Francisco Macedo destaca importância de negócio preservar e valorizar a força de trabalho | Crédito: Divulgação

Os impactos da disseminação do novo coronavírus (Covid-19) sobre a economia brasileira e mineira são inevitáveis. No entanto, a antecipação de problemas e a adoção de medidas emergenciais e estruturais podem amenizar as perdas de qualquer empresa durante a pandemia.

E depois que a turbulência passar, será chegado o momento de realizar ações que colaborem para a recuperação e longevidade dos negócios.

A avaliação é do sócio e líder de Consultoria de Crises da PwC Brasil, Francisco Macedo. Segundo ele, a maneira como a empresa conduz os negócios em tempos de crise faz toda a diferença na hora de se recuperar.

“Quem se prepara sai mais forte deste tipo de situação. No entanto, nem sempre a empresa possui um plano de gestão de crises, seja por causa do tamanho ou do tipo de operação. Uma vez instaurado o problema, é hora de pensar nos possíveis caminhos para amenizar os impactos e, quem sabe, tirar alguma lição no longo prazo”, explicou.

No momento em que a Covid-19 se espalha pelo Brasil e faz com que milhões de empresas alterem suas rotinas, diante das medidas de restrição e circulação de pessoas impostas pelas autoridades governamentais e sanitárias do País, muitas têm sido estas ações.

Segundo o consultor, algumas empresas estão desenvolvendo planos de contingência, enquanto outras adaptam os planos existentes para lidar com o surto e algumas outras começam do zero.

“Os mercados financeiros de todo o mundo já refletem os impactos dessa crise e, muito embora ainda existam incertezas quanto aos seus impactos em longo prazo, várias medidas podem ser adotadas agora para melhorar a situação. Na Pesquisa Global sobre Crises 2019 da PwC, líderes empresariais de vários setores compartilharam suas experiências, expectativas e principais pontos fortes e fracos nessas situações. Essas discussões revelaram que algumas empresas emergem mais fortes – e até experimentam crescimento de receita – depois uma crise, enquanto outras oscilam”, contou.

Equipe engajada – Assim, uma vez instaurada a crise, como a da Covid-19, é preciso criar um equipe dedicada ao momento. Com supervisão sênior e coesão interna entre as equipes multifuncionais, focada em preparação, treinamento e testes, de forma a buscar bons resultados. Depois disso, é chegada a hora de estabelecer os fatos a partir de dados confiáveis e apontar possíveis soluções.

“Você precisa ter um time focado na busca por repostas, trabalhando na questão com visão centralizada e compartilhando informações com todos os stakeholders. Nesta etapa, transparência é fundamental”, disse.

Conforme Macedo, é importante também preservar e valorizar a força de trabalho, uma vez que os funcionários precisam não apenas estar engajados no processo, mas confiar que a empresa irá sobreviver ao momento ruim que atravessa. Da mesma maneira que fornecedores e parceiros.

“Para isso, a confiança também é fundamental. E mesmo que nem tudo possa ser aproveitado ou contribuir para contornar o problema, aproveite para buscar alternativas. É daí que vem a oportunidade de sair da crise mais forte e com opções que, em uma nova turbulência, vão te permitir sofrer menos impactos”, completou.

Liquidez – Outra dimensão a ser considerada diz respeito à liquidez financeira do negócio, uma vez que, diante da queda da demanda e baixa da produção, os problemas neste quesito também irão surgir. Neste ponto, o especialista citou a importância das medidas governamentais que já vêm sendo anunciadas pela União, com o intuito de amparar as empresas neste período difícil.

“Qualquer que seja a ação, postergação de pagamentos, carência de dívidas, desoneração da folha, permissão para redução da jornada de trabalho e dos salários, tudo isso vai fazer diferença para a saúde financeira da empresa. E é preciso que o empresário ou administrador adote essas medidas já”, alertou.

Por fim, mas não menos importante, ele sugeriu pensar na comunicação, já que as mensagens de uma empresa durante a crise devem ser autênticas. O consultor orientou que é importante abordar todos os públicos-alvo da organização, de maneira a manter sólidos os vínculos.

“É importante considerar o que acontece não apenas hoje, mas amanhã e depois também. A perspectiva de resultado mais ampla e de longo prazo pode ajudar a fazer a empresa sair da crise ainda mais forte e sustentável”, finalizou.

Setor de energia teme corte de pagamentos

São Paulo – Empresas de distribuição de energia elétrica defenderam ontem, por meio de uma associação setorial, que não sejam tomadas medidas que levem à interrupção dos pagamentos de contas de luz devido à repercussão da pandemia de coronavírus no Brasil.

O posicionamento da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) vem após o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, ter defendido, em entrevista publicada pelo jornal O Globo ontem, que contas de água, luz, gás e telefone sejam suspensas por 60 dias por conta dos efeitos da epidemia sobre a renda da população.

Também ontem, o governo de São Paulo anunciou que a estatal de água e esgoto Sabesp vai suspender a cobrança da tarifa social de água para 506 mil famílias carentes no Estado.

“O fluxo de recebimentos das faturas de energia não pode ser interrompido”, defendeu em nota a Abradee, que tem como associadas 41 distribuidoras, incluindo empresas controladas pela italiana Enel, pela Neoenergia, do grupo espanhol Iberdrola, e pela CPFL, da chinesa State Grid, entre outras, incluindo estatais brasileiras.

A entidade argumentou que as contas de luz são compostas por parcelas que representam custos também de geração, transmissão e de tributos estaduais e federais.
Uma eventual interrupção dos pagamentos poderia gerar “inadimplência generalizada em todos os elos mencionados”, com impactos principalmente “para a arrecadação tributária aos Estados da União, que contam com esses recursos, via tarifa, inclusive para suas ações na área de saúde”, afirmou.

“A Abradee entende que quaisquer medidas de desoneração aos consumidores só podem ser implementadas com a adequada análise do poder concedente e regulador”, acrescentou a associação, em referência ao governo federal e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). (Reuters)

Governo anuncia mais auxílios para trabalhadores

Brasília – O Ministério da Economia anunciou ontem novo auxílio à população que ganha até dois salários mínimos e for afetada por redução de jornada de trabalho e renda por conta da crise econômica com o coronavírus. Nessa situação, o governo irá antecipar ao trabalhador, por três meses, 25% ao que ele teria direito caso requeresse o benefício do seguro-desemprego. O pagamento mínimo será de R$ 261,25, podendo chegar a R$ 453,26.

Os esclarecimentos dos valores foram feitos pelo governo ontem, após coletiva de imprensa. Em resposta aos jornalistas, o presidente da Fundacentro, Felipe Portela, havia indicado inicialmente que cálculos ainda estavam sendo feitos para haver precisão em relação às possibilidades de pagamento.

“Com a proposta legislativa, isso vai ficar claro. Ainda a gente não tem, com precisão, exatamente qual vai ser o valor. Certamente ele vai ficar no mínimo nessa faixa de R$ 250, podendo subir para um valor mais próximo do que seria, efetivamente, um quarto do seguro-desemprego, caso haja condições e recursos suficientes”, disse Portela.

O governo ainda não finalizou o texto da medida, mas o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, afirmou que provavelmente ele será encaminhado ao Congresso como Medida Provisória (MP) nos próximos dias.

Questionado se não seria melhor o governo realizar a divulgação da medida já fechada, para que o trabalhador pudesse saber ao certo o quanto poderia receber, ele respondeu que, por conta da atual situação de crise, “pouco vai importar para a pessoa se ela vai receber R$ 250 ou R$ 251”.

“Vai importar muito para ela ter a certeza de que ela vai ter um valor ao final do mês”, disse.

Em apresentação, o Ministério da Economia estimou que mais de 11 milhões de pessoas serão contempladas com a iniciativa, a um custo de cerca de R$ 10 bilhões, que sairá do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Como o FAT é deficitário, os recursos serão bancados pelo Tesouro.

Caso o trabalhador seja de fato demitido no futuro, o valor recebido por meio desse auxílio será descontado do seguro-desemprego que ele ganhará.

A medida vem após o governo ter proposto flexibilizações nas relações entre patrões e empregados como forma de evitar demissões por conta do impacto do coronavírus na atividade econômica.

Um dos pontos será a permissão para que a jornada e o salário possam ser reduzidos em até 50%, algo que também terá que ser apreciado pelo Congresso.

Ontem, o governo também anunciou que irá abreviar as análises para concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC) às pessoas com deficiência e que, em meio ao tempo requerido para esse processo, já irá liberar um valor específico de adiantamento, de R$ 200, para os que estão na fila. Isso será detalhado em projeto que deve ser enviado aos parlamentares na próxima semana.

Em outra frente, Bianco chegou a falar, no início da coletiva de imprensa, que o governo vai pagar no lugar do empregador os primeiros 15 dias de afastamento do trabalhador que tenha coronavírus, mas depois afirmou que o detalhamento da medida não seria feito ontem.

Ele antecipou que a cobertura desses gastos pelo governo será limitada ao teto do Regime Geral de Previdência Social, hoje em R$ 6.101,06.

Segundo o secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, a investida será anunciada em “futuro muito próximo”.

Questionado se o governo não estudava uma redução de jornada e salário dos servidores públicos como medida para crise do coronavírus, Guaranys disse que o governo está estudando diversas medidas e tentando atacar primeiro “as coisas mais prioritárias”, com atendimento aos mais vulneráveis.

“Estamos estudando todas as possibilidades e vamos divulgando sempre que necessário”, afirmou. (Reuters)