Fiat Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

O desempenho da indústria se mostrou mais positivo em outubro frente a setembro. De acordo com a Sondagem Industrial, divulgada na sexta-feira (29) pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o índice de evolução da produção apresentou avanço de 4,7 pontos em outubro, passando de 49,8 pontos para 54,5 pontos. O fato de ultrapassar a linha dos 50 pontos, que representa o limite entre expansão e queda, revela que o indicador voltou a mostrar crescimento da produção.

Um dos motivos para essa expansão, de acordo com a analista da gerência de estudos econômicos da entidade, Daniela Muniz, está relacionado ao fato de o mês de outubro ter tido mais dias úteis do que setembro. No entanto, de qualquer forma, destaca ela, o índice realmente apresentou melhoras, independentemente desse fator. “Vale destacar que é o mais elevado para o mês desde o começo da série histórica mensal, que foi em 2010”, salienta ela. Na comparação com o mesmo período do ano passado (52,8 pontos), por exemplo, o incremento foi de 1,7 ponto.

“Temos presenciado uma recuperação econômica gradual, o que está refletindo nos números apurados. Estamos saindo do fundo do poço. De qualquer maneira, é preciso fazer uma ressalva: ainda temos um nível de desemprego elevado, o que é um entrave para uma recuperação mais consistente da indústria”, destaca Daniela Muniz.

Os números mostram bem essa realidade. De acordo com os dados da Sondagem Industrial, apesar de o indicador de emprego de outubro (49,1 pontos) ter crescido 0,6 ponto em comparação a setembro (48,5 pontos), ele ainda permanece abaixo dos 50 pontos pelo sétimo mês consecutivo. “Ainda não é um número bom, mas está melhor e já mostra uma queda menos acentuada do emprego”, ressalta ela.

Em relação à utilização da capacidade instalada efetiva em relação à usual, houve aumento de 3,2 pontos em outubro (44,8 pontos) na comparação com setembro (41,6 pontos). O fato de estar ainda abaixo dos 50 pontos revela que a indústria operou com a capacidade produtiva menor do que a habitual para o mês. Na comparação com outubro do ano passado (44,6 pontos), houve um leve aumento, de 0,2 ponto.

Já quando o assunto são os estoques, o índice de estoque efetivo em relação ao planejado revelou certa eliminação dos estoques em excesso, conforme as informações da Sondagem Industrial, chegando a 51,3 pontos em outubro, uma redução de 1,4 ponto. Mesmo assim, o acúmulo ainda existe, uma vez que os números ainda não estão abaixo dos 50 pontos.

Perspectivas – Os índices relacionados às expectativas da indústria, conforme destaca Daniela Muniz, estão todos acima dos 50 pontos, o que mostra perspectivas de crescimento.

O indicador de expectativa da demanda chegou a 57,4 pontos em novembro, o que representa incremento de 1 ponto na comparação com outubro (56,4 pontos). Em relação ao mesmo período do ano passado (54,9 pontos), o aumento foi de 2,5 pontos. O número registrado em novembro foi o maior para o mês desde o ano de 2010.

As empresas também esperam haver crescimento das compras de matéria-prima, sendo que o indicador chegou a 55,3 pontos em novembro, um incremento de 0,5 ponto na comparação com outubro (54,8 pontos). Em relação a novembro do ano passado (53,6 pontos), o avanço foi de 1,7 ponto. O resultado em novembro de 2019 também foi o mais alto para o mês desde o início da série histórica.

Houve queda de 0,7 ponto, entretanto, no indicador de expectativa do número de empregados, que passou de 51,9 pontos em outubro para 51,2 pontos em novembro. Já em relação a igual período do ano passado (51 pontos), o avanço foi de 0,2 ponto e o resultado também é o maior para o mês desde o começo da série histórica.

Por fim, o índice de intenção de investimento alcançou 55,4 pontos em novembro, incremento de 0,3 ponto na comparação com outubro (55,1 pontos). Em relação ao mesmo período de 2018 (56 pontos), porém, houve queda de 0,6 ponto.

“Quando se observa o histórico da sondagem, é possível ver que está acontecendo uma aceleração gradual, favorecida pela queda da taxa de juros, retomada do crédito, retomada gradual do mercado de trabalho e inflação controlada”, conclui Daniela Muniz.