Economia

Alta do ouro impulsiona lucro de mineradoras em Minas Gerais

Principais complexos que extraem metal precioso em MG reportaram altas na produção, vendas, receita e lucro; produto volta a ocupar posto de “ativo de proteção”, diz especialista
Alta do ouro impulsiona lucro de mineradoras em Minas Gerais
Na Kinross, em Paracatu, no Noroeste mineiro, produção de ouro cresceu 9,5% | Foto: Divulgação Kinross

As principais mineradoras de ouro em Minas Gerais registraram resultados expressivos no primeiro trimestre de 2026 sobre um ano antes. Embora tenham enfrentado, no período, pressão de custos nas operações no Estado, conforme apontam os balanços, a Kinross Gold e a AngloGold Ashanti reportaram altas na produção, nas vendas, na receita e no lucro.

No que diz respeito aos resultados da operação da canadense Kinross em Paracatu, na região Noroeste mineiro, a produção de ouro cresceu 9,5% (totalizando 160,6 mil onças); as vendas subiram 8,2% (158,8 mil onças); a receita avançou 84,9% (US$ 772,4 milhões); e o lucro operacional teve um incremento de 140,3% (US$ 527,6 milhões).

Quanto aos resultados das operações da sul-africana AngloGold Ashanti em Caeté, Sabará e Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a produção aumentou 15,5% (67 mil onças); as vendas expandiram 10,3% (64 mil onças); a receita acelerou 79,3% (US$ 303 milhões); e o lucro bruto foi ampliado em 131,8% (US$ 204 milhões).

Conforme o especialista da Valor Investimentos, Gabriel Cecco, os resultados de ambas as mineradoras em Minas Gerais refletem não apenas uma boa execução operacional, como mostram uma mudança importante na percepção global sobre o risco. De acordo com ele, o ouro voltou a ocupar um espaço bastante relevante no mercado internacional como ativo de proteção, criando um ambiente muito favorável para as empresas.

“Quando olhamos o cenário atual, temos uma combinação quase perfeita para o ouro, com tensão geopolítica, dúvidas sobre crescimento global e discussões fiscais em grandes economias. O investidor fica muito cauteloso no meio desse cenário inteiro”, afirma.

Barras de ouro
Kinross registrou um aumento de 84,9% na receita no primeiro trimestre deste ano | Foto: Reprodução Adobe Stock

“Diferente de outros ciclos, não é só o investidor pessoa física que corre para o ouro. Os próprios bancos centrais, grandes economias, seguem comprando forte para diversificar as suas reservas, até porque estão diminuindo a dependência do dólar. É um movimento que já vem sendo feito e o ouro aparece como um grande instrumento para isso, que ajuda a sustentar os preços em níveis tão altos historicamente”, pondera.

Disparada do metal eleva as margens de forma desproporcional

Para Cecco, o mercado está subestimando um detalhe importante: quando o preço do ouro sobe, as mineradoras sofrem um forte efeito operacional, porque uma parte do custo é relativamente fixo. Segundo o especialista, as margens crescem de forma desproporcional com a disparada do metal, o que pode ser visto ao analisar tanto a volatilidade da commodity quanto a volatilidade das ações de algumas companhias do ramo.

“É o que a gente vê nesses balanços. A Kinross, por exemplo, praticamente dobrou a receita e mais que dobrou o lucro operacional com um crescimento de produção muito menor do que isso. Tem um ganho de alavancagem operacional muito relevante acontecendo”, diz.

Ele também pontua que, diferente de outros momentos do setor, as empresas hoje precisam de mais disciplina financeira. Ou seja, menos foco em expansão agressiva, principalmente em um cenário de juros altos como o atual, e mais foco em eficiência, produtividade e retorno para o acionista. Com isso, a qualidade dos resultados melhora.

Ouro tende a continuar forte e as companhias sendo beneficiadas

Na avaliação do especialista da Valor Investimentos, o ambiente ainda é construtivo para o ouro nos próximos trimestres. Cecco ressalta que pode haver volatilidade no curto prazo, sobretudo dependendo da trajetória dos juros americanos e dos conflitos geopolíticos, mas pondera que é difícil enxergar uma perda estrutural da demanda neste momento.

“O mercado segue incerto e, enquanto esse ambiente permanecer, o ouro continuará forte e as mineradoras, por tudo que comentamos, acabam sendo grandes beneficiárias”, destaca.

Cabe dizer que, em razão da forte valorização do ouro, a AngloGold Ashanti pode retomar, em breve, operações em Santa Bárbara, na região Central de Minas Gerais. Além disso, a Jaguar Mining prevê grandes investimentos no Quadrilátero Ferrífero nos próximos anos para se tornar uma produtora de ouro de médio porte. A mineradora canadense registrou quedas na produção e nas vendas no primeiro trimestre, afetada pela paralisação de uma de suas operações – já retomada – e não divulgou ainda os resultados financeiros.

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