e a R$ 16,54 como valor de resgate. Além desta relação de troca base, a Gol oferece uma opcional, de 0,4213 ação preferencial da Gol e a R$ 24,80 como valor de resgate. Na relação de troca, foram considerados os valores de R$ 39,25 para a ação da Gol e R$ 41,34 para a ação da Smiles, de acordo com a companhia aérea.

Nesse contexto, a Gol solicitou que a administração da Smiles realize reunião do conselho de administração para tomar conhecimento dos termos da reorganização.

Também pediu à Smiles a contratação de empresa avaliadora até 18 de dezembro, conclusão de laudos de avaliação até, aproximadamente, 23 de janeiro de 2020 e agendamento de assembleia geral da Smiles para decidir sobre a reorganização no dia 2 de março de 2020.

“A reorganização tem por objetivo assegurar a competitividade de longo prazo do grupo, através do alinhamento de interesses de todos os stakeholders, reforçando uma estrutura de capital consolidada, simplificando a governança societária do grupo, reduzindo custos e despesas operacionais, administrativas e financeiras”, afirmou a Gol.

A companhia aérea também argumentou que a alteração aumentará a liquidez no mercado para todos os acionistas, “além de permitir uma oferta de produtos e serviços melhor coordenada, sendo que todos estes benefícios são necessários para que o produto Smiles seja mais competitivo no cenário de mercado desafiador que observamos no momento.”

Os dois concorrentes mais próximos da Gol, o Grupo Latam Airlines e Azul, não possuem programas de fidelidade listados separadamente. A Latam concluiu a recompra de seu programa Multiplus no início deste ano.

As negociações entre Gol e Smiles sobre o acordo inicial proposto entraram em colapso em junho, um revés para a Gol, que afirmou que precisava de um programa de fidelidade interno para ser competitivo. (Reuters)