A crise gerada pela pandemia do Covid-19 refletiu nas exportações mineiras | Crédito: Ivan Bueno.

Apesar de ter fechado o semestre positivamente, a balança comercial de Minas Gerais encerrou os primeiros seis meses deste ano com um saldo menor do que o registrado no mesmo período de 2019.

Enquanto o saldo até agora no Estado, levando em consideração os meses de janeiro a junho, é de US$ 7,7 bilhões, no ano passado, em igual época, o saldo era de US$ 8,2 bilhões, o que representa retração de 6,09%.

Neste primeiro semestre, o Estado exportou US$ 11,6 bilhões e importou US$ 3,9 bilhões. Já em 2019, em igual período, as exportações mineiras somaram US$ 12,4 bilhões, retração de 6,4%. Já as importações foram da ordem de US$ 4,2 bilhões, recuo de 7,1% na mesma base de comparação. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic).

O principal item da pauta de exportações do Estado, o minério de ferro apresentou queda de 5,2% na movimentação financeira no primeiro semestre na comparação com o mesmo intervalo do ano passado.

Os embarques da commodity somaram US$ 3,6 bilhões entre janeiro e junho, ante US$ 3,8 bilhões no ano passado. Em volume, as vendas externas de minério caíram 13,7%, passando de 63,3 milhões de toneladas para 54,6 milhões de toneladas.

Mesmo havendo redução nos números, especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO destacam que o resultado poderia ser pior. Isso tendo em vista a crise que estamos vivendo, desencadeada, em grande parte, pela pandemia do Covid-19.

“O resultado não é de todo ruim. Em vista da pandemia, era esperado algo pior”, afirma o consultor de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Alexandre Brito.

De acordo com ele, o que contribuiu com o cenário atual foi certa compensação de alguns setores sobre os outros. Enquanto determinados segmentos apresentaram recuos maiores, como os de ferro e aço e máquinas, por exemplo, outros avançaram, principalmente quando se trata de determinadas matérias-primas. É o caso, por exemplo, da carne, do açúcar e da soja.

O presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, por sua vez, chama a atenção para o que fez com que as exportações de Minas Gerais fossem menos lucrativas no primeiro semestre deste ano em comparação a igual período de 2019: a influência do minério.

“O minério tem um peso muito importante na balança comercial. Além de a pandemia ter tumultuado o mercado, também tivemos redução na produção”, salienta ele. “As comercializações de automóveis, que também têm um peso forte, diminuíram bastante por causa da pandemia e da crise na Argentina”, diz.

Futuro próximo – Diante de todo esse quadro, o que se pode esperar da balança comercial de Minas Gerais? Segundo os especialistas, isso depende de alguns fatores.
De acordo com o economista e professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec BH), Felipe Leroy, a perda de dinamismo das economias de fora foi um componente importante para a queda das nossas exportações.

“Agora, espera-se uma retomada, pois os países compradores estão saindo do período mais dramático da pandemia. As coisas tendem a melhorar”, diz ele. No entanto, muito se tem falado que o mundo pode passar por uma nova onda de infecções e aí, diz Leroy, isso mudaria os rumos das comercializações e seria um problema também econômico.

Brito, da Fiemg, frisa que se tudo correr bem com o mercado internacional, é possível que se feche este ano com o mesmo nível de exportação que foi registrado em 2019 ou de 2% a 3% menor. Além disso, o saldo da balança comercial de Minas Gerais também tende a se recuperar, diz ele.

O que deve influenciar nesse resultado é a importação, ainda segundo Brito, uma vez que as dificuldades e instabilidades econômicas fecharam negócios e fizeram com que muitos outros operassem parcialmente.

Protecionismo dos EUA afeta exportações do País

Brasília – As medidas de protecionismo comercial tomadas pelos Estados Unidos têm impacto de US$ 1,6 bilhão nas exportações brasileiras por ano. A estimativa consta de levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Há dois anos, o governo do presidente Donald Trump começou a adotar medidas que afetaram as exportações brasileiras. A primeira foi a imposição, em março de 2018, de quotas para as compras de aço brasileiro e a taxação de 10% das compras de alumínio do país. Essas duas medidas tiveram impacto de US$ 1 bilhão por ano, no caso do aço, e de US$ 200 milhões para as vendas de alumínio.

A medida foi tomada por meio da Seção 232, sob o argumento que as importações feriam a segurança nacional dos Estados Unidos. Diversos países, como Rússia, Índia e Turquia, e a União Europeia abriram reclamações na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os norte-americanos.

As outras duas medidas que prejudicaram as exportações brasileiras foram tomadas neste ano. Em janeiro, os Estados Unidos iniciaram investigação que pode sobretaxar exportações de molduras de madeira do Brasil e da China em até 200%. De acordo com a CNI, essa ação pode diminuir as exportações brasileiras em US$ 300 milhões por ano.

A medida mais recente foi tomada em março, quando os Estados Unidos abriram novas investigações de dumping e subsídios contra importações de chapas de alumínio do Brasil e outros 13 países, com a possibilidade de sobretaxar os produtos em até 27%. A ação pode impactar a balança comercial brasileira em até US$ 100 milhões por ano.

As ações mais recentes foram possíveis porque os Estados Unidos revogaram unilateralmente margens de preferência para países em desenvolvimento em ações contra importações subsidiadas. O governo norte-americano também alterou a legislação para considerar manipulações da taxa de câmbio como subsídios e abrir caminho para a aplicação de sobretaxas.

No ano passado, o Brasil importou US$ 300 milhões a mais do que exportou para os Estados Unidos, nosso segundo maior parceiro comercial. Foram US$ 29,7 bilhões em exportações e US$ 30 bilhões em importações. Nos cinco primeiros meses de 2020, as exportações para os Estados Unidos de bens industrializados caíram cerca de 30% até maio, ou US$ 3,2 bilhões, em relação ao mesmo período de 2019. (ABr)