Economia

Preço do etanol sobe 2,2% em Belo Horizonte; diesel cai na capital mineira

O aumento do biocombustível na capital mineira supera a média de Minas Gerais, impulsionado por fatores locais e expectativa de demanda; diesel tem leve queda
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Preço do etanol sobe 2,2% em Belo Horizonte; diesel cai na capital mineira
Foto: Adobe Stock

O preço médio do etanol voltou a subir na última semana em Belo Horizonte, segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na semana de 21 a 27 de junho, em comparação com 14 a 20 de junho, o preço médio do litro do biocombustível subiu 2,2%, a maior alta entre os combustíveis. De acordo com os dados, o preço médio do litro variou de R$ 3,92 para R$ 4,01 na Capital. Na mesma toada, a gasolina comum subiu 1,49% no período analisado, passando o preço médio a custar R$ 6,11 ante os R$ 6,02 da semana anterior.

Já em Minas Gerais, o comportamento é semelhante, porém com índices menores. Na semana de 21 a 27 de junho, em comparação com 14 a 20 de junho, o etanol subiu 0,48%, e a gasolina comum 1,41%. O economista e professor do curso de Gestão e Negócios do UniBH, Fernando Sette Júnior, observa que o aumento na capital mineira chama atenção por ter sido significativamente superior ao observado na média de Minas Gerais.

“Essa diferença sugere que, além dos fatores que afetam todo o mercado mineiro, houve elementos específicos da cadeia de abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte, como ajustes de preços praticados por distribuidoras, recomposição das margens de revenda e diferenças na dinâmica de oferta e demanda local”, diz.

Segundo ele, como Belo Horizonte concentra um grande volume de consumo e depende de uma rede logística complexa, pequenas alterações no mercado atacadista podem produzir impactos mais expressivos nos preços ao consumidor final.

Outro fator que Sette Júnior diz que pode ter contribuído para a alta foi a expectativa gerada em torno do aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que estava prevista para ser discutida pelo governo federal. “Ainda que a medida não tenha sido aprovada, a perspectiva de aumento da demanda futura pelo biocombustível pode ter influenciado decisões comerciais de produtores, distribuidoras e revendedores”, afirma.

O economista explica que caso a mudança tivesse sido aprovada, no dia 24 de junho, como estava prevista, haveria um aumento permanente da demanda por etanol anidro por parte das distribuidoras, o que naturalmente tenderia a pressionar preços. “Em mercados de commodities, é comum que agentes econômicos antecipem movimentos futuros, ajustando preços antes mesmo da efetiva implementação das medidas regulatórias”, avaliou ainda.

No entanto, Sette Júnior ressalta que é importante destacar que a decisão acabou sendo adiada e, portanto, não houve alteração concreta na demanda do mercado nesta última semana. Além disso, ele destaca que se essa expectativa fosse o principal fator explicativo, seria razoável esperar um comportamento semelhante em todo o Estado, o que não ocorreu.

“Dessa forma, a expectativa em torno do chamado E32 pode ter contribuído marginalmente para a alta do etanol, mas os dados sugerem que fatores locais de abastecimento e comercialização tiveram maior relevância para explicar a elevação observada em Belo Horizonte”, finaliza.

O professor de Ciências Contábeis da Estácio BH, Alisson Batista, também acredita que o aumento é devido a um conjunto de fatores. “Além da especulação com o fim da guerra, temos os reajustes na cadeia de combustíveis que estão sendo segurados pelo governo. E, assim, alguns postos com preços represados acabam aproveitando o momento para ajustar a margem”, avalia. Além disso, Batista remete à maior procura do ativo que faz com que o preço se eleve.

Quanto ao aumento da gasolina, Sette Júnior acredita que esteja mais relacionada ao processo de repasse dos aumentos internacionais do petróleo ocorridos nas semanas anteriores do que propriamente à discussão regulatória sobre a composição da mistura.

Diesel cai em Belo Horizonte e no Estado

Em contrapartida, o diesel S10, caiu 0,28% tanto em BH, quanto no Estado, passando o preço médio de R$ 6,93 para R$ 6,91 em Belo Horizonte e de R$ 6,94 para R$ 6,92 em Minas Gerais, redução de R$ 0,02 por litro.

No caso da pequena redução observada, o economista avalia que deve ser analisada com cautela. “Embora possa indicar o início de um movimento de acomodação após as recentes pressões internacionais sobre o petróleo, a magnitude da queda ainda é muito pequena para afirmar que houve uma reversão consolidada da tendência de alta”, afirma.

Ele explica que em mercados de combustíveis, variações dessa ordem podem refletir ajustes comerciais das distribuidoras, maior competição entre postos ou recomposição de margens após aumentos anteriores.

Além disso, o fato de a queda ter sido exatamente a mesma em Belo Horizonte e no conjunto de Minas Gerais sugere que se trata de um movimento mais amplo do mercado, e não de fatores regionais. “Embora seja possível que o diesel esteja começando a refletir uma estabilização das condições internacionais, ainda é cedo para concluir que os efeitos das tensões geopolíticas sobre os combustíveis tenham sido completamente absorvidos”, avalia.

Na opinião de Sette Júnior, o comportamento das próximas semanas será fundamental para confirmar se há uma tendência de queda ou apenas uma oscilação pontual dos preços.

Já Batista, avalia que como o diesel é impactado diretamente pela crise no Oriente Médio, o acordo traz uma tendência de estabilidade nos preços. “Com isso temos redução da pressão internacional de necessidade de petróleo, melhor organização logística e acomodação do mercado interno”.

Segundo ele, da mesma maneira que o diesel foi o primeiro a subir, tende a ser o primeiro a receber a redução e acomodação de valores. “Ele também sofre maior alteração correlacionada ao commodity bruto”.

Na comparação mensal, combustíveis seguem em baixa

Quando observados os números na comparação mensal, há uma redução mínima no preço médio do litro do etanol de R$ 0,01 da última semana de maio com a última semana de junho. Passando o valor médio do litro do biocombustível de R$ 4,02 para R$ 4,01 na capital mineira, e de R$ R$ 4,23 para R$ 4,15 no Estado, nesse caso uma diferença de R$ 0,08 e 1,92%.

No caso da gasolina, o preço médio em Minas Gerais se manteve em R$ 6,29 no mês, apresentando estabilidade. Em Belo Horizonte, o preço do litro médio passou de R$ 6,13 para R$ 6,11, uma redução de R$ 0,02 e 0,32%.

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