A retração verificada pelo Índice na locação comercial foi de 0,57% em setembro sobre agosto | CRÉDITO: ALISSON J. SILVA/Arquivo DC

Em setembro, o preço médio de venda de imóveis comerciais apresentou retração de 0,42% em Belo Horizonte, na comparação com o mês de agosto, chegando a um valor de R$ 7.108/m².

Os números também são negativos quando se observa a variação acumulada no ano e a variação acumulada em 12 meses. Tanto em um período quando no outro, o recuo apresentado foi de 1,93%.

Os dados são do Índice FipeZap, desenvolvido em uma parceria pela Fipe e pelo Grupo ZAP.

De acordo com o economista do Grupo ZAP, Edivaldo Constantino, essa queda é algo representativo. Ele frisa que o mercado imobiliário comercial foi bastante impactado pela pandemia da Covid-19 e seus reflexos.

“A pandemia e as medidas de distanciamento social necessárias para combater a propagação do vírus fizeram com que as pessoas ficassem mais tempo em casa e também com que elas trabalhassem em casa. As empresas perceberam a queda no fluxo de pessoas, o que afeta diretamente o mercado comercial”, diz.

O cenário também é de queda quando o assunto é a locação comercial e a variação mensal. Em setembro, na comparação com o mês de agosto, a retração verificada pelo Índice foi de 0,57%. Já na variação acumulada do ano, houve alta de 0,9% e de 0,83% na variação acumulada em 12 meses. O preço médio de locação comercial no mês passado foi de R$ 29,62/m².

Por região – O Índice FipeZap também evidencia quais eram os bairros mais valorizados da capital mineira, no que diz respeito à venda comercial, no mês de setembro. O primeiro lugar é ocupado pelo Luxemburgo (R$ 10.606/m²), seguido pelo Santa Tereza (R$ 10.012/m²), Santo Agostinho (R$ 10.001/m²), Belvedere (R$ 9.551/m²) e Fernão Dias (R$ 9.456/m²).

Já em relação à locação comercial, o primeiro lugar é do Dom Joaquim (R$ 49,73/m²). Depois dele vêm Belvedere (R$ 46,49/m²), Fernão Dias (R$ 44,89/m²), Castelo (R$ 44,17/m²) e Santo Agostinho (R$ 43,57/m²).

Perspectivas – Em relação ao que vem pela frente e ao possível comportamento do mercado de imóveis comerciais, o economista do Grupo ZAP, Edivaldo Constantino, afirma que a crise da pandemia da Covid-19 é diferente de outras.

Ele ressalta que os fundamentos econômicos não foram afetados e as taxas de juros, por exemplo, estão baixas, o que é um incentivo para o mercado imobiliário, aumentando a atratividade dos imóveis. Dessa forma, as expectativas são de que as coisas, pouco a pouco, voltem ao normal, e que os números comecem a se mostrar melhores ao longo do tempo.

“O que a gente espera é que o mercado volte a reagir. O ritmo depende de como a economia vai voltar aos trilhos, de como a política sanitária irá reagir e também da vacina, pois, quando mais cedo ela chegar, mais cedo voltam as atividades normais”, salienta o economista.

IGP-M na 2ª prévia de outubro fica em 2,92%

São Paulo – O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) desacelerou a alta a 2,92% na segunda prévia de outubro, ante alta de 4,57% no mesmo período do mês anterior, conforme o arrefecimento dos preços das commodities aliviou a pressão sobre a inflação no atacado, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na segunda-feira.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do índice geral, teve alta de 3,75% no segundo decêndio deste mês, deixando para trás a disparada de 6,36% registrada no mesmo período de setembro.

Segundo André Braz, Coordenador dos Índices de Preços, “a desaceleração observada nas taxas de variação de algumas commodities, principalmente minério de ferro (17,01% para -0,34%), contribuiu para o recuo do índice de preços ao produtor.”

Entre os componentes do IPA, o destaque foi o grupo Matérias-Primas Brutas, que desacelerou seus ganhos de 11,31% para 4,77% na segunda prévia de outubro, recebendo forte influência de produtos como milho e café em grão, além do minério de ferro.

Enquanto isso, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no índice geral, acelerou a alta a 0,71% no segundo decêndio de outubro, após saltar 0,38% no mês anterior.

O grupo Educação, Leitura e Recreação disparou 3,05%, informou a FGV, deixando para trás o salto de 0,40% apresentado na segunda prévia de setembro. Um avanço de 33,57% nos preços das passagens aéreas foi o principal responsável por essa leitura.

Finalmente, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 1,50% no segundo decêndio de outubro, uma aceleração em relação à alta de 0,98% do mesmo período do mês anterior.

O IGP-M é utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os de aluguel de imóveis.

A segunda prévia do IGP-M calculou as variações de preços no período entre os dias 21 do mês anterior e 10 do mês de referência. (Reuters)