Economia

Minas amplia saldo de empresas em 6% em 2026, mas fechamentos também aceleram

Estado registrou 216,5 mil aberturas e 126,6 mil extinções entre janeiro e abril; microempresas responderam por quase 95% dos novos registros
Minas amplia saldo de empresas em 6% em 2026, mas fechamentos também aceleram
Dentre as cidades mineiras com maior número de aberturas, Uberlândia ocupa segunda posição, atrás de Belo Horizonte | Foto: Cleiton Borges / Prefeitura de Betim

Minas Gerais registrou saldo positivo de 89.939 empresas entre janeiro e abril de 2026, uma alta de 6% em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionado pelo avanço das aberturas de negócios no Estado. Apesar do crescimento, o ritmo de encerramento de empresas mineiras também acelerou, reflexo de um mercado que sofre com juros e endividamento elevados.

No período, 216.578 empresas foram abertas, enquanto 126.639 fecharam as portas, enquanto entre janeiro e abril do ano passado, Minas Gerais registrou 199.163 aberturas e 114.326 fechamentos. Os dados são do Mapa de Empresas, uma ferramenta de transparência disponibilizada pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (Memp).

No recorte de novos negócios, as microempresas respondem por quase 95% dos registros. Do total de empreendimentos abertos no primeiro quadrimestre deste ano, 205.956 são desse porte, reforçando o peso das pequenas empresas mineiras na dinâmica local.

O economista e docente do Centro Universitário UniBH, Fernando Sette Jr, avalia que o avanço de 6% no saldo líquido de empresas em Minas Gerais frente ao mesmo período de 2025 pode ser interpretado como um sinal de aceleração da dinâmica econômica, porém, com ressalvas importantes. Segundo ele, o aumento no saldo entre abertura e fechamento de empresas, pode refletir um ambiente de maior disposição para empreender, bem como percepção de oportunidades de mercado.

“Ninguém abre empresa esperando retração. O aumento das aberturas indica alguma confiança na atividade econômica e na possibilidade de consumo e geração de renda”, destaca.

Entretanto, ainda não é possível concluir que Minas Gerais possa passar por um novo momento de aceleração econômica, especialmente mais robusta. Para Sette, Jr, o ponto central que deve ser analisado é a qualidade do crescimento desse saldo.

“O predomínio das microempresas indica um empreendedorismo pulverizado, ligado a pequenos negócios, serviços e formalização. Embora amplie a atividade econômica, o dado exige cautela: mais importante que abrir empresas é a capacidade de sobrevivência, geração de emprego e ganho de produtividade ao longo do tempo”, argumenta.

Polos econômicos de Minas Gerais concentram novos negócios

Dentre as cidades mineiras, Belo Horizonte concentra o maior número de aberturas (38.578) entre janeiro e abril deste ano, seguido por Uberlândia (12.676), Contagem (9.769) e Juiz de Fora (6.294).

Ao analisar esse desempenho, o economista sugere que esse protagonismo é coerente com a geografia econômica do Estado. A capital mineira concentra o maior mercado consumidor, serviços, sede de empresas e ecossistema empreendedor mais maduro.

Uberlândia, por sua vez, se consolida cada vez mais como grande polo logístico e empresarial do interior, impulsionada pela sua posição estratégica e conexão com agronegócio, distribuição e tecnologia. Contagem mantém uma força industrial e comercial consolidada, beneficiada pela integração metropolitana, enquanto Juiz de Fora reforça seu papel como hub regional da Zona da Mata.

“Esses números mostram que a expansão de empresas mineiras está acontecendo, mas ainda muito concentrada nos polos de maior densidade econômica, infraestrutura e capacidade de consumo”, finaliza Sette, Jr.

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