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Presidente da ACMinas volta a defender pacto nacional

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Crédito: Manoel Evandro

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Aguinaldo Diniz, voltou a defender a necessidade da construção de um pacto nacional para que o Brasil supere a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Diniz também ressaltou que as micro e pequenas empresas (MPEs) são as mais afetadas pelo isolamento social e que necessitam, com urgência, de acesso ao crédito, principalmente, para capital de giro, o que não tem acontecido.

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O assunto foi discutido, ontem, na primeira edição da live “Hora Online ADCE-MG”, promovida pela Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresa de Minas Gerais (ADCE-MG), com o tema “Impactos da Pandemia na Conjuntura Socioeconômica”.

De acordo com Diniz, para o enfrentamento à crise provocada pelo Covid-19 será preciso repensar as atividades, uma vez que todos os setores produtivos, como comércio, serviços e indústria, foram fortemente afetados e somente o agronegócio, por ser um serviço básico, tem conseguido manter os bons resultados. Para Diniz, a única forma de superar a crise é ter um entendimento nacional, com a mobilização dos poderes, empresários e sociedade.

Além disso, ele ressaltou que o acesso ao crédito é essencial, principalmente, para as micro e pequenas empresas, responsáveis, em Minas Gerais, por gerar 60% dos postos de trabalho formais e 80% no Brasil. Porém, o acesso tem sido dificultado e muitas correm o risco de não reabrirem após a pandemia, o que pode gerar mais desemprego.

“Precisamos pensar nacionalmente para superar a crise. A ACMinas, em 7 de abril, enviou ao governo federal uma correspondência sugerindo um pacto nacional para que pudéssemos em consenso e bem no início enfrentar a crise. Vejo essa crise com muita preocupação em relação às empresas. Na ACMinas, temos feito o possível e trabalhando junto aos órgão de fomento para financiamento dos nossos associados, mas o crédito não tem chegado aos empresários. A crise será dura, vamos sair mais fortes, mas com muito suor e sofrimento. Precisamos de um entendimento nacional para que possamos dar um passo, gerar emprego, renda e estabilidade social maior no País”, disse.

Ainda conforme Diniz, apesar dos esforços, com destaque para o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), os recursos disponíveis são insuficientes, o que também é resultado da crise nacional que afeta a condição financeira dos estados.

Além disso, ao contrário das grandes empresas, as MPEs encontram dificuldades de relacionamento e de dar garantias para acessar os recursos já disponibilizados em linhas especiais voltadas para mitigar os efeitos negativos provocados pelo isolamento social para controle do Covid-19.

Com o avanço do vírus em Minas Gerais e o aumento da ocupação dos leitos hospitalares, muitos prefeitos têm retroagido nas decisões e fechado o comércio considerado não essencial.

Reinvenção – De acordo com Diniz, para enfrentar esse momento, as empresas precisam se reinventar. Buscando novas formas de comercializar os produtos e aproveitando as ferramentas disponíveis, como o e-commerce e os serviços delivery. A ACMinas também criou uma cartilha orientando os associados e com informações sobre o que se tem disponível em políticas públicas e decretos.

“Nesse quadro de abre e fecha do comércio e da pandemia, o que é muito complicado, a ACMinas preparou uma cartilha que, inclusive, serviu de base para o governo do Estado fazer o planejamento do programa Minas Consciente, justamente para mostrar os caminhos que deveriam ser feitos no momento da pandemia. Abrir ou fechar conforme contaminação e disponibilidade de leitos hospitalares. Encaminhamos para nosso associado esta cartilha, orientando como, quando e o que abrir. A cartilha também contém o que temos disponível de facilidades e decretos que podem auxiliar os empresários”.

Capitalismo consciente – Apesar de todos os impactos negativos, a pandemia trará mudanças positivas junto à classe empresarial. Segundo Diniz, muitas ações têm sido feitas por empresas para ajudar na pandemia e a tendência é de que o capitalismo consciente se torne cada vez mais forte e essencial. Com todos os problemas enfrentados, os empresários deverão se tornar mais ativos na sociedade, na política e nas lideranças.

“O Covid-19 trouxe várias mudanças. Daqui para frente, o empresário precisará ter pensamento social, se relacionar com todos os stakeholders, participar mais da política.

O capitalismo consciente vai ganhar mais força. Essa maior participação mudará o País. Vamos precisar de líderes conscientes e éticos, que pensam de forma horizontal, ou seja, pensam na empresa e nos stakeholders que convivem com a empresa”.

Ainda conforme Aguinaldo, os empresários terão que pensar em três principais pontos: o meio ambiente, a desigualdade social e o desemprego estrutural, independentemente do porte da empresa.

“Essa mudança irá ocorrer. Teremos empresários mais participantes, interessados, sabendo que, sem preservar o meio ambiente, ele não vai sobreviver, não vai negociar. A empresa que não trabalhar para ajudar a reduzir a desigualdade social brutal vai ter muita dificuldade. Precisamos preocupar com desemprego, precisamos do empresário com visão social e humana de grande profundidade”, concluiu.

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